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Monografia “COMUNICAÇÃO E CONSUMO: O DISCURSO DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL NA MÍDIA”

 

Esta obra possui autoria plena, sendo permitido seu uso educacional unicamente como referêncial teórico desde que fornecidos os devidos créditos ao seu mentor intelectual.

AUTOR: ARANDA, L. E. G. C.

ANO: 2008

INTRODUÇÃO

            A comunicação, em sua mais simplória forma, elegeu-se como um dos principais facilitadores para a evolução humana, consistindo em franco fator para as formações sociais e progressões científicas, econômicas, financeiras, tecnológicas e tantas outras que compõem o contexto hodierno onde a coletividade encontra-se inserida.

Comunicação, em sua acepção mais literal, faz menção à propagação, à exposição pública, ou privada de informações, dados, recomendações, orientações, experiências, conhecimentos, doutrinas, teorias, atualidades, aconselhamentos, conteúdos, ou qualquer outra forma de produção material/intelectual humana. Constitui-se, portanto, condutor basilar para as relações do homem com tudo que o circunda.

Sendo assim, pode-se estabelecer que através de processos comunicativos é que as sociedades articulam suas estruturas, convenções, regras e normas de vivência coletiva, preceitos tão pregados e disseminados no mundo todo.

A mídia, que efetua diálogo entre os meios de comunicação em massa e o indivíduo, teve sua expansão agregada à própria necessidade de unção tempo-espacial humana, traduzida em disseminação veloz e capaz de atravessar grandes distâncias. Baseando-se nisso, tecnologias multifacetadas foram construídas ao longo do tempo para congregar indivíduos, nos mais remotos cantos do mundo, para que estes pudessem conectar-se através da informação clara e objetiva dos fatos, ocorrências, atualidades e premências globais.

Apresentando características tendenciosamente capitalistas, a mídia contemporânea, também muito se acopla aos moldes monetários e sustentados essencialmente nos interesses mercadológicos de expansão econômica planetária. Tal caracterização, entretanto, não quer dizer que as formas e canais midiáticos não se prestem a questões de interesse sócio-ambiental, pelo contrário, observa-se, com efeito, um compilado de debates que gira em torno de questões notoriamente relevantes à preservação humana para presentes e futuras gerações.

A temática ambiental, nesses termos, invade os processos e realizações midiáticas, acompanhada de discursos e militâncias em favor da defesa ambiental e do desenvolvimento sustentável – urgências mundialmente estabelecidas.

Oriundas de cúpulas governamentais, iniciativas populares e organizacionais, as expressões midiáticas muito tem servido como coadjuvantes no processo de reorganização das prioridades ambientais contemporâneas, evidenciando tanto os ditames internacionais concernentes ao desenvolvimento sustentável necessário para continuidades ambientais interessantes ao presente e ao futuro das nações; quanto os perfis populares e empresariais direcionados nesse sentido. Servindo também como grande ponto de exposição para os delitos ambientais e atividades de preservação e recomposição da natureza, a mídia hodierna apresenta um discurso dialógico entre o que é recomendável e absolutamente contra-indicado no trato do meio ambiente. Constitui-se, portanto, questão de interesse público, não somente para conhecimento generalizado, mas assunto interessante para aprofundamento acadêmico e científico.

A presente pesquisa se justifica na medida em que lança olhar aprofundado, analítico, apreciativo e crítico acerca da relação entre comunicação, consumo, desenvolvimento sustentável; e a intervenção midiática para conexão entre tais itens, em prol, efetivamente, do agasalhamento e resguardo ambiental, elementos tão imprescindíveis para a conservação da vida humana em presentes e futuras gerações no planeta.

CAPÍTULO I – UM BREVE PRÓLOGO ACERCA DA COMUNICAÇÃO HUMANA E SUA INCLINAÇÃO SIMPATIZANTE AO CONSUMO: ANTIGAS CONVERGÊNCIAS, NOVAS APLICAÇÕES E IDEAIS

“Etimologicamente, a palavra comunicação evoluiu do verbo latino ‘comunicare’ (comunicar), que significa tornar comum bens materiais, espirituais ou afetivos, como se fosse uma partilha. Mais tarde o conceito evoluiu para a ação ou atitude de entrar em relação com alguém, realçando os laços entre os indivíduos através da palavra. Nos dias de hoje, comunicar deixou de se limitar à palavra, passando para o gesto, para o corpo, para o sinal, para técnicas como a publicidade, as relações públicas ou mesmo as estradas (quando se fala em vias de comunicação). Atualmente, a palavra está tão banalizada que qualquer coisa que façamos para transmitir uma passagem do individual ao coletivo é comunicar.”

(Moutinho, 2000, p. 1)

Desde a fundamentação dos primeiros grupamentos humanos, em épocas primitivas, o fator comunicação se fixou como premência basilar tanto para a sobrevivência coletiva, quanto para o aprimoramento das relações inter e intrapessoais. Instintivamente, o homem passou a insculpir meios tendenciosamente verbais, para interagir com seus contíguos, parceiros e até mesmo junto à natureza circundante.

Atividades de pesca, caça, reunião entre semelhantes, comemorações e festejos pela sorte contraída nas caçadas que faziam abastar de alimentos os grupos, urgiam por formas de troca entre os indivíduos, isto é, por meios de comunicar e manifestar sentimentos, informações, ensinamentos, sugestões, recomendações, novidades, dentre tantos outros traços e facetas da vida cotidiana.

Nesses termos, não somente a comunicação verbal se elencava como majoritária para a disseminação generalizada de fatos e proposições, sendo utilizadas com freqüência, outras modalidades comunicativas em forma de sinais, inscritos, desenhos, pictografias, gestos, sons variados, esculturas e todo tipo de produção humana que visava transmitir alguma mensagem significativa.

O homem primitivo lançava suas matrizes de forma prosaica no sentindo de delinear historicamente o que viria a ser o traçado da comunicação, como modernamente conhecida. Mas tão somente propunha-se a tornar usual aquela que lhe cabia momentaneamente, ao estar absolutamente afastado de qualquer sinal de evolução ou tecnologia.

As atividades aplicadas de formalização da linguagem (oral, escrita, gestual, sonora, etc.) somente vieram a tornar-se campos de atenção para a humanidade tempos depois, quando dos efetivos esforços no sentido de estruturação social/coletiva.

De acordo com Bussab e Ribeiro (1998):

“… o homem se distingue dos demais seres vivos do planeta pelo seu modo de vida cultural altamente especializado, caracterizado pela transmissão de informações de geração a geração via experiência, e pelo uso da linguagem e de outras representações simbólicas. O contexto cultural permite uma acumulação de informações dentro do grupo, que se refletem em crenças, práticas e rituais. As formas de transmissão social variam desde mera exposição facilitadora de certos desempenhos a modelos mais experientes até instruções formais dirigidas. Entre outras coisas, a cultura dispensa o indivíduo de aprender por ensaio, tudo de novo, a cada geração, ao mesmo tempo em que permite a adição de novas aprendizagens decorrentes das experiências de cada um. Este arranjo parece possibilitar o ajustamento a uma grande variedade de desafios do meio, como a própria história da humanidade pode atestar.

(Bussab & Ribeiro, 1998, p. 1)

Sendo assim, sob ótica historiográfica, pode-se salientar que já no seio de antigas civilizações como a grega e a romana, conhecidas pela influência incisiva nos contornos das sociedades ocidentais; a comunicação humana era cultuada como meio e norteador para o relacionamento global do indivíduo com seu meio. Atrelada ao pensamento, à moral, os preceitos desejáveis para o convício social, a comunicação era evidenciada como patamar e sustentáculo para o bem-viver, tanto em nível individual (do homem consigo mesmo), quanto coletivo (do indivíduo para com seus semelhantes).

Comunicar, em sua essência mais tênue, representa, notadamente, a forma de contato mais íntimo entre os indivíduos de uma mesma espécie, sendo o ser humano maior privilegiado com a prática, tendo em vista que sua imperiosidade sobre as outras espécies o faz dominante no mundo em que habita. Comunicar, em compleição, significa expressar, disseminar, perpetuar, informar, fornecer dados, tornar fatos ou hipóteses públicos, conduzir situações, contornar conflitos, anunciar, enfim, avançar, nos mais variados ramos de intervenção humana.

Factualmente, o homem não tomaria o vulto, a notoriedade, a imperiosidade que alcançou ao longo de sua evolução, se não tivesse criado e recriado a comunicação e suas formas variadas, facilitadas, hodiernamente, pelos inúmeros canais criados.

A comunicação, enquanto faculdade primordial para a humanidade se prestou e permanece se prestando a inúmeras aplicações. A Educação é objeto evidenciado da comunicação, na passagem e disseminação do conhecimento. A ciência, e sua premente evolução fez uso minucioso da comunicação para desenvolver-se e apresentar os surpreendentes resultados insculpidos nos contextos contemporâneos. A política, em sua articulação contínua lançou sustentáculos na comunicação para sua estrutura, inovando na arte da retórica de forma definitiva. E economia, em sua acepção literal construiu-se segmentadamente com base na comunicação para articular os processos produtivos e atividades mercantis de outrora, que hoje, evoluíram às operações eletrônicas. A saúde, contemporâneo elemento de cuidados e medidas preventivas, lançou mão da comunicação para disseminar ao mundo e aos cidadãos das grandes metrópoles como efetuar manutenção salutar de suas condições de vivência e longevidade. E poderia listar-se muito mais, observando-se que a comunicação consiste em entidade humana das mais absolutamente essenciais para a sobrevivência das espécies e evolução generalizada do mundo.

