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Nutrição

Monografia “TENSÃO PRÉ-MENSTRUAL”

 

Esta obra possui autoria plena, sendo permitido seu uso educacional unicamente como referêncial teórico desde que fornecidos os devidos créditos ao seu mentor intelectual.

AUTOR: OLIVEIRA, A. & ROVITO, R.

ANO: 2008

1 – INTRODUÇÃO

A observação de que as mulheres experimentavam maior incidência de cefaléia, queixas somáticas e aumento de tensão no período pré-menstrual remonta aos tempos de Hipócrates e da escola da Grécia antiga. O ciclo menstrual da mulher tem sido, assim, relacionado desde os primórdios da medicina ao surgimento ou exacerbação de vários distúrbios psíquicos, desde o simples aumento da ansiedade e irritabilidade, até o surgimento de delírios e ideações suicidas.

Modernamente, as primeiras descrições do problema sob a denominação de Tensão Pré-Menstrual (TPM) aparecem em 1931 por Frank, onde se notava que as mulheres na última fase do ciclo menstrual experimentavam tensão emocional e desconforto físico. Foram aventadas teorias psicológicas para explicar o fenômeno, incluindo condições neuróticas, de identidade feminina, conflitos, estressores, etc., como a base desse transtorno

Assim sendo, podemos dizer que a Tensão Pré-Menstrual (TPM) é um mal que atinge uma grande parte da população feminina. É um período leigamente muito conhecido como “aqueles dias” . Mas será que isso é normal? Será que todos os meses você precisa “sofrer”, passar por isso? Com uma grande variedade de intensidade e de sintomas, a TPM acaba dependendo do estado emocional, físico e da idade da pacientes.

Após esses estudos chegou-se à conclusão de que as pacientes portadoras de TPM podem e devem ser tratadas adequadamente. A paciente nota sensível melhora com o tratamento, seus filhos e maridos agradecem assim como seus colegas de trabalho.

Muitos estudos vêem pesquisando sobre as eventuais causas da TPM e, até agora, pode-se afirmar simplesmente que sua causa principal se relaciona ao metabolismo próprio de cada paciente, aliado às mudanças hormonais à que elas estão sujeitas. Portanto, a tensão pré-menstrual (TPM) parece e ser um distúrbio relacionado ao desequilíbrio entre os dois principais hormônios femininos envolvidos na segunda fase do ciclo menstrual, isto é, após o período da ovulação e que precede a menstruação.

Este estudo tem por objetivo discutir sobre a Tensão Pré-Menstrual (TPM), um acontecimento mensal feminino considerado bastante desagradável que modifica a vida da mulher em seus mínimos detalhes. Causando alterações físicas, psicologias e, especialmente, de humor, dificultando, inclusive, seu relacionamento familiar e no trabalho.

Para melhor entendimento o desenvolvimento do estudo decorreu da seguinte forma: menstruação, conceitos de TPM, tipos de TPM, sinais e sintomas, possíveis causas, diagnóstico e diagnóstico diferencial, estatísticas, tratamento, tratamentos alternativos, alimentos que curam, endometriose (conceito, causas, sintomas, tratamento, medicamentos e efeitos colaterais).


2 – DESENVOLVIMENTO

 

 

            Algumas mulheres possuem ciclos ovarianos considerados normais, isto é sem causar transtornos. Entretanto, para algumas mulheres alguns ciclos ovarianos causam problemas que chegam a atrapalhar o desenvolvimento das atividades do dia-a-dia. Por esse motivo, médicos e especialistas, de todo o mundo, vem estudando os sintomas, causas e possíveis tratamentos para a Tensão Pré-Menstrual (TPM).

2.1 NOÇÕES GERAIS SOBRE MENSTRUAÇÃO

Conforme explica Freitas (2001) a menstruação é a eliminação de sangue e tecidos de dentro do útero que saem pela vagina, e que acontece periodicamente durante uma etapa da vida da mulher. Ao aproximar-se da primeira menstruação, a adolescente vai abandonando o corpo de criança e ganhando um corpo de adulto.

O período reprodutivo da mulher se estende desde o início dos ciclos menstruais, em torno dos treze anos (dos nove aos quinze anos), até o início da menopausa, quando desaparecem as menstruações. Essa idade é muito variável para cada mulher, mas em média ocorre entre os quarenta e cinco e os cinqüenta anos.

Os ovários, na época do nascimento da menina, devem trazer mais de 100.000 (cem mil) óvulos imaturos. A eliminação de cada um se faz uma só vez por mês, na época da primeira menstruação (menarca). A ovulação é o processo pelo qual o óvulo é liberado. Nos ovários há grupos de células, os folículos, no interior dos quais se encontram os óvulos imaturos. À medida que o folículo amadurece, cresce em tamanho e se aproxima da superfície do ovário. Aproximadamente na metade do ciclo chamado ciclo sexual ou menstrual, libera-se um óvulo. O óvulo libertado do folículo maduro cai na trompa, e no seu interior é conduzido até o útero. Nesse trajeto o óvulo sobrevive em torno de seis a vinte e quatro horas, enquanto é transportado. Esse período é chamado fértil, pois é o momento propício para a fecundação (FREITAS, 2001).

Os espermatozóides depositados junto ao colo do útero com o líquido espermático, onde podem sobreviver de trinta a quarenta e oito horas, nadam através do muco cervical e procuram o óvulo que está na trompa. Quando o encontram, um deles consegue penetrar no seu interior, formando o ovo. O ovo assim formado é conduzido até o corpo do útero, onde faz sua implantação (nidação), isto é, prende-se ao endométrio. Aí, então, multiplica e aperfeiçoa suas células, dando origem ao feto. Se não houver fecundação, o óvulo cai no útero e é eliminado para o exterior. Com isso, após alguns dias, o endométrio, desnecessário para a manutenção de uma gravidez que não ocorreu, é eliminado através da menstruação (sangue e tecido endometrial inútil) (FREITAS, 2001)

Assim, o ciclo menstrual se inicia no primeiro dia da menstruação e finaliza em torno de vinte e oito dias depois (vinte e seis a trinta e dois dias), com o início de novo fluxo menstrual. Em torno do décimo quarto dia ocorre a ovulação. Esta, entretanto, pode suceder em praticamente qualquer dia do ciclo por estímulos ambientais, emocionais, atividade sexual etc., o que pode modificar totalmente a previsão dos dias férteis e da probabilidade de uma fecundação.

