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Monografia “VACINAÇÃO (IMUNIZAÇÃO) DE PROFISSIONAIS DA ÁREA DA SAÚDE”

 

Esta obra possui autoria plena, sendo permitido seu uso educacional unicamente como referêncial teórico desde que fornecidos os devidos créditos ao seu mentor intelectual.

Autor: SOUZA, A. F. de.

Ano: 2008

INTRODUÇÃO

 

O sistema de imunização evolui como uma defesa contra as doenças infecciosas. Os indivíduos com respostas imunes deficientes, quando não tratados, sucumbem as infecções. Por este motivo, existe uma pressão evolutiva seletiva no sentido de garantir qualidade de vida aos profissionais. Uma resposta imune compõe-se de duas partes: uma resposta específica a um antígeno particular e um aumento inespecífico do efeito daquela resposta. Para cada resposta específica desencadeia-se uma resposta mais rápida e maior na segunda vez que um determinado antígeno é encontrado; a memória da resposta imune específica inicial proporciona a eficiência.

Desta maneira aborda-se que existe um risco considerável de adquirir e transmitir doenças infecciosas em ambientes hospitalares, haja visto que tanto o paciente como os profissionais da saúde apresentam maior risco ao ficarem expostos a determinadas doenças infecciosas tanto por via aérea , exposição a sangue e fluidos orgânicos, transmitidas pelo contato com os pacientes. O risco muda conforme a atividade desenvolvida, medidas de prevenção adotadas, e a prevalência do local. Os riscos oportunizados para aquisição de doenças não é fator de preocupação apenas pelo tipo de exposição, mas também pela patogenicidade do agente infeccioso, exposição pós profilaxia, como também da tendência do profissional da área.

Assim esclarece-se ainda que o papel do profissional de saúde como autor da transmissão não pode nunca ser descartado, pois o risco do profissional em transmitir doenças aumenta quando o mesmo não segue regras de biossegurança. Para trabalharem tranquilamente os profissionais da área da saúde precisam estar imunizados além de fazerem uso das normas técnicas de segurança conforme também ver-se-á ao longo deste estudo.

O trabalho utilizou em design a pesquisa bibliográfica que é defendida por MEDEIROS (2004, p. 30) como aquela que busca o levantamento de livros e revistas de relevante interesse para a pesquisa que será realizada. Seu objetivo é colocar o autor diante de informações sobre o assunto de seu interesse.

Definido o método, utilizar-se-á, neste trabalho a pesquisa bibliográfica, que é desenvolvida a partir de material já elaborado, constituído principalmente de livros, artigos científicos e internet.

A principal vantagem da pesquisa bibliográfica reside no fato de permitir ao investigador a cobertura de uma gama de fenômenos muito mais ampla do que aquela que poderia pesquisar diretamente.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

1 A IMUNIZAÇÃO E SEUS PRECEITOS

O corpo humano dispõe de vários recursos para proteger-se. A primeira linha de defesa é fornecida por barreiras físicas, como a pele, que recobre a superfície do corpo e impede a penetração de microrganismos e outros agentes potencialmente lesivos nos tecidos.

Escreve  Parslow et al (2004, p. 16) que

além de serem estruturalmente impenetráveis, essas barreiras muitas vezes possuem características especializadas que ajudam a repelir os invasores estranhos. Por exemplo, o ácido láctico e outras substâncias presentes no suor mantêm um pH ácido na superfície da epiderme, ajudando, assim, a impedir a colonização por bactérias e outros microrganismos. De forma semelhante, os epitélios mais delicados que revestem as vias respiratórias e o trato digestório estão banha-dos em uma camada protetora de muco, que pode capturar, dissolver e eliminar substâncias estranhas. Embora essas barreiras físicas sejam relativamente estáticas, com frequência podem ser intensificadas, em certo grau, em momentos de necessidade.

Assim, a epiderme, quando cronicamente irritada, pode sofrer espessamento para formar um calo, enquanto o esforço das vias respiratórias no sentido de limpar-se através da produção copiosa de muco é familiar para todos os que já tiveram resfriado ou alergia do tipo “febre do feno”. A importância dessas defesas físicas torna-se mais óbvia nos indivíduos que delas carecem.

Salienta ainda Benjamini et al (2002, p. 35) que

quando um patógeno (isto é, qualquer microrganismo com o potencial de causar lesão tecidual ou doença) consegue abrir uma brecha nas barreiras superficiais e penetrar no organismo, ele depara-se com uma panóplia de outros fatores que defendem os tecidos internos. Tradicionalmente, essas defesas internas foram reunidas em dois sistemas funcionais mais ou menos dis-tintos, dependendo de a resistência (imunidade) que conferem contra determinado patógeno já estar presente desde o início ou só se desenvolver após o contato com o patógeno.

 

A imunidade inata (ou natural) refere-se a qualquer resistência inata já presente na ocasião em que um patógeno se apresenta pela primeira vez; não exige nenhuma exposição prévia e não se modifica significativamente através de exposições repetidas ao patógeno durante a vida do indivíduo. A imunidade adquirida refere-se à resistência que está ausente ou fraca na primeira exposição ao patógeno, mas que aumenta acentuadamente com exposições subseqtientes ao mesmo patógeno específico.

Tanto o sistema imunológico inato quanto o adquirido são constituídos de numerosos componentes que podem desempenhar tipos específicos de funções protetoras. Alguns desses componentes consistem em células especializadas com capacidade de reconhecer, sequestrar e eliminar vários tipos de microrganis mos ou substâncias prejudiciais; as defesas proporcionadas por essas células são coletivamente conhecidas como imunidade mediada por células. Os outros componentes consistem em macromoléculas solúveis (habitualmente proteínas) que circulam no sangue e no líquido extracelular, tomando esses líquidos (antigamente denominados humores corporais) inóspitos para os invasores estranhos, mesmo quando todas as células são removidas; esse tipo de defesa sem a participação de células é denominado imunidade humoral.

Tanto o sistema imunológico inato quanto o adquirido desempenham papéis críticos na defesa do hospedeiro. Ambos os sistemas são essenciais para a saúde; em geral, atuam em conjunto e, com freqiiência, dependem um do outro para produzir efeitos máximos. Não são sistemas totalmente separados. As ações de um deles freqiientemente influenciam o outro, e certos tipos celulares ou proteínas humorais são de suma importância para a atuação de ambos os sistemas. Desses dois sistemas, o sistema imunológico adquirido recebeu muito mais atenção nos últimos anos, e, com efeito, o uso mais moderno dos termos “imunologia”, “resposta imunológica” e assim por diante refere-se primariamente ao sistema imunológico adquirido. Entretanto, há um reconhecimento crescente da suma importância do sistema imunológico inato para a saúde humana, não apenas por sua própria natureza, mas também pelo fato de ativar e regular a imunidade adquirida.

A introdução da vacinação com o vírus da vacina (1796) por Edward Jenner para proteger contra a varíola foi o primeiro uso documentado de uma vacina de vírus vivo atenuado, representando o início da moderna imunização. Robert Koch demonstrou a causa bacteriana específica do antraz em 1876, e, posteriormente, foram rapidamente identificadas as causas de diversas doenças comuns. Esses progressos foram acompanhados de imunização bem-sucedida.