Não mais importante que outras formas de comunicação humana, mas eleita com uma das mais evidentes em escalão de usabilidade pelo cidadão (clássico ou moderno), a comunicação escrita (grafada) pode ser citada como um dos mais importantes feitos para a evolução global que hoje alcança níveis altamente avançados. Depois da criação dos papiros e dos contos escritos (que tem Les Mille et Une Nuits, de origem árabe no século IX. d. C.) como preconizadores, o advento do livro por fim popularizou a leitura e a escrita como elemento comum e extremamente necessário ao desenvolvimento do indivíduo, globalmente. Sobre tal advento, Dias (1999) acresce que:

“Em meados do século XV, Gutenberg inventou a imprensa e a tipografia. A Bíblia de Gutenberg é considerada a primeira publicação impressa. Passamos da era dos manuscritos para a era do papel impresso. A comunicação escrita e o modo de transmissão dos textos sofreram profundas mudanças com a imprensa. A quantidade de livros e cópias produzidos aumentou significativamente, e o leitor passou a ter maior acesso a teorias e conhecimentos, antes restritos aos mestres encarregados de interpretar os manuscritos e repassar seu conteúdo aos discípulos. A leitura e a interpretação adquiriram um caráter mais individualizado, e as obras começaram a incluir representações gráficas mais precisas, tais como tabelas, desenhos, mapas etc.”

(Dias, 1999, p. 270)

Tais fatos representaram progressões importantíssimas para o intelecto humano, fazendo instituir um exercício contínuo em prol do conhecimento, extremamente essencial para que pudesse o homem, continuar uma caminhada em prol da descoberta e do sobrepujo sobre seus obstáculos e limitações.

A comunicação, sinteticamente concebida, foi a maior permissionária para que pudesse o ser humano tanger os patamares multifacetados e minuciosamente avançados que galgou contemporaneamente.

Mas, para que pudesse chegar ao ápice conhecido hodiernamente, o homem precisou, também de forma primordial, estabelecer processos sincopados de uma cadeia produtiva que em essência, pudesse provocar empuxo e movimentação de capital, que uma vez distribuído e circulante, estivesse à disposição para suas aplicações em benefício coletivo e social. Isto é, para avançar, descobrir, navegar novos mares do conhecimento, ciência e civilidade, o homem necessitou comunicar-se para estabelecer produção e circulação de bens e serviços – matéria de pertinente mergulho e observação para entendimento das relações entre consumo e comunicação.

1.1. A comunicação e sua interseção com o consumo e estruturação da cadeia produtiva: dos primórdios aos dias atuais

“A comunicação faz parte do homem desde os primórdios da existência humana. Através de gestos, desenhos ou sons o homem sempre buscou a melhor forma de se expressar. Como se sabe, a cada dia as pessoas vão aprimorando as diversas formas de se comunicarem, que ocorrem muitas vezes junto com a evolução dos seus corpos e mentes. Com o desenvolvimento da comunicação veio o aprimoramento da retórica, fenômeno estudado por Aristóteles. Sendo a retórica uma técnica usada pelo homem para alcançar os seus objetivos através de convencer o outro quanto à opinião, teoria, lei dita, a propaganda se utiliza da mesma para convencer o público-alvo dos benefícios do produto que ela está anunciando.”

(Brito & Rodrigues, 2007, p. 4)

Desde o início dos grupos humanos mais aprimorados, quando a produção de bens e serviços dotada de melhores condições e técnicas, passou a ocorrer de forma sobressalente às necessidades particulares do indivíduo ou nicho produtor, tendenciosamente eclodiram as iniciais operações de troca, barganha e o advento da moeda – o que, com efeito, suscitou grande incremento às atividades de compra e venda.

Pequenos vilarejos e aglomerações populacionais começaram a se formar, cada qual recheada de cidadãos que, com uso particular de suas habilidades peculiares, produzia diferentes mercadorias e produtos, os quais, exacerbando as necessidades periódicas do produtor, começaram a tornar-se objeto de desejo por parte de outros indivíduos. Germinavam efetivamente, as práticas de compra e venda, com pequenas circulações de capital.

Com a expansão dos espaços urbanos e a estruturação das pequenas cidades, instituiu-se o comércio propriamente dito, baseado, majoritariamente na comunicação como meio para anúncio e promoção de produtos e mercadorias a serem comercializados.

Os primeiros comerciantes, para majorar suas vendas, e absolutamente distantes das modernas técnicas de marketing, publicidade, design gráfico, dentre outros, buscavam lançar mão dos elementos que tinham domínio, ou seja, a voz, a escrita, os desenhos e a própria credibilidade tangida, quando recebiam recomendações de clientes, para que outros experimentassem o produto à venda.

A comunicação para o consumo já esboçava suas matrizes mais diretamente talhadas e direcionadas na Idade Média, e, até mesmo no pensamento clássico já faziam parte da filosofia mensurada por ilustres ícones, como Aristóteles, que, mencionado no texto de Lima e Coimet (1998):

“A retórica não entra no mérito do que está sendo dito, mas entra na forma de como algo está sendo dito e esta deve ser de modo eficiente. Esta eficiência implica domínio de processo, de formas, instâncias, modos de argumentar.”

(Aristóteles in Lima & Coimet, 1988, p. 23)

Nesses termos, a prática comunicativa em prol do consumo de itens, produtos, serviços e mercadorias; representa dicotomia presente junto ao homem desde seus mais remotos tempos.

A comunicação empregada para o incentivo do consumo representa uma das mais inteligentes aplicações humanas, tendo em vista que o uso de discursos visuais, sonoros e grafados, efetivamente salta aos sentidos do cidadão, fazendo nascer o desejo; seguido pela necessidade e desembocando na compra, que em suas formas múltiplas faz crescer as estruturas dos produtores e de toda a cadeia produtiva, que se move em sentido rotatório – quanto mais vendas, mais ofertas, mais cargos, mais salários; que conseqüentemente produzirão mais vendas.

Obviamente, com o advento de antes inimagináveis formas tecnológicas, como a TV, o computador, a Internet, o rádio, todo o processo de comunicação em prol do consumo estruturava-se em formato quase que artesanal, e até mesmo precário, se comparado com os dias atuais. Já o florescer da tipografia, em termos oficiais com Johann Gutenberg, no século XV representou salto memorável para a comunicação dedicada ao consumo generalizado, seja em termos de movimentação econômica ou mesmo para expansão cultural da humanidade.

Hodiernamente, período intitulado como impregnado pela “sociedade da informação” a concepção, formatos e meios de propagação do fato, da conjectura, do dado, da hipótese, da promoção, do produto, dos acontecimentos; ou seja, a comunicação como um todo, distancia-se daquela praticada em outrora. Velocidade e falibilidade são atribuições comuns ao panorama hodierno, submerso também na diversidade e na criatividade. Giannasi (1999) menciona que:

“A definição mais comum de Sociedade da Informação enfatiza as inovações tecnológicas. A idéia-chave é que os avanços no processamento, recuperação e transmissão da informação permitiram aplicação das tecnologias de informação em todos os cantos da sociedade, devido à redução dos custos dos computadores, seu aumento prodigioso de capacidade de memória, e sua aplicação em todo e qualquer lugar, a partir da convergência e imbricação da computação e das telecomunicações.”

(Giannasi, 1999, p. 21)

Hoje, a comunicação, em seu âmbito mais amplo miscigena-se com os elementos tecnológicos disponíveis e freqüentes nos cotidianos dos cidadãos, tanto nas grandes metrópoles quanto nos cantos mais remotos do planeta.

De forma epidêmica, a comunicação é empregada para incitação do consumo, do pertencimento, do acompanhamento de modismos, práticas coletivas, produtos e serviços que atrelam certos ‘status’ para aquele que os consome. Deflagra-se assim, um contexto onde a comunicação é vislumbrada como maravilha contemporânea sem precedentes, mas tem como contrapartida, opositores que pregam sua influência como malefício poderoso, que age contra o indivíduo quando o obriga a estilizar-se contra sua própria essência, tão somente para galgar um pertencimento que por vezes é absolutamente utópico e irreal.

Debates humanísticos e sociológicos, econômicos e financeiros formam verdadeiros embates para definir qual a verdadeira essência da comunicação hodierna: se é uma dádiva, ou um mal irremediável.

É fato que a comunicação empregada para o consumo sadio, ou seja, aquele que faz movimentar a cadeia produtiva, gerando empregos, salários, meios de subsistência para o homem é absolutamente necessária e essencial para a sanidade do mundo inteiro. É notório também, que a tão mencionada “comunicação para o consumo” não apresenta tão somente facetas prejudiciais quando motiva e instrui indivíduos para práticas e atividades salutares; tanto para si, quanto para o seio coletivo, e para o planeta, em seus clamantes aspectos naturais, destruídos aos turbilhões.

Tais ponderações, no entanto, mais fazem entroncar os debates (já inflamados) e acirrar ânimos das partes envolvidas. O que se sabe, factualmente, é que a comunicação, elemento presente globalmente em todos os mais recuados cantos do planeta, com velocidade e substituição constantes, tem múltiplas aplicações, sendo algumas delas, eticamente criticáveis, enquanto outras, admiravelmente louváveis.

1.2. As estereotipias da comunicação: entre as maravilhas e malefícios dos meios comunicativos modernos

“… percebemos que a escolha de um consumidor por um determinado produto pode estar baseada em argumentos pontuais ou emocionais, e que um não invalida o outro na decisão de compra. É possível observar que uma vez que as emoções participam no processo de decisão do consumidor, vemos que é extremamente importante uma análise mais focada na relação entre atitudes e emoções, pois freqüentemente as atitudes são vistas como “respostas afetivas” e “afeto positivo” ou simplesmente como “avaliações” ou “julgamentos”. Entretanto, a atitude não é uma emoção, mas um julgamento do quanto um consumidor é favorável a um determinado objeto, que pode ser representado por um produto ou marca.”