De uma maneira geral, costuma-se dizer que uma mulher é fértil entre o décimo e o décimo-oitavo dia do ciclo por ser mais provável a ovulação e a manutenção do óvulo por algum tempo nessa fase. Há várias formas de se saber o dia da ovulação. Um dos métodos é o controle da temperatura basal; o outro é através da verificação do muco cervical.

Freqüentemente, os primeiros ciclos menstruais são anovulatórios (sem ovulação), sendo o sangramento resultante de uma descamação do endométrio. Estes podem ser muito irregulares, com quantidade e duração de fluxo variando de ciclo para ciclo. Intervalos de quatro, cinco ou seis meses são comuns nesta fase.

Nos últimos anos a idade da menarca vem acontecendo cada vez mais precocemente. A hereditariedade tem um papel importante na menarca. Também influenciam a raça, o clima, fatores nutricionais e sócio-econômicos, exercícios físicos, stress e doenças crônicas (FREITAS, 2001)

2.2 CONCEITOS SOBRE TENSÃO PRÉ-MENSTRUAL (TPM)

            Segundo Coutinho (1996), a TPM ou Tensão Pré-Menstrual é uma desordem hormonal e nutricional pré-menstrual, cientificamente comprovada, que acontece todo mês após a ovulação e cessa com a chegada do fluxo menstrual. Ela é tão comum que está presente em aproximadamente 75% das mulheres. Alguém mais desavisado poderia até pensar que essa síndrome é mais um modismo dos tempos atuais, mas esse distúrbio é descrito desde 460 a.C. e modernamente, as primeiras descrições do problema sob essa denominação aparecem em 1931. Porém nunca se falou tanto sobre este assunto como agora.

Apesar de ser simples, pode transformar o período que antecede a menstruação num verdadeiro “inferno”, trazendo sérias repercussões no relacionamento afetivo interpessoal (cônjuge, filhos, amigos, vizinhos, chefes e colegas de trabalho). Essas interferências severas de humor podem ser relacionadas com as taxas de suicídios, faltas no trabalho e na escola, e em casos isolados, crimes envolvendo mulheres (COUTINHO, 1996).

De acordo com relato de Fortner et al (2008), o médico argentino, Jorge Alonso, Presidente da Associação Argentina de Fitomedicina, especialista no assunto: “Os sintomas têm geralmente a intensidade suficiente para alterar a dinâmica das atividades habituais da mulher, tendendo a desaparecer durante o descanso do ciclo”. (p.35)

Segundo Nathan; Decherney (2004, p.25), cientificamente definindo, a TPM é

Transtorno disfórico pré-menstrual presente na maioria dos ciclos menstruais. Alguns sintomas (por ex., humor acentuadamente deprimido, ansiedade, instabilidade afetiva, interesse diminuído por atividades) se apresentam regularmente durante a última semana da fase lútea (e apresentaram remissão alguns dias após o início da menstruação). Estes sintomas devem ser suficientemente severos para interferir acentuadamente nas atividades habituais da mulher e devem estar inteiramente ausentes por pelo menos uma semana após a menstruação.

Alguns autores usam a nomenclatura “Transtorno Disfórica Pré-menstrual” – TDPM, na qual se caracteriza como um tipo severo de TPM com sintomas que incluem depressão severa, sentimentos de falta de esperança, raiva, ansiedade, baixa auto-estima, dificuldade de concentração, irritabilidade e tensão. Mulheres com TDPM podem sofrer de algum distúrbio psiquiátrico subjacente que deve ser pesquisado por um médico especializado no assunto (FORTNER et al, 2008)

Existem mulheres que necessitam de acompanhamento constante, como forma preventiva, de maneira que os sintomas possam ser inibidos antes que se manifestem, conferindo uma melhor qualidade de vida para as mulheres que sofrem com esse mal.

Apesar de ser um tema de muita discussão nos dias atuais, a TPM ainda é dita como uma condição de difícil identificação, pois, seus sintomas são muitos e variam de uma mulher para a outra. Para complicar mais ainda a condição da mulher, as pessoas costumam vulgarizar a TPM, imputando a ela qualquer reação intempestuosa que a mulher possa ter.

Alterações do humor, mamas doloridas, compulsão por comer certos alimentos (principalmente doces), fadiga, irritabilidade e depressão estão entre os sintomas mais comuns da TPM. A maioria das mulheres apresenta certo desconforto antes da menstruação, mas aquelas com TPM sentem os sintomas atrapalharem o seu dia-a-dia em casa e no trabalho.

2.3 TIPOS DE TENSÃO PRÉ-MENSTRUAL

Conforme Lark (2001), a TPM está classificada em quatro tipos: A, C, H e D, de acordo com a predominância dos sintomas. Esta classificação não é uma regra. Uma mesma mulher pode apresentar os sintomas de um ou mais tipos de TPM.

- TPM tipo A: as mulheres ficam ansiosas, irritadas, tensas e até mesmo agressivas. Este é o tipo mais freqüente.

- TPM tipo C: caracteriza-se pelo aumento do apetite, compulsão alimentar (predominando a compulsão pela ingestão de doces, como chocolates), fadiga, cefaléia (dor de cabeça) e palpitações.

- TPM tipo H: há aumento súbito de dois a três quilos no peso corporal, aumento das mamas, dor e distensão abdominal, normalmente em função da retenção hídrica (líquidos).

- TPM tipo D: é o menos freqüente e os sintomas predominantes são choro fácil, sonolência ou insônia, confusão mental e depressão.

2.4 SINAIS E SINTOMAS DA TENSÃO PRÉ-MENSTRUAL

Os sintomas da TPM são especialmente individuais, isto é, podem variar muito de mulher para mulher. Os mais comuns são divididos em emocionais e físicos.