A imunização pode ser ativa, em que a administração de determinado antígeno (geralmente um agente infeccioso modifica-do ou uma toxina) leva à produção ativa de imunidade, ou passiva, em que a administração de soro contendo anticorpos ou de células sensibilizadas proporciona uma proteção passiva para o receptor.

Assim Grossman et al (2004, p. 611) teoriza que

A imunização ativa resulta na produção de anticorpos dirigidos contra o agente infeccioso ou contra seus produtos tóxicos; além disso, pode iniciar uma resposta celular mediada por linfócitos e macrófagos. Os anticorpos protetores mais importantes incluem os que inativam produtos protéicos tóxicos solúveis de bactérias (antitoxinas), os que facilitam a fagocitose e a digestão intracelular de bactérias (opsoninas), os que interagem com os componentes do complemento sérico para lesar a membrana bacteriana e, assim, provocar bacteriólise (lisina) ou os que impedem a proliferação de víras infecciosos (anticorpos neutralizantes).

Recentemente, foram reconhecidos os anticorpos que interagem com componentes da superfície das bactérias para impedir a adesão às superfícies mucosas (antiadesinas). Alguns anticorpos podem não ser protetores: ao “bloquear” a reação de anticorpos protetores com o antígeno, podem, na verdade, de-primir as defesas do hospedeiro.

Os antígenos reagem com anticorpos na corrente sanguínea, no líquido extracelular e nas superfícies mucosas. Os anticorpos podem não alcançar rapidamente os sítios intracelulares de infecção, nos quais ocorre replicação viral. Entretanto, mostram-se eficazes contra numerosas doenças virais através de dois mecanismos: (1) ao interagir com o vírus antes de sua penetração intracelular inicial e (2) ao impedir os vírus de replicação local de sofrer disseminação de seu local de entrada para um órgão-alvo importante, como no caso da disseminação do poliovírus do trato gastrintestinal para o sistema nervoso central, ou do vírus da raiva da ferida da punção para o tecido neural periférico. Os linfócitos que atuam isoladamente e os anticorpos que interagem com células K efetoras linfóides ou monocíticas também podem reconhecer alterações de superfície nas células infectadas por vírus, destruindo essas células infectadas “estranhas”.

1.1 Imunização de Profissionais da Saúde

O risco da transmissão de infecções na prática de profissões da saúde, embora não esteja epidemiologicamente estabelecido, pode ocorrer tanto do paciente para o profissional quanto do profissional para o paciente. Uma vez que, em sua prática, há exposição e microorganismos presentes nas mucosas oral, na nasal e auditiva, na saliva e no sangue.

A integração dos profissionais de saúde, despertou a necessidade de adoção de protocolos e procedimentos de controle de infeção em suas diversas áreas de atuação (Souza, Tanigute & Tipple, 2000).

O evento da síndrome da imunodeficiência humana (AIDS), na década de 80, foi um marco para a biossegurança, apesar de doenças como a hepatite B e a tubreculose já representarem risco real para os profissionais da área de saúde (PAS). A Aids contribuiu de maneira significativa para a tomada de consciência e busca de meio a barrar a transmissão de doenças infectocontagiosas nas práticas em saúde (Tipple, 2000)

Vários estudos tem colaborado para identificar possíveis vias de transmissão de doenças infectocontagiosas, as quais incluem o contato direto com secreções orgânicas e ainda indiretamente por meio de artigos e superficíes contaminados.

Considerando que os indivíduos infectados não podem ser identificados na rotina diária, quanto ao seu estado de saúde geral, as medidas e protocolos de controle de infecção devem depender do procedimento e não do ambiente e do paciente a ser atendido (CDC, 1987; GARNER, 1996).

Recomenda-se, portanto, que um conjunto de medidas sejam adotadas por todos os centros de saúde, na assistência aos pacientes atendidos em instituições de saúde. Deve-se considerar todos eles como potenciais portadores de doenças infectocontagiosas, (OMS, 1992; GARNER, 1996).

São consideradas precauções-padrão (PP) (GARNER, 1996) no controle de infecção; a imunização dos profissionais, a lavagem das mãos, o uso de equipamentos de proteção individual (EPl), cuidados especiais para prevenir exposições acidentais a sangue e a outros fluidos corporais provocados por instrumentos perfurocortantes e o processamento de artigos e superfícies.

Preconiza-se conforme matéria divulgada que

“Os profissionais da área de saúde (médicos, enfermeiros, dentistas, auxiliares de enfermagem, atendentes, assistentes sociais e demais pessoas que trabalham nesta área), sejam em hospitais, postos de saúde, ambulatórios ou outros locais afins, deveriam saber, a todo o momento, seu nível imunitário relativo às infecções que fazem parte do seu cotidiano. Mas, na prática, não o sabem e, algumas vezes, até desconhecem as possibilidades de proteção vacinal disponível atualmente. Na prática, o profissional de saúde recém-contratado deveria ter em sua ficha médica admissional, dados precisos quanto ao seu “status imunitário”. Na ausência destes dados, ou constatada uma inadequada proteção, deveriam contar, imediatamente, com um plano de imunização a ser executada.Isto porque o profissional de saúde está exposto a um risco maior de adquirir determinadas infecções, imunologicamente preveníveis, que a população geral. A instituição e a manutenção de programas de imunização não apenas reduz substancialmente o número de profissionais suscetíveis a colegas de trabalho e aos próprios pacientes institucionalizados”. (Disponível em http://www.selobiologica.com.br/imunizacao.asp. Acessado em Fev de 2008).

Assim salienta-se que é importante as precauções-padrão (PP) para o risco biológico individual, coletivo e ambiental, que mais se relacionam com a prática profissional da saúde.

O agente utilizado para imunização ativa é denominado antígeno, imunógeno ou vacina. Pode consistir em vírus vivos atenuados (vírus do sarampo) ou bactérias (bacilo de Calmette-Guérrin) [BCG]) ou em microrganismos mortos (Vibrio cholerae).

Pode consistir também em algum produto bacteriano inativado (toxóide tetânico) ou num componente específico de bactérias (polissacarídeo de Neisseria meningitidis). Este componente polissacarídico pode ser conjugado a uma proteína para produzir imunogenicidade numa idade mais precoce (Haemophilus influenzae conjugado). Pode consistir num segmento de DNA recombinante (víras da hepatite B), caso em que deve ser expresso em outra célula viva (levedura, Escherichia coli). Em cada um desses casos, a vacina habitualmente contém  além do antígeno desejado  outros ingredientes, incluindo outros antí-genos, líquidos em suspensão que podem ser complexos e conter ingredientes protéicos próprios (cultura tecidual, gema de ovo), conservantes e adjuvantes para aumentar a imunigenicidade (alumínio, conjugado protéico). Podem ocorrer reações indesejáveis não apenas contra o próprio antígeno, mas também contra esses componentes adicionados.

Em geral, a imunização ativa com microrganismos vivos é superior à imunização com vacinas de microrganismos mortos, induzindo uma resposta imunológica duradoura. Uma única dose de vacina com vírus vivo atenuado é frequentemente suficiente para obter uma imunização segura. São recomendadas múltiplas imunizações contra o poliovírus em caso de infecção enteroviral intercorrente ou quando a interferência entre três tipos de vírus administrados simultaneamente na vacina trivalente impede por completo a imunização primária bem-sucedida.