(Iorio, 2004, p. 33)

Estando a comunicação, como realizada em tempos hodiernos, extremamente interligada com o processo de consumo que faz girar os processos produtivos e a própria economia mundial como um todo, é absolutamente palpável verificar que também obedece aos interesses comerciais, muitas vezes subjugando outros fatores envolvidos e condizentes com o bem-estar dos indivíduos, suas reais e verdadeiras necessidades, anseios, desejos, aspirações.

A comunicação de massa, contemporaneamente, é norteada por princípios mistos, que não somente discorrem sobre conscientizações, clamores sociais, naturais e voltados à manutenção das relações entre cidadãos e meio circundante; mas incidem com freqüência sobre interesses organizacionais, financeiros e absolutamente atrelados à movimentação de capital – máxima um tanto o quanto contraditória, tendo em vista que auxilia na circulação de espécie e saneamento do fluxo de numerário mundialmente estabelecido.

Um elenco multifacetado de canais, formas, modos e veículos de comunicação auxilia nessa intermitência de informações, concepções, ideologias e incentivos ao consumo de infindáveis itens, que supostamente “são essenciais à vida das pessoas”. Televisão, rádio, Internet, comunicação visual espalhada pelos centros urbanos, jornais, revistas, reclames absolutamente criativos e irrestritamente sedutores bombardeiam os cotidianos da grande maioria dos habitantes do planeta, independente de sua localização geográfica.

Estereotipias são incutidas, filosofias pregadas, idéias são insufladas aos cântaros, e novamente frisando, podendo ser classificadas como positivas ou extremamente ilusórias, preconceituosas, elitistas, superficiais. Posições e visões de vida e de mundo são baseadas nesse tipo de comunicação, muitas vezes resultando em formação de cidadãos conscientes, solidários, atentos às necessidades coletivas e ambientais. A contrapartida, porém, existe de forma maciça, quando da estruturação de indivíduos alheios, mecanizados, consumistas, superficiais, distribuídos nas mais diversas camadas populacionais que se tem conhecimento.

Uma sociedade do consumo, vigorante e quase que literalmente incutida se perpetua por entre as mais diferentes nações do globo, articulada em esquema onde o poder aquisitivo confere status (dotado de consciência ou de certo descaso com tudo ao redor), proeminência, superioridade, jugo e hierarquia – que pode consumir tem privilégios, quem não pode, corre o risco de ficar à margem da sociedade. Iorio (2004) assevera:

“… o dinheiro passa a ser sinal de poder e é, antes de tudo, motivo de auto-estima, no qual todos os obstáculos da vida podem ser superados. É como um resgate da impotência e da finitude, no qual a posse e bens conferem ao indivíduo qualidades, tornando-o incomum, diferenciado e até sofisticado e complexo.O dinheiro através do consumo tem o poder de acalmar as angústias, reparar culpas, justificar narcisismo exagerado, despertar inveja nos outros, tornando o indivíduo vencedor perante seus rivais. Segundo estatísticas recentes, entre 1960 e 2000, o consumo privado passou de US$ 4.8 tri para US$ 20 tri.”

(Iorio, 2004, p. 36)

Com base nos postulados de Iorio (2004), algumas perguntas não se deixam calar: de que forma, como, quando e onde essa ideologia do consumo, poder e superioridade, se forma nas mentes humanas? Da mesma forma que prevê malefícios à organização sócio-cultural das pessoas, tal ideologia pode ser transmutada para vertentes positivas? Como aplacar as disparidades sociais asseveradas pelo ideal de consumo exacerbado, que muitas vezes dissemina a segregação e a discriminação?

Em primeiro lugar, convém mencionar que a comunicação moderna, quase tão veloz e seqüencial quanto o pensamento humano, é irradiada por meios comuns à grande maioria dos cidadãos viventes no planeta Terra: televisão, rádio, computador, anúncios distribuídos ao espaço público, jornais e periódicos. Tem, factualmente, influência intensa e decisiva quando no decorrer da exposição dos indivíduos à sua sedução constante, materializada em imagens, sons, modelos de vigor, prazer, virilidade, poder, soberania, pertencimento. Realiza, de forma pontual, a disseminação de modelagens e estereótipos a serem seguidos, em detrimento da essência individual de cada ser, em seus talhes íntimos e valores pessoais. Jesus (2006), em compleição coloca:

“A expansão e desenvolvimento sistemático dos meios de comunicação de massa nas quatro últimas décadas do século XX e, particularmente, dos meios técnicos de produção e difusão de imagens, repercutiram de forma contundente na sociedade. Neste contexto, a imagem assume um sentido muito especial no universo midático, pois capta aspectos da realidade, constrói simulacros desta, e os devolve à sociedade sob a forma de espetáculo. Em vista disto, podemos atentar para um fenômeno evidente e atual que se traduz na imagem enquanto mercadoria. Sobretudo buscamos compreender a relação entre a imagem e sua utilização a serviço de uma ideologia que visa promover a mercadoria como espetáculo.”

(Jesus, 2006, p. 2)

Sendo assim, a comunicação aplicada ao consumo capta as necessidades, fragilidades, inseguranças, anseios, sonhos dos indivíduos, simulando estados eufóricos, majoritários, atrelados ao poder e ao sucesso como formas materializáveis através de um ou outro produto. Eis o princípio, meio e fim nas minúcias e intenções da tão mencionada “sociedade do espetáculo”. Progressões de vida, de imagem e de visão social são vendidas como verdadeiras fórmulas da felicidade e da resolução generalizada de conflitos existenciais e pessoais em confronto com uma coletividade cada vez mais seletiva e discriminatória. E essa, indiscutivelmente, é a faceta maléfica da comunicação aplicada ao consumo contemporaneamente. Essa, talvez seja a erva daninha, prejudicial e necessária para o pertencimento nas sociedades estabelecidas hodiernamente.

Não se pode afirmar, porém, que os avessos não existam. Sim, eles saltam de forma intermitente ao olhar dos cidadãos em esboços, ora bem sucedidos, ora ignorados para mostrar realidades certamente pouco observadas e extremamente carentes de atenção e zelo. Formam frentes de batalha para a defesa de caracteres pouco enfatizados, mas absolutamente relevantes para a vivência coletiva, tais quais: o combate à discriminação, a solidariedade, a compaixão, a afabilidade, o respeito, a harmonia, processos facilitados, por intermédio da comunicação em prol do bom consumo e da conscientização popular sobre vários aspectos relevantes. Sabino (2007) pondera que:

“A comunicação, quando utilizada como ferramenta capaz de articular saberes e estimular processos cognitivos na sociedade, auxilia a tomada de consciência da mesma. Este percurso tornaria possível modificar ações em busca de alternativas de existência, fazendo com que homens e mulheres redescobrissem suas funções e sua importância para a construção de uma sociedade mais justa e harmônica.”

(Sabino, 2007, p. 15)

Sob tal ótica, é possível, além de vislumbrar uma faceta menos cruel da sociedade da informação e do consumo, enxergar luz no fim do túnel. Constata-se que ainda há esperança e possibilidades de modificação da dita “comunicação para o consumo” em uma ferramenta importante, não somente voltada à movimentação econômico-financeira mundial, mas para melhoria generalizada nos níveis de consciência e posicionamento correto dos indivíduos defronte às mais diferentes hipóteses e situações.

Questões relacionais, fundamentadas nos periféricos das diferentes formações coletivas contemporâneas e questões de cunho ambiental, comuns enquanto crescentes preocupações internacionais são estratégicos pontos a serem estimulados e massageados pela comunicação hodierna, com seus multifacetados canais instituídos. Podem, factualmente, dar mostras de que os processos velozes, criativos, estimulantes, da comunicação possibilitada pela modernidade atual não consistem apenas em corrosivos germes a corroer a humanidade.

Não que tal questão seja indubitavelmente relevante, e não que se esteja à prova estruturar contestação àqueles que criticam a comunicação e seus meios como venenos do mundo contemporâneo. Sem dúvida, levantar bandeiras e militâncias, ao menos nesse caso, torna-se minúsculo defronte aquilo que se pode fazer de positivo através da comunicação, da mídia e dos meios de informação em massa. O ponto de equilíbrio aqui, reside em realizar: ponderações, conscientizações, modificações salutares ao mundo e aos cidadãos, formações adequadas de pessoas e mentalidades, exercício de bons modos e atitudes, estímulo à virtudes e preceitos morais, evidenciação de valores quase que esquecidos, mas essenciais à perpetuação das espécies e do mundo em que habita o enigmático e complexo ser humano.

O resguardo ambiental, matéria intermitentemente revisitada atualmente, constitui campo de relevante observância e especial atenção aos meios de comunicação, representando aspecto de evidente clamor e providencial debruce, especialmente em correlação íntima com o volume de consumo tangido pela humanidade nas últimas décadas. Convém, nesse sentido, um exame minucioso das formas e maneiras como a produção e disseminação da informação pode intervir e incentivar estratégias de desenvolvimento sustentável, tão salutar ao ser humano e ao planeta.