- Sintomas emocionais: afetam principalmente o psicológico do paciente – ansiedade, agressividade, irritabilidade, tensão nervosa, aumento de apetite, choro fácil, depressão e desânimo.

- Sintomas físicos: ligados principalmente às dores – de cabeça e mamárias, problemas de pele, retenção hídrica, ganho de peso.

Fig. 1: Sintomas da TPM. Fonte: http://www.aborto.com.br/tpm/index.htm#1. Acesso: Set/08

Segundo Lark (2001), a paciente deve apresentar por dois ou três ciclos menstruais cinco ou mais sintomas da lista abaixo na última semana do ciclo, devendo tais sintomas estar ausentes após a menstruação:

1. Marcante humor depressivo, sentimentos de desesperança ou autodepreciativos

2. Marcante ansiedade e tensão

3. Marcante labilidade afetiva

4. Irritabilidade e/ou agressividade marcantes ou dificuldades de relacionamento pessoal

5. Diminuição do interesse para atividades usuais

6. Dificuldades de pensamento, memória e concentração

7. Cansaço, fadiga e perda de energia

8. Alterações do apetite e/ou da aceitação de determinados alimentos

9. Alterações do sono (insônia ou hipersônia)

10. Sensação subjetiva de opressão ou perder o controle

11. Outros sintomas físicos tais como turgência nos seios, cefaléia, dor muscular, inchaço, ganho de peso.

12. O distúrbio deve interferir marcantemente com a ocupação, atividades sociais e de relacionamento.

Apesar desses critérios, grande maioria das mulheres que experimentam algum tipo de mal estar durante o período pré-menstrual, embora não sejam rigidamente classificadas como portadoras de Síndrome Pré-Menstrual, podem ser abordadas como portadoras de Tensão Pré-Menstrual sob o ponto de vista clínico e terapêutico.

Fig. 2: Sintomas mais comuns da TPM. Fonte: http://www.aborto.com.br/tpm/index.htm#1.

Acesso: Set/08

 

2.5 POSSÍVEIS CAUSAS DA TENSÃO PRÉ-MENSTRUAL

Nathan; Decherney (2004) dizem que muitas hipóteses têm sido levantadas sobre as causas da TPM. A mais provável é que sejam influências hormonais do ciclo menstrual que interferem no sistema nervoso central. Deficiências de ácidos graxos, como o ácido gamalinolênico (GLA), vitamínicas, como B6 e fatores ambientais podem agravar os sintomas. O GLA não é produzido pelo organismo e a suplementação através desse ácido já foi testada e os quadros apresentaram melhoras significativas. Esse ácido pode ser encontrado no óleo da semente da Borragem (borago officinalis). Parece haver uma íntima relação entre os hormônios sexuais femininos, as endorfinas (substâncias naturais ligadas a sensação de prazer) e os neurotransmissores tais como a serotonina. É uma síndrome que acompanha a ovulação normal da mulher.

Relatam Gold; Severino (2001) que na década de 50 a médica inglesa Katrina Dalton repensou as causas da Tensão Pré-Menstrual relacionando-a, principalmente, com a diminuição de progesterona durante o último quarto do ciclo menstrual. Havia algumas observações sobre a diminuição dos sintomas de TPM com o uso de progesterona nesta fase do ciclo. Essa constatação acabou por estabelecer um período de 30 anos onde se indicava a reposição desse hormônio como tratamento para TPM.

Contudo, nos últimos 12 anos as teorias acerca da alteração entre progesterona e estrógenos têm sido sistematicamente refutadas. Pesquisas têm demonstrado que os níveis de progesterona e estrogênio são similares nas pacientes com TPM e naquelas sem esse transtorno. Estudos mostraram que a administração de progesterona não foi significantemente mais efetiva do que a administração de placebos (comprimidos sem nenhuma ação terapêutica) (NATHAN; DECHERNEY, 2004).

Nathan; Decherney (2004) dizem que as atuais pesquisas sobre as causas da TPM têm cogitado complexos mecanismos envolvendo hormônios ovarianos, opióides endógenos (produzidos pelo Sistema Nervoso Central), neurotransmissores, prostaglandinas, sistema nervoso autônomo, sistema endócrino, entre outros. As alterações no hipotálamo também têm despertado grande interesse como uma das causas desencadeantes mais provável de toda constelação fisiopatológica.

Um aumento da sensibilidade da pessoa aos hormônios ovarianos também pode satisfazer algumas teorias das causas de TPM, já que não se constataram anormalidades nos níveis hormonais (FSH, LH, estrógenos, progesterona, prolactina ou testosterona) entre mulheres com e sem TPM.

Os níveis de estrogênio aumentam nas três primeiras semanas do ciclo, assim como aumentam também as endorfinas fisiológicas (substâncias analgésicas produzidas pelo Sistema Nervoso Central). Esse aumento é potencializado pelo aumento do hormônio progesterona seguido da ovulação. Além de sua contribuição para a sensação de bem estar, as endorfinas também aumentam as sensações de fadiga queixadas por mulheres com TPM (HALBREICH; ENDICOTT, 2002).

Quando os estrógenos e progesterona diminuem na quarta semana do ciclo, também diminui a produção das endorfinas. Nesta fase surgem os sintomas decorrentes da diminuição desse opiáceo (fisiológico), tais como ansiedade, tensão, cólicas abdominais, cefaléia, etc (HALBREICH; ENDICOTT, 2002).

Segundo Soares (2000), os componentes químicos envolvidos no estresse físico e emocional, como o cortisol e adrenalina, por exemplo, também podem estar aumentados na TPM. Talvez devido a esse fato, se constatam relações evidentes entre experiência estressante e maior severidade dos sintomas da TPM nesta fase do ciclo. Nota-se que quando mais uma situação estressante persiste durante a fase final do ciclo, maior será o desconforto na TPM.