Relata Grossman et al (2004, p. 611) que

A persistência da imunidade a muitas infecções virais pode ser explicada através da exposição natural repetida a novos casos na comunidade, em conseqiiência do estímulo antigênico geralmente acentuado proporcionado pela infecção por um agente vivo ou através de outros mecanismos, como a persistência de vírus latente.

Todos os materiais de imunização microrganismos vivos, em particular  devem ser adequadamente conservados para que mantenham sua eficácia. As falhas graves na imunização contra varíola e o sarampo resultaram de refrigeração inadequada das vacinas antes de seu uso.

Desta forma a imunização ativa primária produz um nível de anticorpos protetores mais lentamente do que o período de incubação da maioria das infecções e por conseguinte, deve ser afetada antes da exposição ao agente etiológico. Por outro lado. a reimunização de “reforço” num indivíduo previamente imune produz um rápido aumento secundário (anamnético) na imunidade.

A infecção prévia também pode alterar significativamente a resposta a uma vacina inativada. Assim, por exemplo, voluntários que se recuperaram da cólera ou que vivem numa área endêmica respondem à imunização parenteral com um aumento nos níveis de IgA secretora anticólera, o que não é observado em indivíduos controle imunizados.

A via de imunização pode representar um importante determinante no sucesso da vacinação, particularmente quando são utilizados imunógenos que não se replicam. Assim, a imunização intranasal ou por aerossol, que estimula a imunidade da mucosa quase sempre parece ser mais bem sucedida do que a injeção parenteral contra agentes virais ou bacterianos respiratórios.

Deve-se utilizar a via de administração recomendada pelo fabricante e aprovada pela FDA. As vacinas que contêm adjuvantes, como hidróxido de alumínio, devem ser sempre administradas por via intramuscular profunda, sendo o local ideal a porção ântero-lateral da parte superior da coxa, e não por via subcutânea.

A época de imunização primária, o intervalo entre as doses e a época das injeções de reforço baseiam-se tanto em considerações teóricas quanto em estudos clínicos empíricos de vacinas. As recomendações assim formuladas devem ser seguidas rigo-rosamente. Muitos fatores estão envolvidos.

Devido à natureza clonal da imunidade, é possível e, com efeito, já é de prática comum administrar simultaneamente diversos antígenos diferentes. Alguns antígenos são pré-misturados (sarampo, caxumba, rubéola [MMR] e difteria, coqueluche, tétano [DPT], enquanto outros podem ser administrados no mesmo dia em diferentes locais (MMR e varicela zoster [VZV]). Entretanto, as vacinas que não são administradas no mesmo dia devem sê-lo com intervalo de pelo menos 1 mês.

A esplenomectomia pode comprometer acentuadamente a resposta humoral primária a antígenos timo-independentes, como polissacarídeos bacterianos, embora muitos pacientes esplenectomizados respondam normalmente a antígenos polis-sacarídicos, devido ao priming por exposição natural antes da esplenectomia.

Ao administrar vacinas por via subcutânea ou intramuscular, é essencial puxar para trás o êmbolo da seringa antes de se injetar o material para assegurar que o produto não será injetado por via intravenosa, resultando em menor efeito imunizante e aumen-to das reações adversas. É particularmente importante utilizar uma agulha suficientemente longa (em geral > 2,5 cm) para a injeção intramuscular de vacinas contendo adjuvantes (adsorvidas em alume [fosfato de alumínio]) para evitar a ocorrência de necrose subcutânea.

A via intradérmica de imunização está sendo intensamente estudada como meio de obter uma resposta imunológica mais precoce ou mais acentuada com a mesma quantidade de antígeno ou para induzir uma resposta imunológica satisfatória com uma menor quantidade de antígenos de elevado custo, como a vacina contra a hepatite B e a vacina anti-rábica.

2 A VISÃO SOCIOLÓGICA DO TRABALHO DO PROFISSIONAL DA SAÚDE

 

A palavra “trabalho” vem do latim trepalium, que consistia em um instrumento feito de três paus aguçados, algumas vezes munidos de pontas de ferro, usado pelos agricultores para bater o trigo. E da América, foi levado para a Europa pelos espanhóis e depois por portugueses.

A maioria dos dicionários que abordam palavras em latim, registram que a palavra trepalium se liga ao verbo do latim vulgar tripare que significa torturar.

Na Enciclopédia Barsa (1995 Vol. 13), o trabalho significa a atividade consciente e social do homem com vistas a transformar o meio em que habita, segundo suas próprias necessidades. Assim, o homem, distinto dos outros animais, não somente procura se adaptar ao meio natural para sobreviver nele, mas também procura transformá-lo, com a perspectiva de melhorar cada vez mais as suas condições de existência. A sua própria condição orgânica determina o trabalho como atividade racional, o que não ocorre com os outros animais, pois, o trabalho humano é eminentemente criador, porque, o homem desenvolve constantemente novos meios de trabalho na tentativa incessante de fazê-lo progredir. Porém, esse processo é lento. Outra característica que diferencia o trabalho humano da atividade dos animais consiste na fabricação e utilização de instrumentos capazes de ajudar o homem em seu trabalho cotidiano.

Para Marx em O Capital os trabalhos úteis ou atividades produtivas, consistem em uma verdade fisiológica, pois, são funções do organismo humano, sendo que, cada uma dessas funções, qualquer que seja seu conteúdo ou forma, é essencialmente dispêndio de cérebro, nervos, músculos, sentidos e.t.c, humanos (p.70). Ou seja, o trabalho consiste em atividade resultante do dispêndio de energia física e mental, direta ou indiretamente, direcionada a produção de bens e serviços, contribuindo para a reprodução da vida humana individual e social.

Arendt (1981) distingue labor de trabalho. Em sua concepção o labor significa a atividade correspondente ao processo biológico do corpo humano, cujo crescimento espontâneo, metabolismo e eventual declínio está ligado às necessidades vitais produzidas e introduzidas pelo labor no processo da vida, sendo a condição humana do labor a própria vida. Já o trabalho consiste na atividade correspondente ao artificialismo da existência humana, uma existência não necessariamente contida no eterno ciclo vital da espécie. O trabalho produz um mundo artificial de coisas, nitidamente diferente de qualquer ambiente natural, e, dentro de suas fronteiras habita cada vida individual.

O trabalho dentro da história da humanidade tem assumido, em diferentes épocas históricas, conceitos e importâncias distintas. Vale dizer que, a palavra trabalho como conhecemos hoje, é fruto da modernidade, como também a forma como nós o conhecemos, colocamos em prática e o temos no centro da vida individual e social, são concepções que culminaram com a Revolução Industrial, fazendo com que, a partir de então, as sociedades fossem conceituadas como “sociedades do trabalho”. (ARENDT, 1981)

Na Antiguidade Grega o trabalho era visto de forma negativa, à medida que o homem carecia do trabalho para suprir suas necessidades vitais, ele não possuía tempo para o ócio intelectual.