CAPÍTULO II – A QUESTÃO DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E SUA RELEVÂNCIA PARA O FUTURO DO PLANETA, EM CONEXÃO COM A ABORDAGEM MIDIÁTICA AGREGADA: CONTEMPORANEIDADES E CONVERGÊNCIAS

“Desenvolvimento sustentável refere-se à capacidade de produtores e fabricantes satisfazerem as necessidades de produtos atuais ao mesmo tempo em que preserva a capacidade de atender essas necessidades no futuro. Concretamente, o seu objetivo é reduzir a taxa em que os recursos naturais são utilizados, reduzir a quantidade de poluição criada, e proporcionar produtos suficientes, como alimentos, de forma a satisfazer as necessidades da população. O conceito de desenvolvimento sustentável reconhece a natureza interdependente da economia, ambiente e sociedade. O resultado é que algumas iniciativas do desenvolvimento sustentável estão sendo levadas a cabo por todos os setores da sociedade, incluindo os consumidores, o governo e a indústria.”

(Guimarães, Gama Filho & Correia, 2008, p. 3)

Desenvolvimento sustentável, expressão de colóquio freqüentemente visitado na atualidade, não reflete sua criação recente, pelo contrário, consigna mensuração já oriunda da década de 70, entretanto ganhando força contemporaneamente quando do efetivo escasseamento de recursos naturais, outrora presentes de forma farta e tida como infindável no planeta.

Já nos idos de 1962, Rachel Carson ao editar a obra “Silent Spring” lançou a noção de correlação entre desenvolvimento humano e meio ambiente, atentando para o fato de que os ambientes naturais não poderiam permanecer em contínuo processo de percepção dos poluentes e dejetos resultantes da atividade produtiva, sem seu adoecimento literal.

Na década de 80, outro ícone textual reforçou os apontamentos supra mencionados dando prosseguimento aos debates sobre a exploração e degradação ambiental como formas letais de ataque ao meio ambiente. “Our Common Future”, conhecido também como “Relatório Bruntland” levantou a bandeira de uma nova forma relacional entre homem e meio ambiente, assinalando o conceito de desenvolvimento sustentável como um dos mais relevantes meios de continuidade dos recursos naturais defronte à incisiva atuação humana.

No ano de 1992, quando do advento da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, realizada no Brasil (Rio de Janeiro), foram discutidos os correntes problemas de ordem ambiental, tendenciosamente incidentes em virtude da má manipulação humana, seus descasos e imperícias no resguardo dos ambientes e espécies. Também conhecida como “Cimeira da Terra”, a mencionada convenção trabalhou em favor do instituto de metas correlacionadas aos desafios do século vindouro, insculpindo acordos sobre questões imperativas, como o desmatamento florestal e as alterações climáticas.

Lançando sustentáculos na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente de 1992, novamente líderes mundiais estabeleceram encontro em Kyoto, no Japão, em 1997, ocasião em que 160 nações foram unânimes no instituto de um tratado global, denominado Protocolo de Kyoto, versando sobre a poluição oriunda da emissão de gases tóxicos, agregados, por sua vez, ao efeito estufa.

Ao entrar em vigor, em 2005, o Protocolo de Kyoto constitui-se grande ferramenta para uma tentativa maciça de maior resguardo do planeta contra a ação predatória humana e seu processo produtivo e evolutivo, regado à excessiva emissão de gases poluentes que asseveram o efeito estufa e suas correlatas alterações climáticas, vertentes, com freqüência, em estrondosos desastres naturais. Apesar da retirada dos EUA do mencionado tratado, o que de forma notória reiterou ser o capital, ente mais importante em determinadas sociedades contemporâneas, a despeito da saúde e sanidade do planeta; o Protocolo de Kyoto vem a representar uma das maiores ações internacionais, no sentido de resguardo e reversão dos danos ambientais causados por séculos de intervenção humana predatória.

Sendo assim, e correntes os debates e acontecimentos evidenciando o tipo de tratamento e de relação entre o ser humano e o meio ambiente, a expressão desenvolvimento sustentável torna-se cada vez mais popular, ainda que não conhecida em suas minúcias e processos efetivos de materialização; entendimentos, portanto, absolutamente necessários para sua consagração efetiva e conseqüente recomposição ambiental tão essencial à perpetuação do homem e dos recursos naturais do planeta.

2.1. Desenvolvimento sustentável: conceituação e formas de materialização

“… o desenvolvimento depende da cultura, na medida em que ele implica a invenção de um projeto. Este não pode se limitar unicamente aos aspectos sociais e sua base econômica, ignorando as relações complexas entre o porvir das sociedades humanas e a evolução da biosfera ; na realidade, estamos na presença de uma co-evolução entre dois sistemas que se regem por escalas de tempo e escalas espaciais distintas. A sustentabilidade no tempo das civilizações humanas vai depender da sua capacidade de se submeter aos preceitos de prudência ecológica e de fazer um bom uso da natureza. É por isso que falamos em desenvolvimento sustentável. A rigor, a adjetivação deveria ser desdobrada em socialmente includente, ambientalmente sustentável e economicamente sustentado no tempo.

(Sachs, 2004, p. 214)

A priori, uma das mais cabíveis definições da expressão “desenvolvimento sustentável” está consignada ao desenvolvimento humano, em suas mais variadas facetas, que vão desde a produção econômico-financeira até sua expansão sócio-residencial, suprindo as necessidades atuais, sem comprometer a possibilidade das mesmas realizações em tempos futuros. Tal definição seguiu a linha de raciocínio estabelecida pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, criada pelas Nações Unidas para fomentar modos de harmonização de duas metas: propiciar desenvolvimento econômico e resguardar/preservar o meio ambiente.

Mas apesar do alcance público das noções de desenvolvimento sustentável, um freqüente questionamento assola de forma intermitente, tanto os indivíduos, quanto o próprio processo produtivo humano: o que é necessário para se alcançar práticas diretamente consoantes ao desenvolvimento sustentável?

Como resposta, deve-se partir do principio de que o verdadeiro desenvolvimento sustentável dependerá sempre do planejamento e do entendimento de que os recursos naturais, outrora tidos como “eternos”, são falíveis e findáveis.

Comumente, desenvolvimento é confundido com expansão econômica, que depende invariavelmente do consumo exacerbado de recursos naturais e energia, oriunda, muitas vezes, de fontes agressivas e degradantes ao meio ambiente. Tal concepção desenvolvimentista apresenta forte tendência a ser insustentável, levando tendenciosamente ao esgotamento dos recursos naturais, tão importantes à própria vida do ser humano, das demais espécies e da própria natureza como um todo.

Sendo assim, o desenvolvimento sustentável sugere, factualmente, tipos de produção humana baseadas em qualidade, e não em quantidade, reduzindo-se a utilização de matérias-primas, expansão da reciclagem e supressão incisiva do despejo indiscriminado de substâncias tóxicas nos meios naturais. Tais norteadores são de fundamental importância para o setor organizacional/empresarial internacional, suscitando medidas e ações no sentido de uma produção profundamente ligada à sustentabilidade, conforme salientam Hinz, Valentina e Franco (2007):

“Diante do grande consumo de recursos naturais, o que acarreta uma previsível escassez de água potável, a perda da biodiversidade e o aumento da poluição, sobretudo no que diz respeito à mudança climática global, um número cada vez maior de empresas vem incorporando em suas estratégias o conceito da sustentabilidade. As empresas são alvo de novas expectativas quanto as suas responsabilidades para com a sociedade como agentes que dispõem de recursos financeiros, organizacionais e tecnológicos para uma atuação mais ágil, decisiva e direta na solução dos problemas ambientais e sociais. Consciente desta situação, metodologias fundamentais para implementar mudanças e práticas de desenvolvimento sustentável foram desenvolvidas.”

(Hinz, Valentina & Franco, 2007, p. 2)

Porém, não se pode furtar o homem, como indivíduo particularmente delimitado, à tomada de decisões e aplicações residenciais e pessoais, em conexão com finalidades sustentáveis para seu cotidiano, moradia e relações generalizadas com o meio ambiente circundantes. Iniciativas individuais, em adição a processos produtivos organizacionais conscientes, apresentam forte potencial para a reversão dos quadros de depredação e degradação ambiental, os quais são notórios e presentes em todos os meios de comunicação contemporâneos.

As empresas e organizações que se prestam à produção de bens e serviços, em virtude de seu nível de atuação e intervenção em meio aos espaços naturais, entretanto, estão evidenciadas no bojo das discussões e premências por transformações em suas práticas e atividades consignadas. Hinz, Valentina e Franco novamente atentam:

“O planeta está passando por mudanças drásticas como conseqüência do desenvolvimento da humanidade. Dessa forma, as empresas e a sociedade precisam se preocupar com a extração dos recursos naturais não-renováveis, através de um gerenciamento adequado, que considere também os ecossistemas envolvidos e inclua sua capacidade de recuperação, conciliando uma relação benéfica junto ao meio-ambiente. Portanto, a questão chave para as empresas, é: Como definir e aplicar estratégias para garantir seu desenvolvimento sustentável? Nesta percepção, em que os problemas ambientais estão associados à produção industrial, torna-se necessário trabalhar e aplicar conceitos de ecoeficiência.”

(Hinz, Valentina & Franco, 2007, p. 2-3)

Lançando sustentáculos nas citações de Hinz, Valentina e Franco (2007), convém salientar que no âmbito internacional, vislumbrada premente necessidade por atuação organizacional/empresarial de forma a propiciar desenvolvimento sustentável, favorável à vida humana, das espécies de do planeta; alguns apontamentos e normatizações foram instituídas no intuito de facilitar o planejamento e a execução de uma cadeia produtiva generalizada mais limpa e condizente com as fragilidades e clamores ambientais. A Norma NBR ISO 14040, de 2006, estabeleceu internacionalmente o conceito para Avaliação do Ciclo de Vida como agregada à compilação e avaliação de entradas, saídas e dos impactos ambientais potenciais de um sistema de produtos no período de seu ciclo de vida, desde o levantamento de matéria-prima até sua finalização.