Atualmente, acredita-se também que as mulheres com TPM sejam exageradamente sensíveis aos estímulos do sistema serotoninérgico. Assim sendo, essas pacientes acabam sendo muito mais vulneráveis aos “estressores” que as mulheres sem o transtorno. De qualquer forma, ainda é temerário afirmar categoricamente que o stress causa TPM ou, ao contrário, que a TPM sensibiliza mais as mulheres ao estresse. Talvez seja uma situação sinérgica (WONG; LICÍNIO, 2007).

Lima (2004) diz que algumas causas ambientais podem estar relacionadas a TPM. Entre elas ressalta-se o papel da dieta alimentar. Alguns alimentos parecem ter importante implicação no desenvolvimento dos sintomas da TPM, como é o caso, por exemplo, do chocolate, cafeína, sucos de frutas e álcool. As deficiências de vitamina B6 e de magnésio também estão sendo consideradas, porém, até o momento, o papel desses nutrientes na causa ou no tratamento não tem sido confirmado.

Sabe-se também que as alterações hormonais podem provocar uma retenção maior de líquidos pelo corpo e em todos os órgãos femininos. Esse edema é capaz de afetar, inclusive, a função cerebral, pelo próprio acúmulo de líquidos no tecido neural. A retenção de líquidos pode provocar até alterações do estado emocional, tornando a mulher irritadiça, mal-humorada, inquieta e com certo grau de ansiedade (LARK, 2001)

Alguns autores atribuem a maioria das alterações observadas na TPM à retenção de líquidos. Acreditam que esse edema pode ser responsável pelas dores nas mamas, pelas dores musculares e abdominais, pelo inchaço das mãos e pés, por alterações metabólicas e do apetite, por maior consumo de carboidratos, conseqüentemente pelo eventual aumento do peso e até pelo aumento exagerado na vontade de comer chocolates e guloseimas que só pioram o quadro geral.

De acordo com Berennstein (2001), estudos mostram que em torno de 80% das mulheres em geral apresentam algum tipo de alteração no período pré-menstrual. De uma forma geral, 17% das mulheres com síndrome pré-menstrual apresenta ciclos menstruais irregulares com duração menor que 26 dias ou maior que 34 dias. Entre essas mulheres com TPM, 11% já padecem de algum distúrbio do humor, normalmente de depressão ou distimia, 5% apresenta transtornos alimentares, do tipo anorexia ou bulimia. Isso significa que em bom número de casos as portadoras de TPM já apresentam, antecipadamente, algum transtorno afetivo depressivo ou ansioso.

O componente hereditário na causa da TPM tem recebido grande destaque de muitos pesquisadores. Relatam Wong; Licínio (2007) que existe um trabalho de Freeman desenvolvido em 1998 que mostra que 36% de uma amostra de mulheres com TPM relatou que suas mães também eram afetadas pelo distúrbio, e 45% tinha história familiar de transtornos emocionais sem especificação. A história familiar de depressão em 73% das pacientes com TPM confirma esta associação e todos esses dados falam a favor de um componente hereditário na sintomatologia psíquica no período pré-menstrual.

Estudos preliminares indicam a possibilidade de uma relação entre a TPM e uma anormalidade das prostaglandinas (substâncias similares ao hormônio) ou do hormônio progesterona. Além disso, a TPM pode estar associada a queda dos níveis de serotonina no cérebro, que regula o humor, o apetite e a sensação de bem-estar (WONG; LICÍNIO, 2007).

2.6 DIAGNÓSTICO E DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

Conforme Freitas (2001), o diagnóstico da tensão pré-menstrual baseia-se quase que somente nos sintomas apresentado pelas mulheres, já que não há um achado do exame físico ou de exames complementares que façam o diagnóstico da mesma. O médico pode atribuir um sintoma particular à TPM se ele fizer parte do padrão previsível de comportamento dos sintomas do período pré-menstrual.

É preciso considerar que cada mulher apresenta o seu padrão de sintomas. Para estabelecê-lo, o médico pode solicitar que a paciente faça um diário dos sinais e sintomas observados, pedindo que sejam feitas essas anotações em um calendário, um diário ou uma tabela por pelo menos dois ciclos menstruais consecutivos. A mulher deve prestar atenção ao primeiro dia em que começa a sentir os sintomas da TPM, assim como o dia em que eles desaparecem. Também deve ser marcado o dia em que começa o ciclo menstrual e o dia em que ele termina. A paciente também pode completar um questionário no primeiro dia do ciclo menstrual descrevendo os sintomas durante as duas semanas que antecedem este início. Com esses cuidados de observação, a paciente permitirá ao médico montar uma rotina de tratamento, que vai ser utilizada como preventiva, visando inibir ao máximo os incômodos pré-menstruais.

            Segundo explica Berennstein (2001), algumas doenças devem ser eliminadas para confirmar a TPM, tais como:

- Na área psiquiátrica

  • ansiedade generalizada
  • depressão
  • distimia
  • transtorno do pânico
  • transtorno bipolar
  • distúrbios de personalidade

- Na área clínica

  • anemia
  • distúrbios alimentares
  • diabete
  • alcoolismo
  • hipotireoidismo
  • efeitos colaterais de anticoncepcionais
  • dores musculares
  • dismenorréia (cólicas menstruais)
  • síndrome da fadiga crônica
  • endometriose
  • doenças auto-imunes

2.7 ESTATÍSTICAS

 

            Segundo levantamento realizado por Soares (2000) em diversos trabalhos as estatísticas que envolvem a TPM mostram que a grande maioria das mulheres apresentam algum tipo de transtorno, inclusive adolescentes. Assim, observa-se:

- A TPM ocorre de 7 a 10 dias durante o mês.

- 77% dos ciclos menstruais duram entre 25 e 31 dias.

- 65,8% das adolescentes sofrem da TPM.

- 97% das mulheres percebem um ou mais dos sintomas emocionais e físicos associados com o ciclo menstrual, contra apenas 52% dos homens.

- Quase todas as mulheres (98%) e a maioria de homens (79%) estão cientes ao menos de um tratamento para TPM.

- Somente 35% das mulheres e 16% dos homens disseram que usam atualmente a medicina como base regular para ajudar a aliviar a TPM.