Para Aristóteles, o trabalho era concebido como um elemento aprisionador do individuo a uma vida inferior, já que o impedia de se dedicar a uma espécie de vida considerada superior, em que as ocupações estariam direcionadas às necessidades da alma e não do corpo, do intelecto. Dentro de cada individuo existiria dois elementos fundamentais que o definiria como comandante ou comandado, o corpo e a alma. Para que o individuo se tornasse comandante, sua alma deveria governar o seu corpo e não o inverso. Dessa forma, seria livre o homem que conseguisse a independência das necessidades vitais de seu corpo e das relações atreladas a esta, ou seja, aquele que não precisasse trabalhar a terra e nem comerciar para sobreviver. (ARISTÓTELES, 1985)

Além disso, conforme o individuo estivesse preso ao trabalho para manter suas necessidades básicas, ele automaticamente estaria impedido de fazer parte da esfera pública, em razão de participar desta somente aqueles que haviam se emancipado das necessidades do corpo físico, os superiores. (ARISTÓTELES 1985)

Para que o indivíduo pudesse fazer parte da polis e exercer a vida publica e política, precisaria possuir propriedade privada, riqueza e escravos. Com essas possessões ele poderia usufruir desses privilégios sem precisar se dedicar ao trabalho, e, quanto mais escravos possuía mais liberto do trabalho físico ficaria, destinando esse tipo de trabalho aos seres “inferiores”: Para Aristóteles “a utilidade dos escravos pouco difere da dos animais; serviços corporais para manter as necessidades da vida são prestados por ambos, tanto pelos escravos quanto pelos animais domésticos” (ARISTÓTELES 1985, p. 19).

Verifica-se então que, o trabalho na sociedade grega antiga consistia em um fator de inferiorização do indivíduo, não sendo concebido como elemento central e permanente na vida dos homens, era visto como algo transitório, do qual era primordial que o indivíduo se libertasse, para atingir o que era realmente importante, a emancipação da alma, a vida intelectual plena.

Na Idade Média, no âmbito intelectual, se destacou Santo Agostinho (V) e São Tomás de Aquino (XIII). Eram filósofos que traduziam o credo cristão através das referências dos filósofos gregos Platão e Aristóteles, que influenciaram suas reflexões sobre o homem. Com isso, o trabalho era pensado de forma semelhante, mas com algumas alterações, pois, para Santo Tomás de Aquino o trabalho era árduo, mas não deixava de ser um bem. O labor acentuava, sobretudo, a pena física e moral, sendo uma conseqüência do pecado original, ou também, uma oferenda a Deus de todo o esforço humano.

À medida que se expandiam as relações comerciais e urbanas, que ocorria a abolição dos laços servis, o aparecimento e desenvolvimento da classe burguesa e o capitalismo comercial (corresponde à etapa de transição do modo de produção feudal para o modo de produção capitalista que se estende da crise do sistema feudal à Revolução industrial, coexistindo variadas formas de produção articuladas pelo capital mercantil) ganhava força, a sociedade européia se transformava, adquirindo características mais seculares. Nesse contexto, foi se gerando uma seqüência de inovações, de forma gradativa, até culminar no Renascimento e na emergência da sociedade moderna. Um complexo movimento de natureza filosófica, científica e artístico-cultural, que despontou no século XV, revolucionando grande parte da Europa Ocidental e lançando as bases de uma concepção positiva do trabalho.

Nesse processo de positivação do trabalho contribuiu consideravelmente a Reforma Protestante (XV), através do desenvolvimento de uma ética religiosa do trabalho. Segundo Max Weber (1983), para o protestante o trabalho era a melhor maneira do homem não se enveredar pelos caminhos que poderiam colocar sua fé em dúvida, além de ser a melhor forma de servir a Deus, pois, as oportunidades profissionais deveriam ser todas bem aproveitadas, através da realização de um trabalho com base na vocação, por serem dádivas de Deus aos homens. Com isso:

[...] nem o rico pode comer sem trabalhar, pois mesmo que não precise disto para o seu sustento, ainda assim prevalece o mandamento de Deus, que deve ser obedecido por ele, tanto quanto pelo pobre. Isto porque todos, sem exceção, recebem uma vocação da Providencia Divina, vocação que deve ser por todos reconhecida e exercida. (WEBER, 1983, p. 114).

Foi também com a Revolução Científica que tomou forma no período do Renascimento que através de contínuas inovações tecnológicas culminaram no século XVIII na Revolução Industrial. Essa, de início foi um fenômeno tipicamente inglês. Consistiu, principalmente, na passagem de um sistema de produção marcadamente agrário e artesanal para outro sistema de cunho industrial, em que predominariam as fábricas e a maquinaria.

As inovações tecnológicas foram sucessivas, com o surgimento de máquinas modernas, a utilização do vapor como fonte de energia, a obtenção e o trabalho de novas matérias-primas, que ativaram de forma crescente a metalurgia e a indústria química. As transformações promovidas por ela vieram a consolidar a passagem do capitalismo comercial para o capitalismo concorrencial (emergiu quando o capital acumulado na circulação de mercadorias foi aplicado na produção, determinando o surgimento de um grande número de indústrias). No sistema capitalista concorrencial se desenvolveu, de forma acelerada, a produção industrial em massa, as relações sociais dependentes do dinheiro e da propriedade privada dos meios de produção e a livre concorrência com a predominância da indústria sobre o comércio.

No contexto da Revolução Industrial, gradativamente ia se gestando a promoção do trabalho, da mais humilde e desprezível posição, a um caráter glorioso na vida humana. Um conceito que inicia com o pensador inglês iluminista John Locke , pois, esse acreditava que o trabalho versava na fonte de toda a propriedade. Em sua concepção, o trabalho não consiste somente em uma forma imposta à matéria. Ele cria um novo objeto. Assim, o trabalho é basicamente a fonte de valor, sendo ele que dá a todas as coisas o seu próprio valor.

Esta conceitualização de trabalho une aspectos separados até então, colocando no mesmo campo o fazer e o agir, e engaja, do físico ao moral, o indivíduo por completo, pois, “são John Locke e Adam Smith que desfazem a imagem negativa do trabalho como patrimônio da pobreza, como fardo exclusivo dos que não possuem propriedade, e o definem como fonte de toda a atividade criadora de riqueza” (apud BRESCIANI, 1994, p. 15).

As idéias de Locke foram retomadas quando Adam Smith afirmou que o trabalho era a fonte de toda a riqueza. Num contexto histórico em que emergiram várias discussões em defesa do liberalismo econômico dando o tom a economia política (XVIII e XIX). Nesse momento, vários teóricos passaram a acreditar que o valor na economia girava unicamente em torno do trabalho, tanto o agrícola, quanto o industrial. (BRESCIANI, 1994)

Percebendo o avanço da modernidade o economista Adam Smith buscou romper com a predominância do mercantilismo (política econômica que guiava o comércio, regulado pelo Estado), predominante ainda no início do século XVIII, em grande parte da Europa. Dessa forma, ele procurou esclarecer que a riqueza das nações se originava do trabalho dos indivíduos, movidos por seus interesses particulares, que promoviam em conjunto à ordem e o progresso da nação. (BRESCIANI, 1994)

Assim, a riqueza de uma nação dependeria basicamente da produtividade baseada na divisão do trabalho, ou seja, para Smith “o trabalho anual de toda nação é o fruto que originalmente lhe fornece todas as necessidades da vida que anualmente consome, e que consiste sempre ou no produto imediato desse trabalho, ou naquilo que é comprado com esse produto, das outras nações” (SMITH, 1981, p. 35).