De acordo com a Norma ISO 14040, o estudo da Avaliação do Ciclo de Vida fragmenta-se nas seguintes etapas: definição do objetivo e escopo, análise do inventário, avaliação de impacto e interpretação dos dados e resultados. Tais itens formam estabelecidos no intuito de propiciar uma visão geral do processo, conforme a figura que segue, evidenciada por Hinz, Valentina e Franco (2007):

Figura 1: Síntese das etapas de Avaliação do Ciclo de Vida

Fonte: Chehebe (1998) in Hinz, Valentina & Franco, 2007, p. 4.

Além da Norma ISO 14040 que delimita o conceito de Avaliação do Ciclo de Vida para aplicações na cadeia produtiva de forma a beneficiar tanto a questão da lucratividade organizacional, quanto o meio ambiente em sua premência por preservação, outra nomenclatura bastante difundida no cenário internacional é a “produção limpa” ou “produção mais limpa; sobre o que, Andrade, Marinho, Cardoso e Santos (2007) mencionam:

“A produção limpa, através do princípio da preservação da poluição, visa otimizar o uso de recursos e reduzir a geração de resíduos nos processos produtivos. Esta compreende uma série de medidas que vão do uso de tecnologias limpas à utilização de materiais menos poluentes e mais duráveis. Enquanto o princípio da prevenção da poluição tem esse enfoque, as chamadas tecnologias de fim-de-tubo atuam após a geração de resíduos com medidas voltadas para reduzir o impacto dos resíduos no meio ambiente. Além desse princípio, outros três elementos fundamentais compõem o conceito de produção limpa: a precaução, a integração e o controle democrático.”

(Andrade, Marinho, Cardoso & Santos, 2007, p. 67)

Uma ferramenta que tem sido utilizada pelas organizações em prol da divulgação de dados ambientais é o relatório ou balanço ambiental, em algumas hipóteses, atrelado à divulgação de informações sócio-financeiras. O mencionado instrumento, ainda que facultado na grande maioria das nações, tem sido objeto de crescente regulamentação de parte governamental como forma de normatizar e tornar freqüente e usual sua administração frente a qualquer atividade de cunho empresarial/organizacional.

O poder público, de forma ostensiva, também toma parte e assume responsabilidades no sentido de fomentar ações de agasalhamento ambiental em consonância com o desenvolvimento organizacional e empresarial das entidades que compõem a cadeia produtiva. No Brasil, inúmeras iniciativas e programas focados no desenvolvimento sustentável são correntes, instituídos e criados constantemente, congregando unção com a própria legislação ambiental, que prevê além de benefícios aos bons contribuintes para a manutenção do meio ambiente, sanções para aqueles que procedem ilícitos e delitos resultantes em degradação e devastação ambiental.

É possível afirmar, que nos contextos hodiernos, cada nação, de forma particular ou em união a outras, por meio de tratados e convenções, busca por meios de regulamentar e sancionar práticas que representem atividade benéfica para a manutenção da natureza. Punições, cada vez mais severas também são instituídas intencionando coibir práticas, especialmente oriundas de empresas e organizações produtoras de quaisquer bens e serviços, e passíveis de causar danos severos e irreversíveis aos espaços e espécies naturais.

Uma conclusão pertinente sobre a questão do desenvolvimento sustentável e sua relevância para as mais distintas nações não diz respeito tão somente ao perfil político e ao status atrelado às boas ações e conveniente manipulação do meio ambiente. Principalmente está ligada à sobrevivência dos povos, animais, vegetação e florestas, ar, mar, recursos hídricos e minerais, dentre outros, refletindo, portanto, longevidade ao planeta e aos seus habitantes.

Desenvolvimento sustentável, contemporaneamente, verte-se em retórica, que conforma salientam Chaves e Rodrigues (2006):

“… tem sido utilizada por diferentes grupos como recurso de denúncia política ou exercício de cidadania. Este aspecto revela que, o tratamento desta temática tem possibilitado abertura de novos espaços de expressão, ao mesmo tempo em que se constitui como novo espaço de legitimidade internacional.”

(Chaves & Rodrigues, 2006, p. 104)

Nesses termos, a prática do desenvolvimento sustentável, seja em nível individual, através de conscientização majorada no talhe das ações e empreendimentos realizados; seja em nível organizacional, no direcionamento de atividades produtivas em plena conjugação com a preservação e recomposição do meio ambiente, significam a própria preservação da espécie humana, no sentido mais literal e abrangente que se pode mensurar.

Fica para trás, para tempos pretéritos, o perfil predatório e extrativista com que o ser humano atuou na face da terra, às expensas daquilo que poderia ocorrer futuramente. Abre-se uma nova era, onde preservar o que há de natural, significa preservar as possibilidades de vida das presentes e futuras gerações; e para tal construção concreta, as atividades de comunicação se instituem peças-chave na disseminação e perpetuação de consciências e procedimentos responsáveis e salutares o meio ambiente em suas variadas facetas e formas.

2.2. Contribuições midiáticas da comunicação em função do desenvolvimento sustentável: onde a propagação efetiva a transformação

“Nesse processo de formação de uma nova consciência voltada para a preservação do planeta é essencial a educação do consumidor, com a conscientização da importância de novos hábitos de consumo, vez que grande parte dos problemas ambientais presentes são fruto dos padrões impostos pela economia de mercado através da publicidade, difundida pelos meios de comunicação de massa, impondo um estilo de vida insustentável e inalcançável para a maioria. A educação deve passar a adquirir novos significados na construção de uma sociedade sustentável, democrática, participativa e socialmente justa, capaz de exercer efetivamente a solidariedade com as gerações presentes e futuras. E se não chega a ser um sinônimo de solução, a educação é, sem dúvida, o melhor caminho para melhorarmos a nossa sociedade.”

(Gomes, 2006, p. 25)

Verídica e generalizada é a sentença que acopla a educação, a informação e o conhecimento da realidade corrente no mundo contemporâneo, como as fórmulas mais convenientes e eficazes no sentido de fomentar novas práticas individuais, coletivas e organizacionais de desenvolvimento sustentável.

Educação, um dos pilares fundamentais de produções empresariais/pessoais mais limpas e benéficas ao meio ambiente, não mais é completamente associada ao ambiente escolar, tendo em vista que se realiza de forma natural em todos os espaços da vivência humana, ou seja, na família, nos colégios, associações, grupos, ou mesmo em meio aos canais de difusão comunicacional, como a televisão, o rádio, a Internet.

Gomes (2006) acentua que:

“A educação possui papel fundamental na formulação de uma nova mentalidade. De modo mais específico, a educação para o consumo é elemento-chave na conscientização da população. Há a necessidade de mudanças no modo de pensar, que levem em consideração as atuais características da sociedade contemporânea e privilegiem uma visão total de mundo, com uma postura ética, responsável e solidária.”

(Gomes, 2006, p. 19)

Especialistas na psicologia, na sociologia e dedicados ao estudo da formação humana em termos de personalidade, caráter, virtudes e comportamentos, são categóricos ao afirmarem que a constituição do ser humano toma como base, diferentes vertentes, que vão desde os moldes familiares até os preceitos éticos disseminados em instituições formais distribuídas socialmente.

Ora, se a Educação como um todo visa formar cidadãos aptos à convivência e ao equilíbrio harmonioso da coletividade, deve esta, prestar-se, na mesma proporção, à capacitação dos indivíduos para a relação ética junto aos espaços naturais e construídos onde perpassa ao longo de sua existência.

Todo esse compilado tem sua representação formal implementada junto aos órgãos educacionais, públicos e privados, das mais diferentes nações e localidades de todo o globo; mas fundamentalmente se consolida quando da exposição do indivíduo à comunicação, tanto em pequenas proporções, como aquela de massa, isto é, consignada à televisão, ao rádio, à Internet, aos anúncios inseridos nos espaços públicos, jornais, revistas, periódicos e afins.

Sob essa ótica, a função comunicacional direcionada ao desenvolvimento sustentável e a formação de consciência ética ambiental, especialmente atrelada aos meios de disseminação em massa se faz preponderante para as mudanças de mentalidades e transformação efetiva de padrões e perfis comportamentais para com a responsabilidade ambiental necessária no panorama contemporâneo.

Verifica-se, a título de exemplificação, inúmeras peças em matéria de comunicação, no sentido de levantar bandeiras em prol da proteção para com a natureza e os espaços naturais. Inúmeras delas, oriundas estrategicamente do poder público, buscam por informar, nortear e lançar novas práticas, soluções e ensinamentos sobre como realizar uma relação bem sucedida com a natureza e com os recursos naturais, matéria não somente de responsabilidade governamental, mas que deve consolidar-se no entendimento de todo e qualquer cidadão, mundialmente falando. Jacobi (2003) assinala, nesse sentido, que:

“Existe, portanto, a necessidade de incrementar os meios de informação e o acesso a eles, bem como o papel indutivo do poder público nos conteúdos educacionais, como caminhos possíveis para alterar o quadro atual de degradação socioambiental. Trata-se de promover o crescimento da consciência ambiental, expandindo a possibilidade de a população participar em um nível mais alto no processo decisório, como uma forma de fortalecer sua co-responsabilidade na fiscalização e no controle dos agentes de degradação ambiental.”