- De 20 a 50% das mulheres têm algum dos sintomas da TPM em alguma hora durante seus anos reprodutivos.

- Em 30-40% das mulheres os sintomas da TPM podem afetar levemente suas rotinas e atividades diárias.

- Entre 50 e 60% das mulheres com TPM podem chegar a ter algum tipo de depressão subjacente.

- Entre 3 e 9% das mulheres com sintomas acentuados da TPM, não conseguem prosseguir suas rotinas diárias.

- De 70 a 90% das mulheres que menstruam experimentam algum medicamento para amenizar os sintomas da TPM.

- 64% das mulheres entre 15 a 44 anos usam algum formulário contraceptivo, contra apenas 56% em 1982.

- 68% dos homens e 78% das mulheres examinados disseram que a TPM pode gerar efeitos negativos em seu relacionamento como brigas, tensão e menos tempo juntos.

- Quase 1/3 dos homens relatou um impacto negativo em suas relações sexuais no período em que a mulher está na TPM.

- O Prozac é consumido por aproximadamente 5 a 10% das mulheres que tem sintomas da TPM.

- A prevalência da enxaqueca em mulheres é três vezes maior do que em homens. E, como se não bastasse, em 65% dos casos ela é do tipo menstrual.

- Cerca de 60% das mulheres melhoram da enxaqueca, até mesmo a não-menstrual, após a menopausa devido a mudanças hormonais.

- Além da TPM, 75% das adolescentes têm dismenorréia (cólicas) no primeiro dia da menstruação. Em 25% dos casos, ela é incapacitante, ou seja, a garota não consegue fazer nada”, afirma Mara Solange C. Diegoli, 45, coordenadora do Ambulatório da TPM do Hospital das Clínicas de São Paulo.

- entre 57 e 100% das mulheres que sofreram da TPM, tiveram ao menos um episodio de depressão, comparado a 0% a 20% das mulheres sem TPM.

            Com essas estatísticas pode-se chegar a algumas conclusões referentes a alguns pontos que são comuns a grande maioria das mulheres que sofrem de TPM. Um dos pontos muito marcante é referente à alteração de humor, de uma forma ou de outra, a irritabilidade está presente em todas as mulheres desse grupo, inclusive nas adolescentes. Com isso o relacionamento familiar sempre acaba por ser prejudicado, especialmente o convívio com o parceiro, que nem sempre entende as perturbações pré-menstruais que acomete sua parceira.

2.8 TRATAMENTO DA TENSÃO PRÉ-MENSTRUAL

 

Segundo Gold; Severino (2001, p.37), a TPM é uma síndrome e, portanto, não existe um tratamento específico, já que os sintomas são variáveis. Comentam os autores que

Durante muitos anos eram recomendados o uso de analgésicos, contraceptivos e outros medicamentos hormonais, que não satisfazem todas as expectativas de melhorias clínicas, além de acarretarem diversos efeitos colaterais.” “Hoje, um dos produtos que apresenta melhores resultados para este problema, é o óleo da borragem (Borago officinalis), originado das sementes desta planta. Este óleo contém um ácido graxo essencial GLA (Ácido gamalinolênico) que o organismo não é capaz de produzir.

Atualmente, a conscientização de fatores que podem interferir direta ou indiretamente nos sintomas da TPM, faz com que haja alternativas eficazes para prevenir este problema; afinal, a prevenção é o melhor remédio.

Reunindo a opinião de alguns autores, como: Coutinho (1996); Lark (2001); Nathan; Decherney (2004) pode-se arriscar dar algumas dicas para o tratamento da TPM

2.9 ALGUMAS INDICAÇÕES E DICAS QUE PODEM SER USADAS PARA MELHORAR A TENSÃO PRÉ-MENSTRUAL

- Medicamentos fitoterápicos: o ácido gamalinolênico, substância encontrada no óleo da semente da Borragem (borago officinalis), oferece grande ajuda neste processo. O GLA pode ser indicado para todos os sintomas da TPM. Além disso, ele age diretamente na causa do problema, ao invés de tratar as conseqüências, como a maioria dos medicamentos existentes no mercado.

- Vitaminas: a vitamina A e B6 (peixe, frango, fígado, ovos, cereais integrais, soja, amendoim, nozes, banana, etc) quando introduzidas na alimentação, podem ajudar no processo.

- Dieta: É aconselhado diminuir a ingestão de gorduras, sal, açúcar, álcool e cafeína. Uma dieta rica em proteínas e vitaminas, e alimentos com boas fontes de cálcio (leite e iogurte) e magnésio (espinafre) também podem ajudar no tratamento; evite o fumo. Um tipo especial de gordura é extremamente útil – o ácido cislinolênico – encontrado em alguns óleos, especialmente o de girassol. As verduras, legumes, cereais e leguminosas, especialmente os integrais, fornecem grande parte dos elementos nutricionais que propiciam o adequado equilíbrio entre hormônios femininos.

- Atividades físicas: o programa de exercícios aeróbicos é considerado um excelente tratamento, pois proporciona modulação hormonal além de estimular a produção de endorfinas (substâncias responsáveis pela sensação de bem estar).

- Anticoncepcionais: Contraceptivos orais: as pílulas anticoncepcionais impedem a ovulação e estabilizam as variações hormonais, oferecendo alívio para os sintomas da TPM. Um novo tipo de anticoncepcional que contém drosperinona, a qual age de maneira semelhante à espironolactona (um diurético), mostrou ser mais eficaz do que as outras pílulas para reduzir os sintomas físicos e emocionais da TPM e da DDPM. Conhecido como YAZ, cada cartela tem 24 comprimidos. As pílulas anticoncepcionais podem causar efeitos colaterais em algumas mulheres, atrapalhando mais do que ajudando algumas delas.

- Antidepressivos: nos casos mais graves pode ser indicada uma medicação mais específica. Essa medicação é indicada somente em quando a paciente apresenta graves alterações de comportamento. Porém, essas drogas tratam das conseqüências geradas pela TPM, além dos inúmeros efeitos colaterais.