Karl Marx (1988) foi além das teorias econômicas clássicas ao elaborar a teoria da mais valia, além de identificar no trabalho não só a fonte de todo o valor, mas principalmente, o seu caráter social, por meio de uma minuciosa rede de conceitos e distinções. Além disso, Marx soou o primeiro alarme de alerta em meio a toda essa glorificação do trabalho. Conforme ele analisou o modo de produção capitalista, encontrou fundamentado neste a alienação do trabalhador, ligada estritamente à propriedade privada, e trouxe à tona o fetichismo da mercadoria, com o alheamento do homem diante do que produz.

Segundo ele, com as relações sociais determinantes, estruturadas sobre a propriedade privada capitalista e a força de trabalho vendida em troca do salário, começam a se gestar as condições para que as necessidades humanas se alienem sob três níveis.

O trabalhador assalariado aliena-se da sua própria relação com a natureza, pois, “o trabalho é um processo entre o homem e a natureza” (Marx, 1988, p. 71), ao se inserir em um jogo de relações em que ele próprio se torna um objeto e o produto de seu trabalho se torna estranho a ele, não pertencendo mais a esse produtor, ele se distancia daquela concepção de ligação entre natureza e trabalho.

Ele também se aliena de sua atividade, pois o trabalho deixa de ser a ação imbricada à vida para converte-se em um meio de vida. Ele vende sua força de trabalho e fabrica um produto para o comprador, não por prazer, mas por meio de sobrevivência, alienando o produto de seu trabalho e conseqüentemente seu trabalho. Ao alienar-se de suas atividades capazes de humanizá-lo, ele aliena a si próprio. (MARX, 1988)

A observação em qualquer ambiente de trabalho leva a identificação de uma relativamente grande de informações relacionadas a qualidade de vida no trabalho. Há inquietudes, individuais e coletivas, quanto a pressões, conciliação de expectativas entre trabalho, família e consumo, sinais de estresse, hábitos alimentares e cuidados físicos, estilos de vida, impactos tecnológicos. Tudo desperta para a vontade de bem estar no trabalho. Esses fatos provocam novas atitudes das empresas e mudanças no modo de vida das pessoas, abrindo espaços continuamente para a discussão e a busca de qualidade de vida dentro e fora do trabalho. (MARX, 1988)

Com relação a temática do trabalho, pode-se fazer uma analogia entre o passarinho conhecido comumente pelo nome de João de barro e o ser humano. Ao ver o joão de barro construindo a sua casinha e o outro João, mestre de obras, construindo um prédio, poderia dizer que ambos estão trabalhando.

Mas a diferença fundamental entre o João de barro e o João é que este, por pertencer a espécie humana, é o único capaz de projetar suas ações no plano da consciência, ao contrário do João de barro, que age extremamente por instinto, construindo sempre da mesma forma.

“isso significa que, pelo trabalho, o homem se auto produz. Enquanto o animal permanece sempre o mesmo na sua essência, já que repete os gestos comuns a espécie, o homem muda as maneiras pelas quais age sobre o mundo, estabelecendo relações também mutáveis, que por sua vez alteram sua maneira de perceber, de pensar e de sentir”. (ARANHA; MARTINS, 1997, p. 5)

IAMAMOTO (1999, p. 60) afirma que o trabalho é o selo distintivo da atividade humana, seja um trabalho manual, intelectual ou artístico, porque ao realizar um trabalho  homem é capaz de projetar na sua mente o resultado a ser obtido, além de construir seus próprios instrumentos de trabalho.

Assim sendo, vê-se que o trabalho possui uma dimensão teleológica e é através do trabalho que “o homem se afirma como um ser social e, portanto, distinto da natureza” (IAMAMOTO, 1999, p. 60)

O trabalho é um direito social, assegurado pela Constituição Federal do Brasil em seu Art. 6º: “São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção a maternidade e a infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.” Também no Art. 193 encontra-se que “a ordem social tem como base o primado do trabalho, e como objetivo o bem estar e a justiça social.” A Constituição em seu Título I, DOS PRINCIPIOS FUNDAMENTAIS, Art. 1º, coloca que a “República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: (…) IV – os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa.” (BRASIL, 2000, p. 12

No que concerne ao conceito de trabalho e sua concepção, MACHADO e MACHADO (1999) expõem que:

O conceito de trabalho subordina-se às necessidades humanas – da sobrevivência humana enquanto espécie. Conseqüentemente, [sic] implica uma concepção onde o trabalho é configurado como uma necessidade: trabalho necessário para a vida do homem. Mas nem todo produto do trabalho tem, necessariamente uma utilidade imediata de uso para quem o realiza, o que pode conferir ao trabalho uma utilidade de troca. Em outras palavras, produz-se para satisfazer as próprias necessidades, e produz-se para satisfazer as necessidades dos outros homens.

Estes mesmos autores continuam afirmando que:

neste raciocínio, (ainda desconsiderando os parâmetros da sociedade capitalista), é o trabalho que constrói e reconstrói as necessidades humanas; é pelo trabalho que o homem se vê e se coloca como membro partícipe de uma sociedade; é pelo trabalho que ele estabelece relações com outros homens – relações que não se reduzem ao processo de trabalho em si, mas que se configuram como relações sociais. (MACHADO; MACHADO, 1999)

Deste modo, o trabalho não é só trabalho em si. Configura num estabelecimento de relações sociais com os outros, mesmo que indiretamente. Portanto, vê-se uma forte ligação entre o trabalho e as relações sociais dos indivíduos entre si. Complementando, MAURO (1999, p.137) coloca que “a atividade de trabalho não envolve somente as relações do indivíduo com o produto desta atividade, mas envolve também suas relações com as outras pessoas. Estas relações influenciam o comportamento. as expectativas, os projetos de vida, a afetividade e a vida psíquica do indivíduo.” Às vezes o relacionamento interpessoal no trabalho pode tornar-se um estressor para as pessoas.

Dada a importância que o trabalho possui para o ser humano, ele tem sido estudado por diversos ramos da ciência, constituindo-se hoje em uma área multidisciplinar. Estudos realizados no âmbito da Saúde Mental do Trabalho se intensificaram a partir da década de 80. (CARDOSO, et al, 1999, p. 61) e nesta área o stress tem recebido uma atenção especial, constituindo-se tema de constantes pesquisas.

2.1  A relação Profissional e Paciente

De Acordo com BERTASSO (1998, p. 30) apesar dos avanços na área do diagnóstico e do tratamento, relações mais simétricas entre clientes, profissionais da saúde e instituições, parece-nos ainda não terem avançado suficientemente. São muitas as situações do cotidiano profissional que demonstram uma relação, predominantemente autoritária, paternalista e de obediência. A cidadania pressupõe igualdade de direitos, implica uma relação recíproca de respeito aos direitos e deveres entre os cidadãos e o Estado. A participação dos envolvidos nesse espaço pode significar a redistribuição dos direitos a todos, evitando a transformação do outro em objeto.