(Jacobi, 2003, p. 192)

É imperiosa, de certo, uma mobilização pelo levantamento de recursos aplicáveis para a massificação da informação, da comunicação em prol do agasalhamento ambiental, do resguardo dos espaços e diversidades naturais, não somente visionando sua preservação, tendo em vista que boa parte já foi destruída e degradada de forma irreversível. Interessa também, e de forma incisiva, promulgar peças informativas que incentivem uma frente de batalha, não importando se de natureza organizacional ou popular, para a efetiva reconstrução daquilo que, em termos naturais, já foi devastado, mas pode, com efeito, ser reconstituído e reintegrado ao meio ambiente.

A mídia, que na literalidade de sua expressão, faz acepção aos meios e veículos de comunicação, sua disseminação massificada, isto é, direcionada e tangível, de forma ostensiva, à todos os habitantes do planeta (meta já quase alcançada); detém consigo tanto a força irrestrita de sua onipresença quanto a responsabilidade de fazer com que tal presença se construa em prol de bons frutos, boas realizações, bons atributos. A mídia contemporânea tem por obrigação e objetivo reservar boa fatia não somente para os reclames e destaques que produzem vendagens e circulação de capital, mas transmigração permanente de idéias que beneficiem o meio ambiente e as formas possíveis de militar e atuar em seu favor.

Diante de tal objetivação, nasce um comparativo entre a mídia convencional e a mídia ambiental – aquela tão necessária à transformação e conscientização organizacional e individual do cidadão cosmopolita defronte às premências e clamores de ordem natural e correlacionados à preservação e recomposição do meio ambiente. Moura (2006) efetua debruce sobre a temática em voga e pondera que:

“A mídia convencional é feita por empresas que trabalham com a notícia como produto principal. São elas: emissoras de rádio e televisão e as revistas e jornais impressos. Mas nada impede que dentro da grade de programação dos veículos de comunicação da mídia convencional possam existir programas que fogem ao padrão geral da emissora. Um exemplo disso, é o Globo Ecologia, veiculado na Rede Globo de Televisão, e que não deve ser considerado como mídia convencional. Do mesmo modo que veículos de comunicação de massa, grandes impérios da informação podem fazer um ou outro programa classificado como mídia ambiental, inúmeros veículos de comunicação alternativos, como rádios comunitárias, por exemplo, reproduzem à imagem e semelhança dos oligopólios de comunicação, programas classificados como mídia convencional. A mídia ambiental surgiu da necessidade de discutir e mostrar à sociedade, aos governos e aos empresários que o modelo de desenvolvimento do século passado era insustentável.”

(Moura, 2006, p. 4)

Lançando sustentáculos nos estudos de Moura (2006) contempla-se um panorama um tanto o quanto discrepante, que urge por maior e melhor quantidade de mídia ambiental como aquela que exerce funções e papéis preponderantes na interlocução entre as necessidades e urgências ambientais e o ideário popular/empresarial.

Obviamente não se pode esvaziar a mídia, de forma geral (mas preponderantemente marcada pela convencionalidade capitalista e centrada nos interesses econômico-financeiros hodiernos) de suas intenções e realizações em prol do resguardo, proteção e conservação ambiental com pauta nos preceitos de desenvolvimento sustentável cabíveis no seio das sociedades hodiernas. Deve se depositar créditos naquilo que apresenta mérito para tal, afirmando-se que existe sim, uma parcela das atividades midiáticas, voltada exclusivamente para as questões ambientais, mesmo porque, os fatos midiáticos atuais, estão recheados de acontecimentos severos, que remetem ao assunto.

Aliás, os eventos de ordem grandiosa e espetacular, mormente relacionados a catástrofes e situações punitivas/criminais são especialmente apreciados pelas formas midiáticas de disseminação da informação, exatamente por seu caráter de evidência, de choque, de comoção, que saltam aos olhos do expectador de forma súbita e impactante. Em suma, aquilo que choca, que estarrece, que mobiliza é absolutamente atraente ao povo, vertendo sua contrapartida nos meios de comunicação e informação em massa. E ainda que de forma curiosa ou mesmo, mórbida, tais fatos servem à sua função educativa, norteando e sinalizando que os entes naturais, contíguos ao ser humano, vêm, há bastante tempo se ressentindo, e estão dispostos à “dar o troco” contra tantos malefícios realizados ao longo de séculos de maus tratos.

De modo geral, a mídia apregoa sua intensificação naquilo que é vendável, bem como nos modismos e tendências de interesse humano, a cada época histórica. Sendo, a matéria ambiental assunto, hodiernamente insculpido como uma das prioridades e preocupações do homem moderno, distribuído dentre as nações mais ou menos poluidoras, mais ou menos propensas a projetos e realizações no setor, alheias ou engajadas na salvação do planeta; a mídia tem expandido seu foco para os assuntos que dizem respeito ao meio ambiente, mais estreitamente, ao meio ambiente degradado pela atividade predatória humana.

Sendo assim, a mídia contribui para a formação de presentes e futuras gerações conscientes de seus deveres na esfera ambiental, não da forma desejável, mas já aprofundando-se em temáticas antes absolutamente relegadas às notas de rodapé em jornais de bairro. Hoje, a mídia televisiva, radiofônica, jornalística, virtual, dentre outras, não somente menciona, mas forma, informa e comunica na tarefa de estruturar melhores e mais responsáveis atitudes individuais e empresarias, baseadas em consciência, solidariedade, compaixão e entendimento de que o meio ambiente é estritamente necessário à perpetuação da vida, em suas mais variadas facetas, no planeta Terra.

Especialmente a atividade empresarial, comumente atrelada ao uso de recursos naturais em partes/totalidade de seus processos produtivos, tem primado, já há certo tempo, por uma mudança de mentalidade e de postura quando enfocadas questões ambientais, conforme expressam Franco e Druck (1998):

“… pode-se observar ainda a fragilidade em termos de segurança industrial, prevenção e controle dos impactos socioambientais, embora possam ter ocorrido avanços nesse sentido. Tanto local quanto nacional e internacionalmente, o mundo empresarial apropriou-se das questões ambientais, passando a adotar postura propositiva e menos passiva, abandonando a negação dos problemas gerados. Atualizou seus modelos de gestão – incorporando e subordinando os desafios do desenvolvimento sustentável à lógica de mercado –, ocupando crescente espaço na mídia e em projetos de preservação ecológica na tentativa de legitimar-se perante clientes e consumidores.

(Franco & Druck, 1998, p. 68)

E não que a atividade organizacional, ou a cadeia produtiva mundialmente insculpida possa ser elencada como vilã, atuando incessantemente contra o meio ambiente, principalmente se observado o desordenado crescimento populacional que predomina em inúmeros países; mas, é factual que a atuação de empresas e organizações no planeta tem imprimido suas marcas na natureza e nos recursos naturais, antes aparentemente abundantes, mas hodiernamente dando mostras de cansaço e deterioração.

As peças, fatos e realizações midiáticas, novamente intervêm com força expressiva na forte tendência mundial contemporânea, submersa em maior zelo para com a natureza; ao passo que mostra, de forma estreita, os perfis proficientes de nichos populacionais, empresas, atividades cooperadas e organizações com e sem fins lucrativos, todos engajados numa luta contínua que milita em favor das causas ambientais, nas suas mais variadas facetas.

Resumidamente, a mídia em seus mais variados canais, apresenta o fato e sua essência. As atividades e iniciativas positivas, especialmente citadas aquelas correlatas ao desenvolvimento sustentável e à tutela ambiental responsável têm transformando-se em carros-chefes para inúmeras organizações, conferindo ainda status positivo junto ao consumidor – efetivo personagem da própria cadeia produtiva. Já a própria iniciativa benéfica ambientalmente, oriunda da população, emerge nos canais midiáticos como exemplo a ser seguido e modelagem a ser constantemente aperfeiçoada e ampliada. A mídia, portanto, exalta os ditos ‘mocinhos’ em matéria de meio ambiente … e golpeia seus respectivos vilões, com igual força e a costumeira perspicácia de quem critica, julga, pune e dissemina tal sanção, com total e irrestrita razão.

CAPÍTULO III – MATERIALIZAÇÕES DA MÍDIA EM FAVOR DO MEIO AMBIENTE: PRECEITOS DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL EM FORMAS, CORES E SONS

“Queimadas, desmatamentos, degradação dos rios e ocupação desordenada do solo, são alguns dos problemas que desde já se colocam na pauta de discussões. Esses graves problemas ambientais colocam-se como uma das principais dificuldades a serem resolvidas pela população local e as discussões que contribuam para a construção de uma consciência ambiental sólida, que permita repensar a relação homem e natureza, devem ser inseridas na pauta diária dos veículos de comunicação do Estado, nesse momento em que uma das principais preocupações do homem moderno diz respeito à conservação dos recursos naturais existentes para as futuras gerações e o uso racional pela geração atual.”

(Dreves & Costa, 2007, p. 101)

Lançando sustentáculos na proposição inicial de Dreves & Costa (2007), faz-se importante, a título de compleição, evidenciar que no bojo das discussões e debates, clamores e temáticas de maior vulto contemporaneamente, o compilado de ramificações oriundas das questões ambientais salta, de forma intermitente no âmago dos mais variados canais midiáticos. A comunicação humana, em seus formatos mais irrestritos, elenca, como pauta de interesse público e, portanto, espetáculo de apreciação interessante, o meio ambiente enquanto ente já não mais tão distanciado das preocupações internacionais, ou melhor, um dos calcanhares de Aquiles da humanidade hodierna.

Não mais como um modismo ou excentricidade, os procedimentos, processos, atividades organizacionais, urbanas e habitacionais, hoje se constroem tendenciosamente sob pilares que suscitam, além de sanção criminal, certa culpabilidade quando não respeitados os trâmites protetivos em favor do meio ambiente. E, indiscutivelmente, a mídia tem sua participação nesse novo patamar de saberes e afazeres, muitas vezes não condicionados à vigilância e força estatal, mas à própria percepção generalizada sobre o estado de coisas e os agravantes envolvidos em ilícitos ambientais.