- Hormônios: os implantes de hormônio são uma novidade nesta área. Eles funcionam como contraceptivos e podem ser indicados. Tem uma substância com atividade progestogênica. Esse implante promove a liberação da substância hormonal de forma contínua, podendo ser retirado a qualquer momento, caso a paciente deseje retirá-lo ou apresente inconvenientes durante o uso. A desvantagem da reposição hormonal é o custo alto. Esse tratamento é novo, assim não se sabem os efeitos colaterais em longo prazo.

- Diuréticos: quando atividades físicas e a redução da ingestão de sal não são suficientes para reduzir o ganho de peso e o edema, o uso de diuréticos pode ajudar a eliminar o excesso de líquidos retido pelos rins e o excesso de sal no seu organismo. Eles são usados geralmente antes de você começar a sentir os sintomas da TPM. A espironolactona pode ajudar a aliviar esses sintomas.

- Acetato de medroxiprogesterona (Depo-Provera): para TPM severa ou DDPM, esta injeção pode ser usada para interromper temporariamente a ovulação. Entretanto, a medroxiprogesterona pode causar uma piora de alguns sinais e sintomas da TPM, como aumento do apetite, ganho de peso, dor de cabeça e humor depressivo.

- Implantes hormonais: são anticoncepcionais modernos. Colocados debaixo da pele, sob anestesia local, liberam uma quantidade mínima de hormônio por dia e suspendem a menstruação. A diferença básica é que não ocorre a passagem do hormônio pelo fígado, o que é mais benéfico do que a pílula, que passa pelo fígado na sua metabolização. Como efeitos colaterais pode-se observar aumento da oleosidade da pele e diminuição da libido. Mas a maioria das mulheres não tem efeito colateral nenhum. Em algumas o implante pode ajudar na diminuição da celulite e na perda de peso.

2.10 TRATAMENTO ALTERNATIVO COM ERVAS MEDICINAIS

Apesar de não comprovadas cientificamente, existem também algumas ervas medicinais que são indicadas para o tratamento da TPM (A CURA PELA COMIDA, 2003):

- Cimifuga racemosa: atua no tratamento dos sintomas neurovegetativos relacionados ao climatério, tais como ondas de calor, suores noturnos, nervosismo, dores de cabeça e palpitações cardíacas. Possui efeito semelhante ao estrógeno no organismo. Os compostos responsáveis pela efetividade da cimicifuga são conhecidos como “fitoestrogênios” ou “fitohormônios”.

- Dente-de-leão: nome vulgar de várias espécies pertencentes ao gênero botânico Taraxacum, das quais a mais conhecida é a Taraxacum officinale. Indicada para constipação intestinal, pois é um laxante suave, diurético e auxilia no tratamento de distúrbios menstruais.

- Gengibre: suas propriedades terapêuticas são resultado da ação de várias substâncias, especialmente do óleo essencial que contém canfeno, felandreno, zingibereno e zingerona. Possui ação anti-séptica, anestésica e digestiva, principalmente auxiliando na digestão de alimentos gordurosos.  Popularmente, o chá de gengibre é usado no tratamento contra gripes, tosse e resfriado. Banhos e compressas quentes de gengibre são indicados para aliviar os sintomas de gota, artrite, dores de cabeça e na coluna, além de diminuir a congestão nasal e as cólicas menstruais.

- Óleo de Prímula: fonte de ácidos graxos essenciais, destacando-se o ácido gamalinolênico (GLA). Estas substâncias não são sintetizadas pelo nosso organismo e, por isso, devem fazer parte da nossa alimentação. O óleo é usado para aliviar os sintomas da TPM, redução das dores na artrite reumatóide, tratamento de disfunções na pele, tratamento e prevenção de doenças cardíacas, alergias, esclerose múltipla, depressão e hiperatividade.

- Vitex agnus-castus: utilizado na medicina popular como chá, indicado no tratamento da tensão pré-menstrual, ansiedade e insônia. Como infusão para banhos, alivia os calores e suores típicos da menopausa.

 

2.11 USO DE ALIMENTOS NA CURA DA TENSÃO PRÉ-MENSTRUAL

Segundo Lima (2004), o cálcio pode ajudar a reduzir as oscilações de humor, cólicas abdominais, inchaço e contrações musculares resultantes da TPM; também ajuda a regular as substâncias químicas do cérebro e os hormônios que afetam o humor.

Alimentos ricos em carboidratos complexos podem ser bastante úteis, pois estimulam a produção de serotonina, substância cerebral que regula o humor e o apetite. Os alimentos ricos em carboidratos complexos também regulam os níveis de glicose, que apresentam muitas variações em mulheres durante a TPM.

Mulheres que sofrem de TPM costumam ter níveis baixos de magnésio, o que as predispõem a dor de cabeça durante esse período. Apesar dos resultados muitas vezes contraditórios, alguns estudos mostram que os alimentos ricos em vitamina B6 auxiliam a produção de serotonina e reduzem a ansiedade e a depressão causadas pela TPM. A vitamina B6 também ajuda a aumentar o acúmulo de magnésio nas células. (LIMA, 2004)

Uma das razões de a TPM ser menos comum nos países asiáticos se deve ao alto consumo de alimentos à base de soja nessas regiões. As isoflavonas da soja, como a genisteína (assim como as lignanas da linhaça), são fitoestrógenos que ajudam a equilibrar as oscilações hormonais, reduzindo os altos níveis de estrogênio, que contribuem para a TPM.

Consumir alimentos com alto teor de ácidos graxos ômega-3, como peixes e frutos do mar, pode aliviar as cólicas menstruais ao estimular a produção de prostaglandinas antiinflamatórias. Os ácidos graxos ômega-3 também ajudam a reduzir a depressão, um dos muitos sintomas da TPM. (LIMA, 2004)

Além de adicionar certos nutrientes a sua alimentação para controlar a TPM, evite alguns alimentos que contenham substâncias que possam agravar os sintomas dessa síndrome. Reduzir a ingestão de cafeína e sódio pode ajudar a aliviar significativamente seus sintomas.