Para LUNARDI (1997, p. 10) O profissional, freqüentemente, de posse da informação, do conhecimento técnico-científico, tem exigido obediência, por parte dos clientes, para suas prescrições e orientações, visando à modificação de seus hábitos, como aparente pré-requisito para melhorar e assegurar a sua saúde.

Desta forma percebe-se que diversos fatores têm contribuído para manter o cliente numa relação de dependência para com o profissional da saúde: a falta de informação sobre seu próprio processo saúde-doença; as diferenças de linguagem entre o cliente e o profissional, sem que seja feito um esforço mais significativo, por sua parte, no sentido de modificar esta relação assimétrica; a estrutura organizacional das instituições de saúde, dentre outros. (GERMANO, 1993, p. 20).

Percebemos então uma prática onde muitas vezes, informações vêm sendo sonegadas por profissionais, envolvidos em múltiplos afazeres, exercendo funções que, necessariamente, não são suas, alegando não dispor de tempo suficiente, ou, quem sabe, não priorizando esse momento de interação, de troca de experiências e de informações. (SELLI, 1998, p. 40)

Por outro lado, o saber do cliente sobre si, sobre sua vida, seu modo de se cuidar, seu problema vivido, freqüentemente, também, não tem encontrado espaço para ser veiculado, seja por “falta” de tempo, de interesse, de reconhecimento do seu valor e importância.

A condição de enfermidade gera sentimentos como incapacidade, dependência, insegurança e sensação de perda do controle sobre si mesmo. Os doentes encaram a hospitalização como fator de despersonalização por reconhecerem a dificuldade para manter sua identidade, intimidade e privacidade. O ambiente hospitalar é estressante por diversos fatores, essencialmente ao doente, por perder o controle sobre os que o afetam, e dos quais depende para a sua sobrevivência. Além disso, a internação é angustiante por evidenciar a fragilidade a que estão sujeitos, devido à exposição emocional e física.

Sendo assim o profissional de saúde em constante contato com o paciente durante a hospitalização, é imprescindível circunstanciar sobre a conduta principalmente de enfermeiros no sentido de resguardar esses direitos. A medicina procura preservar a intimidade e a privacidade dos pacientes usando biombos, cobrindo partes do corpo que não precisam ficar expostas durante um procedimento e solicitando que familiares/visitas retirem-se do quarto/enfermaria ao realizar um cuidado, caracterizando essa tentativa de proteção como um gesto humanitário e de respeito.

Essa ação pode representar uma atitude de defesa à fragilidade, resgatando o instinto humanitário, sentimento forte nesses profissionais, ou simplesmente uma atitude que facilitará a assistência de enfermagem, dificultando a intervenção ou questionamento dos familiares.

Com tantos problemas acontecendo nesta área da saúde, começam a surgir uma preocupação da sociedade, questionando-se quanto ao seu papel como clientes e consumidores dos serviços de saúde e, através de alguns movimentos, vêm tentando defender seus direitos. No Brasil, dentre outros, a criação do Código de Defesa do Consumidor significou um avanço, pois estabelece normas de proteção e defesa do consumidor, de ordem pública e social. O código prevê, ainda, aspectos que devem ser observados quanto à qualidade de produtos e serviços, bem como a prevenção e reparação de danos causados ao consumidor, através da responsabilização do profissional e/ou da instituição que forneceu tal serviço.

2.2  A HUMANIZAÇÃO, SOFRIMENTO E O ESTRESSE PROFISSIONAL: TRÊS IMPORTANTES VERTENTES NA VIDA DO PROFISSIONAL DE SAÚDE A SER IMUNIZADO

A humanidade, está percebendo que o respeito à pessoa é condição para a sua própria sobrevivência e os movimentos ecológicos têm cada dia novos simpatizantes. Não se trata de fazer concessão à pessoa, mas sim reconhecer sua posição como centro de referência do mundo que ela administra e das organizações que ela constrói, sobretudo das que para ela se destina como é o caso dos hospitais, que tem na pessoa do enfermo sua própria razão de ser. Não se trata, tão pouco de imposição de valores morais e de princípios religiosos específicos de determinados grupos. Trata-se do respeito à dignidade intrínseca da pessoa humana e da garantia de seu direito fundamental a vida e a saúde. (MEZOMO, 1995, p. 275)

Ainda de acordo com MEZOMO (1995, p. 276) a humanização significa tudo quanto seja necessário para tornar a instituição adequada à pessoa humana e a salvaguarda de seus direitos fundamentais.

A humanização não se confunde com iniciativas isoladas e esporádicas de caráter promocional da figura do paciente. Ela supõe uma política administrativa integrada e permanentemente centrada no atendimento personalizado do paciente. Ela supõe um perfeito entendimento pelos administradores das expectativas e necessidades dos pacientes que, para tanto, devem ser consultados através de um sistema eficaz de comunicação. (MEZOMO, 1995, p. 276)

Os usuários dos estabelecimentos de saúde são de várias categorias. Os pacientes, razão de um hospital e ponto de convergência de todas as atividades, divide-se em externos, que após registro, recebem assistência necessária básica ou de emergência, e internos que passam a ocupar um leito após admissão.

Segundo FOUCALT (1995, p. 314),

A percepção espacial lida com a nossa capacidade de ver e apreciar superfícies, espaços, formas, fechamentos e atividades. Sendo uma interpretação das sensações. A percepção está relacionada com os sentidos de cada um. Acreditam os psicólogos e os fisiologistas que a percepção dos objetos ou de pessoas não é um mero processo de ver o que existe, ela é sempre seletiva, independentemente do modo como percebemos um objeto no mundo físico.

De acordo com a citação do autor subentende-se que nossos órgãos sensoriais são incapazes de receber e interpretar todas as características físicas do objeto e que nosso aparelho cognitivo é incapaz de processar todas as informações, ainda que nossos órgãos sensoriais tivessem aquela capacidade.

Já GOLDSTEIN (1983, p. 84) afirma que não vemos tudo o que há para ver, nem ouvimos tudo o que há para ouvir; que nossos olhos e ouvidos respondem a uma faixa limitada de ondas luminosas e sonoras; que o corpo se sente bem numa faixa estreita de temperaturas; que todo o nosso aparelho sensorial parece estruturado para limitar a estimulação e restringir nossa faixa de experiências, ele está explicando que os “nossos órgãos sensoriais” simplificam o ambiente físico, da mesma forma como nosso aparelho cognitivo nos ajuda a simplificar e organizar.

Preceitua Nogueira (2003) que quando falamos em “sofrimento”, pensamos imediatamente em um corpo vivo, dotado de estrutura e partes articuladas. Apenas organismos deste tipo podem efetivamente sofrer. Os humanos também sofrem emocionalmente, por terem sentimentos e valores, possuírem uma subjetividade, uma psique, uma estrutura de personalidade. Aplicada à sociedade ou as organizações, a idéia sugere um movimento de pessoalização, de conversão daquilo que é composto por pessoas em algo que é, ele próprio, uma pessoa. Posição no mínimo discutível, mas que tem largo trânsito no mundo das ciências sociais.