Nova consciência toma progressivamente o mundo, consideradas suas vertentes empresariais ou cidadãs, que, em compilado geral, urgem por derradeiras tomadas de atitude tendo como base a natureza enquanto berço a desmoronar, candidato à aniquilação total para futuras gerações.

Nesse novo panorama, indiscutivelmente inúmeras, são as formas relacionais entre mídia e preceitos de preservação ambiental, através do desenvolvimento sustentável. Disseminados por todo o mundo, estão os canais de comunicação que agregam a temática ambiental em suas pautas diárias, revelando, mostrando, informando, advertindo, expondo as sanções e punições quando do advento de ilícitos, bem como honrando iniciativas que visam agregar desenvolvimento econômico-financeiro em junção com a recomposição e a prevenção de danos na natureza.

Qualquer tênue estudo pode apresentar tais resultados, e avolumar o quanto fatos e realizações midiáticas têm promovido melhorias nas proposições e realizações populares/organizacionais em consonância com a preservação ambiental, revelando ainda, pespontos de atividades para recomposição de espaços, ambientes e estruturas naturais já quase totalmente degradadas ou extintas. Dreves e Costa (2007) complementam que:

“É nesse cenário intrigante e ao mesmo tempo sedutor que emerge da própria necessidade de evolução da sociedade, que a imprensa ocupa um lugar de destaque cada vez maior. A televisão parece transformar a realidade diária em um grande espetáculo de imagens. Os jornais e as revistas, que com o advento do rádio pareciam destinados a desaparecer, continuam com enorme prestígio junto à sociedade como formadores de opiniões e ainda resistem a novas mídias como a internet, um furacão midiático transformador, que mudou as formas de interação que a sociedade até então conhecia.”

(Dreves & Costa, 2007, p. 102)

O poder da mídia, outrora atrelado tão somente às formas espetaculares de vendagem e circulação do capital, de forma feliz vem a inaugurar uma era de clamores ambientais em voga, sendo expostos a despeito, essencialmente, das algemas egoístas do capital e seu interesse primordial. É com muita felicidade que se pode afirmar: a mídia noticia o ambiente, criticando seus malfeitores, agora sem o costumeiro nepotismo que antes, por muito tempo mascarou ocorrências gravíssimas consoantes às absurdas violências para com o meio ambiente e as espécies. Pode-se dizer assim, que o discurso midiático enfim evoluiu, junto com as premências do mundo contemporâneo, literalmente.

Para tal, o tom das palestras, debates, enfoques e notícias, em forma de fatos ou mesmo de proposições/conjecturas; agregado à mídia hodierna emerge de todas as esferas da sociedade – do mais alto escalão do Estado, até os modestos nichos populacionais e atividades isoladas, que agora, promovem enfim, eventos de natureza ambiental benéfica, expostos, muitas vezes, em forma de matéria principal (com seus destaques, luzes, sons, recursos tecnológicos, e ligados os mais influentes canais conhecidos, como a televisão e a Internet).

A natureza finalmente vira destaque e espetáculo midiático, com seus devidos clichês e lições moralmente aceitáveis para o porvir das sociedades modernas.

A titulo de sucinto exame acerca do evento em voga, pode-se tomar como referência (e propriedade) o caso brasileiro, onde uma nação emergente propõe e realiza, em termos midiáticos, a disseminação de comunicação direta, literal, despida de máscaras ou talhes pré-fabricados e protecionistas; favorecendo, efetivamente, os tão mencionados preceitos de desenvolvimento sustentável e agasalhamento correlato ao meio ambiente em suas mais variadas vertentes.

Sendo assim, já no patamar estatal, propensões e atividades em prol da incitação de movimentações e atividades produtivas/sociais ambientalmente corretas e responsáveis saltam aos olhos do mundo, através dos meios e formas midiáticas. O governo brasileiro, de forma intermitente, lança campanhas, projetos, acórdãos de alcance social e empresarial que primam por imprimir consciência ambiental junto aos processos produtivos generalizados. Bom exemplo é a campanha que angaria integração organizacional ou mesmo familiar para a agricultura ambientalmente correta, onde a destinação de agrotóxicos e substâncias degradantes para o meio ambiente é direcionada para o afastamento do contato entre tais substâncias, o solo, as fontes de água naturais, ou qualquer outro fim prejudicial à natureza. Não somente ilustrativa, tal campanha se propôs a nortear a atividade agrícola do país, independente de seu porte, à consideração que, o depósito de agrotóxicos no ambiente natural ou o abandono de suas embalagens vazias de forma alheia, apresenta como resultantes, grandes malefícios à natureza, contaminando solo, água e representando potencial perigo ao próprio ser humano.

Atrelada aos mais variados canais midiáticos, tal iniciativa governamental brasileira representa uma das estratégias para o incentivo do desenvolvimento rural sustentável, como uma das mais poderosas ferramentas de amparo ambiental, tendo em vista que o campo detém grande parte dos ambientes e espécies desejáveis como objetos de preservação.

A imagem que segue correlaciona-se à mencionada campanha, representando um importante recall para aqueles que atuam de forma empresarial ou laboral, engajados na atividade agrícola evidenciada:

Figura 2: Cartaz da Campanha “A Natureza Precisa de Você”, oriunda do Governo Federal do Brasil, vigente a partir do ano de 2004

Fonte: Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias – inpEV. Home Page. http://www.inpev.org.br/educacao/campanhas/a_natureza_agradece/campanha_natureza_agradece.asp

De observância e atuação incisiva por parte do Governo Federal do Brasil, as espécies, enquanto entes francamente ameaçados de completa extinção, constituem também, foco para o advento de campanhas protetivas, que por sua vez encontram nas formas de disseminação midiática.

A questão do desenvolvimento sustentável sob a ótica governamental representa um dos pontos de franca atuação; tanto em considerações, quanto em proposições, metodologias, recomendações, órgãos periféricos e organizações de referência para a matização de programas piloto tendo como objeto central a viabilidade de expansão econômico-financeira do Brasil, em congregação direta com a preservação, conservação e recomposição ambiental para localidades/ecossistemas já degradados.

Em termos relacionados à comunicação tácita dos norteadores oriundos do governo brasileiro, suas formas midiáticas relacionadas à exposição televisiva, radiofônica e virtual encontram-se no bojo das estratégias propagadoras para fazer conhecer, com efeito, e amplitude os preceitos recomendáveis, e unanimemente insculpidos como minimamente aceitáveis, para a saúde e o bem-estar do homem, e do meio ambiente.

Quanto à atividade privada, mormente aquela relacionada aos enquadramentos do processo produtivo em unção com o resguardo da natureza, isto é, a atividade produtiva de organizações, que majoritariamente tangem o meio ambiente em alguma parte da confecção ou finalização de seus produtos e serviços; todo um recurso à mídia tem sido essencial para a conquista e fidelização de sua clientela.

O uso das formas midiáticas de comunicação é imprescindível para a empresa moderna, tendo como base o fato de que, também o consumidor passa a assumir uma postura de cobrança pela preservação ambiental como pressuposto para sua decisão de compra/aquisição. Sobre a nova relação entre produção e consumo, hodiernamente mediada por preceitos de resguardo ambiental como condicionante para o sucesso das organizações modernas, Layrargues (2000) evidencia:

“Nessa perspectiva, a poluição industrial, com todas as suas mazelas, teria, a partir de agora, seus dias contados. Simpatizantes da causa ecológica, ambientalistas em geral e consumidores verdes em particular, todos saúdam essa iniciativa e, aliviados, respiram esperançosos com a proximidade da resolução da crise ambiental no âmbito industrial.”

(Layrargues, 2000, p. 83)

Na mesma medida em que as empresas sediadas na contemporaneidade primam por adequações em seus processos produtivos de forma à reconhecidamente obterem o almejado ‘desenvolvimento sustentável’, recorrem à mídia para a propagação de suas atividades e progressos na empreitada consignada ao funcionamento lucrativo, mas absolutamente desatrelado de malefícios ao meio ambiente.

Nesse sentido, as formas, meios e canais midiáticos mais explorados pela classe organizacional mundialmente, continuam sendo a comunicação gráfica, televisiva, radiofônica, e, especialmente talhada, a comunicação em ambiente de Internet. Sabendo-se expressivo compêndio de clientes e potenciais clientes com franco e intermitente uso da Internet, as organizações modernas deixam transparecer tacitamente em seus sites, o quão transformadores passam a ser seus processos produtivos, e o quão merecem obter reconhecimento, à medida que auxiliam na preservação e reconstrução do meio ambiente.

Um bom exemplo desse compilado organizacional que transforma, recria e lança sustentáculos no respeito ambiental como preceito basilar para sua atividade produtiva, atitude, obviamente posta em evidência de forma midiática, é a Unilever, responsável pelas marcas Ades, Arisco, Brilhante, Close-Up, Comfort, Dove, Fofo, Hellman’s, Kibon, Knor, dentre outras. Engajada na contemporânea militância pelo desenvolvimento sustentável, a Unilever; além de peças, promoções e reclames correlacionados à sua linhagem de produção (majoritariamente agregada ao uso de matérias-primas de ordem agrícola), que respeita a natureza, interage com o meio ambiente sem modificá-lo ou degradá-lo; encabeçando ainda programas assistenciais (sociais e ambientais) que visam, não somente dar impulso aos resultados esperados, mas compor incessantemente sua imagem e preferência junto ao público consumidor. Novamente aqui, são noticiadas as iniciativas delimitadas em supra, via canais televisivos, jornais, rádios, outdoors, Internet, e mais. O meio ambiente se noticia, das mais diversas formas a que a população pode travar contato, e não somente em plano empresarial, conforme destaca Bredariol (2001):

“… até pequenas iniciativas podem se tornar objeto de conflitos que ganham visibilidade pública, são notícia, mobilizam indivíduos, grupos sociais e movimentos organizados e a proximidade entre os atores pode facilitar a ocorrência de negociações entre diferentes interesses.”