Tab. 1 – Recomendações Alimentares

Alimentos

Nutrientes

Benefícios para a saúde

Iogurte-natural-light
Leite desnatado
Tofu

Cálcio

Estudos indicam que este mineral pode ajudar a reduzir os distúrbios de humor, as cólicas e o inchaço resultantes da TPM.

Arroz
Batata
Feijão
Grãos integrais
Nabo

Carboidratos complexos

Ao diminuir a taxa de glicose que entra no sangue, alimentos ricos em carboidratos complexos podem proporcionar sensação de saciedade em mulheres que sofrem de compulsão por comida durante a TPM. Além disso, acredita-se que aumentam os níveis de serotonina no cérebro, auxiliando a estabilizar o humor.

Abacate
Amaranto,
Quinoa,
Sementes-de-girassol

Magnésio

Estudos constataram que as mulheres que sofrem de TPM apresentam baixos níveis de magnésio.

Abacate
Banana
Batata,
Salmão

Vitamina B6

Acredita-se que esta vitamina reduz a ansiedade e a depressão, pois aumenta a produção de serotonina e outras substâncias cerebrais relacionadas ao humor.

Lima, 2004, p.57.

 

2.12 ENDOMETRIOSE

 

2.12.1 Conceito, localização e tipos de endometriose

Segundo Mendonça (1998), endometriose é uma doença que acomete as mulheres em idade reprodutiva e que consiste na presença de endométrio em locais fora do útero. Endométrio é a camada interna do útero que é renovada mensalmente pela menstruação.

Os locais mais comuns da endometriose são: Fundo de Saco de Douglas (atrás do útero), septo reto-vaginal (tecido entre a vagina e o reto), trompas, ovários, superfície do reto, ligamentos do útero, bexiga, e parede da pélvis.

Fig. 3 Locais da endometriose. Fonte: http://www.gineco.com.br/endometriose.htm

Conforme explica Motta  et al (2000), as teorias mais modernas parecem mostrar que existem três tipos de endometriose que podem até ser três doenças diferentes:

- Endometriose Ovariana – caracterizada por cistos ovarianos que contém sangue ou conteúdo achocolatado.

Fig. 4 – endometriose ovariana. Fonte: http://www.gineco.com.br/endometriose.htm

 

- Endometriose Peritoneal - onde os focos existem apenas no peritônio ou na parede pélvica.

Fig. 5 – endometriose peritoneal. Fonte: http://www.gineco.com.br/endometriose.htm

 

- Endometriose Profunda – devido à proximidade entre o útero e o intestino, a endometriose pode invadir áreas adjacentes ao útero conforme se vê na figura. A principal característica desta doença é a dor. Seu tratamento é difícil e, hoje, no Brasil, apenas poucos centros têm condição de fazer a cirurgia deste tipo de endometriose.

Fig. 6 – endometriose profunda. Fonte: http://www.gineco.com.br/endometriose.htm

2.12.2 Sintomas e causas

Os principais sintomas da endometriose são dor e infertilidade. Aproximadamente 20% das mulheres têm apenas dor, 60% têm dor e infertilidade e 20% apenas infertilidade. (MENDONÇA, 1998)

Mendonça (1998) diz que há diversas teorias sobre as causas da endometriose. A principal delas é que, durante a menstruação, células do endométrio, camada interna do útero, sejam enviadas pelas trompas para dentro do abdômen. Há evidências que sugerem ser uma doença genética. Outras sugerem ser uma doença do sistema de defesa. Na realidade sabe-se que as células do endométrio podem ser encontradas no líquido peritoneal em volta do útero em grande parte das mulheres. No entanto apenas algumas mulheres desenvolvem a doença. Estima-se que 6 a 7 % das mulheres tenham endometriose.

 

2.12.3 Diagnóstico

Segundo Motta et al (2000), o diagnóstico de suspeita da endometriose é feito através da história clínica, ultra-som endovaginal especializado, exame ginecológico, e marcadores, exames de laboratório. Atenção especial deve ser dada ao exame de toque, fundamental no diagnóstico da endometriose profunda. Pesquisas do Laboratório Fleury em São Paulo e da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo mostram que o ultra-som endovaginal é o primeiro método para diagnosticar a endometriose. No entanto este ultra-som não é um ultra-som endovaginal normal. Trata-se de um exame especializado que apenas poucos locais estão realizando. O ultra-som endovaginal normal não é a mesma coisa e não substitui este exame.

Fig. 7 – Ultra-som transvaginal. Lesões no reto e sigmóide (setas amarelas) e no ligamento uterossacro esquerdo (setas vermelhas). Fonte: http://www.gineco.com.br/endometriose.htm

Esta pesquisa mostra ainda que após o ultra-som endovaginal pode se realizar a Ressonância Magnética da Pélvis para o diagnóstico da endometriose profunda. Outros serviços, no Brasil, consideram que a ressonância nuclear magnética e também a eco-colonoscopia são úteis para o diagnóstico da endometriose. Todos os especialistas concordam que o exame ginecológico é a melhor maneira de diagnóstico de suspeita da endometriose e que os exames de imagem devem ser feitos de acordo com o que existe de melhor no local.
A certeza, porém, só pode ser dada através do exame anatomopatológico da lesão, ou biópsia. Esta pode ser feita através de cirurgia, laparotomia, ou, preferível, laparoscopia. (MOTTA, et al 2000)

Motta (2000) explica que Laparoscopia é um procedimento de exame e manipulação da cavidade abdominal através de instrumentos de ótica e/ou vídeo bem como de instrumentos cirúrgicos delicados que são introduzidos através de pequenos orifícios no abdome. É um procedimento cirúrgico realizado geralmente com anestesia geral. No entanto, hoje, com evidências clínicas suficientes, os médicos podem instalar tratamentos mesmo sem a laparoscopia.