Boa parte da história do pensamento social transcorreu sob a influência do fisiologismo: a sociedade seria um tipo específico de ser vivo, de organismo, e poderia ser estudada a partir de analogias com o corpo humano. Haveria tanto uma morfologia quanto uma fisiologia a serem consideradas. O organismo teria músculos e estrutura física, partes e sistema, uma materialidade e uma consciência coletiva, uma moral comum, normativa. Poderia, portanto, “sofrer” ou “viver feliz”, do mesmo modo que deveria ser estudado objetivamente e, quando debilitado, ser abordado mediante diagnósticos e terapias criteriosas. (NOGUEIRA, 2003, p.148)

Neste ambiente salienta-se que o estresse do trabalho configura-se como “a condição na qual algum fator ou combinação de fatores no trabalho interagem com o trabalhador para desestruturar seu equilíbrio, fisiológica ou psicologicamente” (MARGOLIS; KROES, 1974, p.26).

            A maior parte dos profissionais vivenciam o estresse em seus ambientes de trabalho. Ele pode estar relacionado à realidade do cotidiano do local de trabalho. A reação do profissional a um estressor relacionado ao trabalho depende da personalidade do indivíduo, estado de saúde, experiência prévia de estresse e mecanismos de enfrentamento (POTTER; PERRY, 2001).

            O estresse do trabalho é freqüentemente associado à condição chamada “explosão”, a qual é caracterizada pelo esgotamento emocional, físico e espiritual. No ambiente de trabalho, um indivíduo que vivencia uma fase de “explosão” pode se isolar dos outros, exibir sentimentos negativos em relação a terceiros, faltar muito ao trabalho e efetuar as tarefas do trabalho de maneira menos eficaz (CLAUS; BAILEY, 1980).

                                      O estresse é um estado produzido por uma modificação no ambiente que é percebida como desafiadora, ameaçadora ou lesiva para o ba­lanço ou equilíbrio dinâmico da pessoa. (POTTER; PERRY, 2001, p.52).

 A pessoa fica ou se sente incapaz de satisfazer às demandas da nova situação. A alteração ou estímulo que gera esse estado é o estressor. A natureza do estressor é variável; um evento ou alteração que produzirá estresse em uma pes­soa pode ser neutro para outra, e um evento que produz o estresse em um momento e local para uma pessoa pode não fazê-lo para a mesma pessoa em outro momento e local.

De acordo com Potter e Perry (2001, p.52)

uma pessoa percebe si­tuações mutáveis e lida com elas. A meta desejada é a adaptação ou ajuste à alteração de modo que a pessoa fique novamente em equilí­brio e tenha a energia e a capacidade de satisfazer às novas demandas.

            Esse é o processo de enfrentamento com o estresse, um processo compensatório com componentes Fisiológicos e psicológicos.

            Smeltzer e Bare (2000, p.86)

A adaptação é um processo constante e contínuo que exige uma alteração na estrutura, função ou comportamento, de modo que a pessoa fique mais bem adaptada ao ambiente; ela envolve uma interação entre a pessoa e o ambiente. O resultado depende do grau de “adaptação” entre as competências e as capacidades da pessoa, do tipo de suporte social disponível e dos vários desafios ou estressores a se­rem enfrentados.

Como tal, a adaptação é um processo individual, ou seja cada indivíduo apresenta capacidades variadas para enfrentar ou res­ponder. À medida que novos desafios são satisfeitos, essa capacidade de enfrentamento e adaptação pode modificar-se, proporcionando, assim, ao indivíduo uma ampla gama de capacidade adaptativa. A adaptação acontece durante todo o espectro de vida, quando o indi­víduo encontra muitos desafios de desenvolvimento e situacionais, principalmente relacionados com a saúde e doença. A meta desses encontros é promover a adaptação. Segundo Angerami (2002, p.68), “nas situações de saúde e doença, essa meta é realizada através do bem-estar ótimo”.

Como o estresse e a adaptação podem existir em diferentes ní­veis de um sistema, é possível estudar essas reações nos níveis celu­lar, tissular e orgânico. Os biólogos preocupam-se principalmente com os componentes subcelulares ou com os subsistemas do corpo todo. Os cientistas comportamentais, inclusive muitas enfermeiras pesquisadoras, estudam o estresse e a adaptação em indivíduos, famílias, grupos e sociedades; eles focalizam o modo pelo qual os as­pectos organizacionais de um grupo são modificados para satisfa­zer às exigências dos ambientes social e físico em que vivem.

A adap­tação é um processo contínuo de busca da harmonia em um ambi­ente. As metas desejadas da adaptação para qualquer sistema são a sobrevivência, crescimento e reprodução. (ANGERAMI, 2002, p.69).

Os estressores existem em muitas formas e categorias. Eles podem ser descritos como físicos, fisiológicos ou psicossociais. Os estressores físicos incluem frio, calor, ruídos e agentes químicos; os estressores fisiológicos englobam dor e fadiga. Os exemplos de estressores psico­ssociais são: o medo de falhar em um exame e perder um emprego. Os estressores também podem ocorrer como transições normais de vida que exigem algum ajuste, como passar da infância para a puberdade, casar-se ou dar à luz (SMELTZER; BARE, 2000).

            Segundo Smeltzer e Bare (2000, p.87):

Um estressor também pode ser categorizado de acordo com a duração. Ele pode ser: um estressor agudo, limitado no tempo; uma seqüência de estressores – uma série de eventos estressantes que resulta de um evento inicial; um estressor intermitente crônico, como os problemas coti­dianos; um estressor resistente crônico que persiste com o passar do tempo.

Pode-se classificar os ruídos como um agente estressor resistente crônico, pois em um Hospital, os mesmos são constantes e perduram dia após dia, pouco podendo ser feito para eliminá-los ou reduzi-los. Cada pessoa opera em determinado nível de adaptação e encontra regularmente determinada quantidade de alteração. Tal alteração é esperada; ela contribui para o crescimento e estimula a vida.

3 REAÇÕES ADVERSAS E RELAÇÃO RISCO-BENEFÍCIO DAS VACINAS

Todas as vacinas aprovadas e licenciadas demonstraram ser seguras e eficazes. Entretanto, também se constatou que cada uma delas provoca reações adversas. Algumas vezes, essas reações adversas são de ocorrência e gra-vidade mínimas, como no caso do toxóide tetânico. Historicamente, alguns agentes imunizantes produziram reações adver-sas graves a ponto de serem inaceitáveis hoje em dia; a variolização e a vacina anti-rábica original feita a partir de material da medula espinhal são dois exemplos. A vacinação contra varíola com vírus da vacina estava associada a um risco muito aceitável numa época em que a varíola representava uma ameaça iminente e grave. Todavia, com a erradicação da varíola, a relação risco-benefício da vacina é infinita. Hoje em dia, a vacina mais controvertida de uso rotineiro é a vacina de células inteiras contra a coqueluche. Exibe uma eficácia de apenas cerca de 70% para proteção, provoca reações menores com muita frequência e, em certas ocasiões, causa graves reações neurológicas. Entretanto, é ainda utilizada, visto que a relação risco-benefício permanece aceitavelmente baixa. O Japão, o Reino Unido e a Suécia testemunharam uma elevação significativa na taxa de mortalidade por coqueluche desde a interrupção do uso dessa vacina. Atualmente, esta vacina de células inteiras está sendo substituída por uma vacina acelular, que é pelo menos tão eficaz quanto a anterior, porém com menos efeitos colaterais.