(Bredariol, 2001, p. 3)

Seguindo esse mesmo molde da comunicação norteada por preceitos ambientais, a página da Unilever na Internet, especialmente em sua seção dedicada ao ente ambiental, significa ponto de evidência notável, que merece destaque consoante à sua composição e pormenoridade, tratando de assuntos relacionados ao meio ambiente de forma minuciosa e clara, especialmente quando correlacionados à produção de seus itens líderes de mercado.

Figura 3: Web site Unilever, em sua seção dedicada ao meio ambiente e ao desenvolvimento sustentável

Fonte: Univelever. Home Page. http://www.unilever.com.br/

Na mesma linha de raciocínio que miscigena desenvolvimento sustentável, preservação dos recursos naturais do planeta e construção de status como empresa “amiga da natureza’, a Coca-Cola, organização atuante e distribuidora de bebidas no mundo todo, além de propagar seus produtos, engendra estratégias para fazer disseminar globalmente seus preceitos de produção ambientalmente correta. Além de manter-se no topo da preferência no gosto do consumidor pela notada excelência dos itens que produz, se faz noticiar, nos mais distintos canais midiáticos, em meio a slogans, promoções, reclames, patrocínios e programas para implantar, de forma crescente, processos produtivos que reúnem plataformas de expansão e desenvolvimento, casadas com preservação e recomposição ambiental dos elementos que utiliza para fabricação de seus itens vendáveis.

Para tal, planejamentos minuciosos e talhados especialmente por especialistas publicitários resultam em grandes exposições midiáticas, que eclodem na totalidade dos canais que disseminam notícias, informações e contemporaneidades, como jornais, Internet, espaços radiofônicos, revistas, televisão, dentre muitos outros intermitentes no cotidiano dos grandes centros populacionais, e mesmo em localidades mais afastadas de tecnologia e distribuição conveniente em meios de informação.

A notícia que segue, vinculada nos canais de mídia (2007) é exemplo dessa pré-disposição da Coca-Cola, no intuito de utilizar a mídia para expor e levar ao consumidor suas realizações produtivas em conexão com um norteador de desenvolvimento sustentável e mais, devolvendo à natureza, recursos que lança mão para composição de seus produtos:

Figura 4: Exposição midiática relacionada ao desenvolvimento sustentável da Coca-Cola

Fonte: Folha Online. Home Page. http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u302061.shtml

Convém salientar que, a mesma notícia que em supra aparece na Internet, foi também veiculada em outros distintos meios de comunicação, de forma seqüencial, a título de alcance generalizado da empresa noticiada, como forma de exploração midiática para sua linhagem de produção ambientalmente correta, e assim, consignada às premências ambientais contemporâneas.

Mais um exemplo de ‘empresa amiga da natureza’ é a Natura, que produz e comercializa cosméticos e produtos de higiene pessoal, obtendo da natureza sua matéria-prima, mas não deixando lastros predatórios dessa utilização, isto é, promovendo linhas produtivas que primam pela recomposição dos recursos naturais extraídos de forma responsável e adequada ao equilíbrio dos ecossistemas e espécies.

Pela orientação dos produtos oferecidos, a Natura encontra-se, de forma mercadológica, no bojo de questões ambientais, propondo, porém, relação amistosa e ambientalmente responsável ao ofertar ao consumidor final, itens de origem vegetal em forma de cosméticos que não agridem e nem degradam o meio ambiente, não suscitando carências ambientais na produção de tais itens. Para propagação de tal política, lança mão de recursos e meios de comunicação em massa para disseminar tais postulados. Abaixo segue folder de uma das linhas de produtos mais evidentes na Natura:

Figura 5: A linha Natura Ekos no espaço midiático – entre a origem natural e o respeito ao meio ambiente

Fonte: Natura. http://www2.natura.net/Web/Br/Products/src/index.asp?categoryCode=1&lineCode=992&id_flash=0

Preceitos como a sustentabilidade também constituem carro-chefe para os empreendimentos Natura, sendo tais pressupostos levados, junto aos próprios produtos oferecidos ao consumidor, novamente em agregação nos espaços midiáticos disponíveis, sendo novamente a Internet, um dos mais importantes focos de comunicação para informações e dados relativos.

Poder-se-ia estender tais exemplificações listando uma enormidade de organizações contemporâneas que abraça o desenvolvimento sustentável como pedra basilar de seus processos produtivos, recorrendo às formas de exposição midiática e seus discursos inerentes como meio de diálogo e troca com o consumidor hodierno – atualmente engajado nas militâncias em favor da preservação e da conservação ambiental.

Importa, porém, atestar que o meio ambiente, consigna um dos mais relevantes pontos de incidência da mídia contemporânea; não mais a título de pequenas notas de rodapé ou comentários alheios aos interesses populares, mas efetivamente como uma das temáticas de maior comoção e atenção mundial, tendo em vista que é factual e público o nível de degradação e devastação que alcançou o homem em sua desastrosa e predatória relação com a natureza.

Com origem em órgãos governamentais, bem como advindas das iniciativas empresarias e populares, as expressões midiáticas ambientais eclodem aos montes, e, são elencadas como um estilo comunicacional efetivo, que permanecerá, asseverando e punindo publicamente os agentes agressivos à natureza, na mesma medida em que exalta e até confere vendagem àqueles que traçam suas políticas produtivas de forma ambientalmente responsável.

O desenvolvimento sustentável acopla-se à mídia internacional, resultando em panorama favorável e tendencioso a uma nova linhagem de pensamento individual e empresarial – premência da época hodierna, onde produzir, comercializar, fazer girar a economia, criar cargos, salários, possibilitar poder aquisitivo e tantas outras formações capitalistas; não significa mais depredar o patrimônio ambiental mundialmente distribuído. Em contrapartida, a evolução sócio-financeira-econômica depende, hoje, de norteadores favoráveis ao meio ambiente, em caso contrário representa contraponto ao futuro do planeta e acaba por quebrar-se fragilmente por entre o novo e permanente ideário planetário.

CONCLUSÃO

Desde os mais remotos períodos humanamente insculpidos na face da Terra, a comunicação constituiu-se base para as relações intra e inter pessoais, entre indivíduos e grupamentos inteiros, independendo de sua origem ou localização geográfica.

Comunicar, em essência, remete à idéia de expressar, disseminar, fazer saber, conhecer, informar ao outro, ou outros; sentimentos, necessidades, ensinamentos, orientações, conhecimentos, dentre outras inúmeras realizações humanas.

Factualmente, desde o início das práticas comunicativas humanas, primeiramente estabelecidas de forma prosaica e pouco articulada, o homem, evolutivamente estabeleceu novas formas, e especialmente, canais para propagação de tudo quanto descobriu, pesquisou, conheceu, ao longo de sua existência.

Hodiernamente, a comunicação, e especialmente a mídia se propõe não somente à espetacularização dos fatos, acontecimentos e premências da humanidade, sabendo-se que estas, ainda e infelizmente, representam a grande maioria de sua atividade. Importa, no entanto, saber que, as formas e meios de comunicação, as multifacetadas expressões midiáticas apresentam suas vertentes positivas, especialmente quando militam em favor de questões essenciais à garantia de vida para presentes e futuras gerações.

A temática ambiental e atrelada à necessidade por desenvolvimento sustentável é uma delas, deflagrando, graças ao ilimitado poder midiático, extensos e variados debates que envolvem tanto a sociedade civil, quanto as cúpulas governamentais e classes organizacionais estabelecidas contemporaneamente.

Não que o discurso midiático seja o único responsável pelo zelo ambiental como visto e incitado hodiernamente, mas é translúcido seu caráter auxiliar no que tange à propagação de fatos, dados e ocorrências que ora promovem resguardo ao meio ambiente, ora denunciam e alvejam com severidade as entidades (populacionais, empresariais, governamentais) transgressoras aos direitos ambientais, tão notórios e conhecidos atualmente.

Nesse sentido, traçados de desenvolvimento sustentável passam a se expandir e se delinear nos ideários populares (do povo enquanto empreiteiro, e enquanto consumidor), assim como nas políticas de produção empresarial, reforçada ainda pelos certames e tratados fixados por entidades governamentais do mundo todo.

Um novo panorama retilíneo já pode, nesse sentido, ser vislumbrado. Contextos hodiernos taxam e classificam os bons e os maus entes em relação à natureza. O homem, personificado em cidadão, ou organização, passa a adequar-se à uma realidade onde, dependendo de sua atuação presente, poderá ou não existir geração futura, observando-se que depende primordialmente da natureza e dos recursos naturais para manter-se vivo e obter bem-estar.

A mídia, em sua propagação absoluta de comunicação e informação, tem desempenhado com excelência, papel de coadjuvante nesse processo de adequação humana às exigências de cunho ambiental, deflagrando-se, com efeito, grande facilitador para compreensões e construções de novos perfis para atuação conveniente, do homem, sobre a natureza. Assim, tem efetivamente se redimido de sua faceta tendenciosamente espetacular e capitalista, revestindo-se, finalmente, em aura louvável, positiva e empreendedora, eficaz contra os delituosos ambientais, e a favor dos responsáveis e justos com o meio ambiente.

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