2.12.4 Tratamento

Segundo coloca Motta et al (2000), o tratamento da endometriose, hoje, depende de uma abordagem sincera entre a paciente e o médico. Após a avaliação cuidadosa de cada caso o médico e a paciente vão resolver juntos o caminho a ser seguido. Especial atenção deve ser dada à paciente que pretende engravidar. Talvez seja necessário seu encaminhamento para um Centro de Reprodução Humana mesmo antes do tratamento da endometriose. Outra principal atenção é a endometriose profunda. Sabe-se que cirurgias muito bem planejadas reduzem significativamente a dor nestes casos, mas estas cirurgias só são feitas em centros especializados. Atualmente não há cura para a endometriose. No entanto a dor e os sintomas dessa doença podem ser diminuídos.

As principais metas do tratamento são:

- Aliviar ou reduzir a dor.

- Diminuir o tamanho dos implantes.

- Reverter ou limitar a progressão da doença.

- Preservar ou restaurar a fertilidade.

- Evitar ou adiar a recorrência da doença.

Mendonça (1998) diz que o tratamento cirúrgico pode ser feito com laparotomia ou laparoscopia. Os implantes de endometriose são destruídos por coagulação a laser, vaporização de alta freqüência, ou bisturi elétrico. A decisão cirúrgica é importante. A maior parte dos sucessos terapêuticos ocorre após uma primeira cirurgia bem planejada. Cirurgias repetidas são desaconselhadas, pois aumentam a chance de aderências peritoneais tão prejudiciais como a própria doença.

O tratamento clínico de formas brandas em mulheres que não pretendem engravidar pode ser feito com anticoncepcionais orais ou injetáveis. Há um certo consenso entre os estudiosos que o pior a fazer é não fazer nada já que a doença pode ser evolutiva. Em mulheres que pretendem engravidar o tratamento pode ser feito com cirurgia e tratamento hormonal ou tratamento hormonal e depois cirurgia. No entanto, trabalhos atuais, mostram que em mulheres com endometriose e que não conseguem engravidar a melhor alternativa é a Fertilização in vitro e que a presença de endometriose não afeta as taxas de gravidez quando este método é escolhido. (MOTTA et al, 2000).

Tab. 2 – Medicamentos e Efeitos colaterais

 

MEDICAMENTO

EFEITOS COLATERAIS

Contraceptivos orais combinados (estrogênio-progestina) Distensão abdominal, mastalgia (dor nas mamas), aumento do apetite, edema (inchaço) dos tornozelos, náusea, sangramento ente as menstruações, trombose venosa profunda
Progestinas Sangramento entre as menstruações, alterações do humor, depressão, vaginite atrófica
Danazol Ganho de peso, acne, voz mais grave, hirsutismo (aumento da pilificação), fogachos, ressecamento vaginal, edema dos tornozelos, câimbras musculares, sangramento entre as menstruações, redução do volume das mamas, alteração do humor, disfunção hepática, síndrome do túnel do carpo, efeitos adversos sobre os lipídeos
Agonistas do GnRH Fogachos, ressecamento vaginal, perda de cálcio dos ossos, alterações do humor

Motta et al, 2000

O mais importante no tratamento da endometriose é o planejamento das ações terapêuticas em comum acordo com o planejamento da gravidez pelo casal. Em casos muito severos a gravidez só será possível através de técnicas de fertilização assistida e inseminação artificial.

Muitas são as pesquisas sobre o tema, com alguns avanços que levam a prognósticos mais animadores e até mesmo próximos da cura.


3 – CONCLUSÃO

A Tensão Pré-Menstrual (TPM) caracteriza-se por uma série de distúrbios que acometem a mulher num período anterior a menstruação. Conforme foi observado com este estudo a TPM não se caracteriza como uma doença, e sim como alterações físicas e/ou psicológicas que desaparecem logo após a menstruação.

As causas são ainda desconhecidas, mas existem indícios de que sejam hormonais, isto é, alterações hormonais sofridas pela mulher que causam uma série de desconfortos maiores ou menores, variando de organismo para organismo. Não é uma regra, portanto, existem mulheres que não sentem nada de anormal, mas, a grande maioria sente algum tipo de alteração física ou mesmo de humor.

Os sintomas da TPM são bastante variados, entretanto, observou-se na literatura que todas as mulheres que sofrem com a TPM, têm seu humor alterado, apresentam-se irritadas e muito sensíveis, com constantes episódios de choro sem motivo aparente. Tem mulheres que sentem muita dor de cabeça e cólicas, necessitando de acompanhamento médico. Outras não sentem alterações físicas, mas mudam completamente seu nível de tolerância no lidar com outras pessoas, irritam-se facilmente, mostram-se entediadas e sempre cansadas.

Apesar de muito se discutir sobre a TPM nada se sabe de concreto sobre ela, são alterações diversas que atingem uma grande quantidade de mulheres e muitas vezes surgem de repente e desaparecem do mesmo jeito. Entretanto, estudos mostram que alguns procedimentos adotados diminuem os efeitos da TPM, proporcionando uma melhor qualidade de vida para a mulher.

Não existe um tratamento específico, o que se faz é a ingestão de alguns analgésicos para controlar as cólicas, as dores de cabeça e, em algumas situações, a reposição hormonal com contraceptivos e outros hormônios de reposição. Entretanto, observou-se que alguns procedimentos podem ser adotados para melhorar os desconfortos, como por exemplo: a prática de exercícios, a retirada de alguns alimentos e a introdução de outros mais saudáveis, que oferecem cálcio, magnésio e outros.

Existem ainda os medicamentos alternativos, feitos com diversas ervas medicinais, ministrados na forma de chá ou até mesmo em forma de compressa nos lugares de maior dor, em gera no abdômen.

Fazendo uma pesquisa mais aprofundada, observou-se em alguns estudos existe uma certa relação com a endometriose, pois existem suspeitas que durante a menstruação algumas células da camada interna do útero sejam enviadas pelas trompas para dentro do abdômen, muitas células do endométrio são encontradas no líquido peritoneal, mas nem todas as mulheres adoecem. Acredita-se ser uma doença do sistema de defesa, mas outros a vêem como uma doença genética. Registra-se apenas que sua ocorrência é em função de alterações físicas causadas pela menstruação.


REFERÊNCIAS

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