3.1 Riscos peculiares das Vacinas com Agentes Vivos

Devido a seu potencial de infecção do feto, as vacinas com microrganismos vivos não devem ser administradas a mulheres grávidas, a não ser que haja um elevado risco imediato de infecção (p. ex., epidemia de poliomielite). Ao viajar para uma região onde a febre amarela é endêmica, a gestante deve ser imunizada, visto que o risco de infecção ultrapassa o pequeno risco teórico para o feto e a mãe. Entretanto, se a vacinação contra febre amarela estiver sendo efetuada apenas para cumprir uma exigência legal para viagem internacional, a mulher deve procurar obter isenção com uma declaração de seu médico.

As vacinas com microrganismos vivos podem causar doença grave ou até mesmo fatal no hospedeiro imunologicamente incompetente. Em geral, não devem ser administradas a pacientes em uso de corticosteróides, agentes alquilantes, radiação ou outros agentes imunossupressores e nem a indivíduos com defeitos congênitos ou adquiridos da imunidade celular suspeitos ou comprovados (p. ex., doença por imunodeficiência com-binada grave, leucemias, linfomas, doença de Hodgkin e infec-ção por HIV). Os pacientes com hipogamoglobulinemia pura e imunidade celular normal geralmente toleram bem as infecções virais e vacinas, porém apresentam uma taxa 10.000 vezes maior de complicações paralíticas em relação a um caso por milhão de receptores, devido, em parte, à reversão freqiiente das cepas de poliovírus atenuadas para cepas virulentas no trato intestinal. Como os receptores eliminam poliovírus vivos, a vacina não deve ser administrada a contatos domésticos desses pacientes.

Até mesmo nos hospedeiros imunocompetentes, as vacinas vivas podem resultar em doença discreta ou, raramente, grave.

As primeiras vacinas contra o sarampo causavam febre alta e exantema numa proporção significativa de receptores. A artralgia ou artrite recorrentes e discretas, que podem ocorrer após imunização contra rubéola, podem representar as conseqiiên-cias de uma infecção mais secundária do que primária num indivíduo que apresenta baixos níveis de anticorpos não detectados por todos os ensaios, mas que exibe evidências in vitro de imunidade celular.

Como a passagem pelo trato gastrintestinal humano resulta, em certas ocasiões, na reversão da vacina de poliovíras atenuados, por via oral (particularmente do tipo III), para a virulência, foi constatada a ocorrência de doença paralítica em receptores ou, raramente, nos contatos não-imunes, particularmente adultos. O sucesso das vacinas antipólio com vírus vivos na prevenção da infecção natural disseminada levou ao paradoxo de que, hoje em dia, a própria vacina é responsável por grande fração dos poucos casos de poliomielite paralítica registrados anu-almente nos Estados Unidos. A vacina de víras mortos (Salk) também parece ser eficaz para abolir a poliomielite. As principais vantagens da vacina com vírus vivo (Sabin), que continua sendo utilizada a despeito do pequeno risco de paralisia (5 casos por milhão de doses em receptores não-imunes), incluem a sua facilidade de administração e resposta imunológica mais durável. É provável que, nos próximos anos, seja introduzido um esquema combinando a administração seqtiencial de am-bas as vacinas.

As vacinas com microrganismos vivos podem conter contaminantes não detectados e indesejáveis. No passado, ocorreu uma epidemia de hepatite em consequência de vacinas com vírus da vacina e contra febre amarela contendo soro humano. Mais recentemente, milhões de pessoas receberam SV40, um papovavírus símio contendo vacinas de poliovírus vivos ou inativados preparadas em cultura de tecido renal de macaco. Embora se tenha isolado um vírus estreitamente relacionado ao SV40 do cérebro de pacientes com leucoencefalopatia multifocal progressiva, uma doença degenerativa letal, não existe nenhuma história conhecida de imunização contra a poliomielite nesses casos. A suspeita de risco de câncer em crianças de mães que receberam vacina antipólio com vírus inativado durante a gravidez não foi confirmada num acompanhamento de grande número de receptores do grupo etário pediátrico durante 20 anos. Na atualidade, o SV40 pode ser detectado e excluído de vacinas virais humanas; todavia, outros vírus não detectados podem ser transmitidos por vacinas preparadas ern linhagens celulares não-humanas. Foi relatado que a vacina contra febre amarela pode ser provavelmente contaminada com vírus da leucose aviária. Foi também constatada a contaminação de vacinas com vírus vivos por bacteriófagos, e, provavelmente, endotoxinas bacterianas, embora sem nenhum risco identificado até hoje.

As vacinas de vírus vivos provavelmente não interferem no teste cutâneo de tuberculina, embora causem depressão de algu-mas medidas da função dos linfócitos.

Ao contrário das vacinas vivas, as vacinas inativadas podem ser administradas com segurança a hospedeiros imunocomprometidos, embora possam não ser confiáveis na indução de uma resposta imunológica adequadamente protetora.

3.2 Indicações Clínicas para imunização

Os procedimentos de imunização estão entre as medidas mais eficazes e econômicas disponíveis para preservação e proteção da saúde. A decisão quanto à imunização de determinado indivíduo contra um antígeno específico exige uma complexa apreciação, com base na avaliação do risco de infecçao, consequências da doença natural não modificada, disponibilidade de um imunógeno seguro e eficaz e duração do seu efeito.

O microrganismo que causa tétano é ubíquo e a vacina dirigida contra ele têm poucos efeitos colaterais e mostra-se altamente eficaz; todavia, apenas o indivíduo imunizado é protegido. Por conseguinte, a imunização deve ser universal. Por outro lado, o indivíduo não-imune que reside numa comunidade que foi bem imunizada contra o poliovírus e que não viaja tem pouca probabilidade de entrar em contato com o vírus selvagem (virulento). Neste caso, a imunidade do “grupo” protege a pessoa não imunizada, visto que o trato intestinal dos receptores da vacina anti-pólio oral não sofre colonização pelo vírus selvagem nem o transmite. Entretanto, se uma fração significativa da comunidade não está imunizada, o vírus selvagem introduzido pode circular e causar doença entre o grupo não-imune. Assim, ocorreram surtos focais de poliomielite em comunidades religiosas que são contra a imunização.

3.3 DESLOCAMENTO ANTIGÊNICO E VARIAÇÃO ANTIGÊNICA

Cada subtipo viral imunologicamente distinto exige um es-tímulo antigênico específico para proteção eficaz. A imunização contra a infecção por adenovírus não beneficiou as populações civis sujeitas a numerosos tipos diferentes de adenovíras, em contraste com o valor demonstrado da vacina dirigida contra alguns tipos de adenovírus epidêmicos em recrutas militares. De forma semelhante, a imunidade contra o vírus da influenza tipo A é transitória, devido a ocorrência de importantes mutações na química de superfície do vírus a intervalos de poucos anos (deslocamentos antigênicos). Essas alterações tornam as vacinas previamente desenvolvidas obsoletas e, assim, podem não permitir uma produção suficiente, distribuição e uso de novo antígeno a tempo para evitar a disseminação epidêmica da cepa alterada. A variação antigênica também pode constituir um importante impedimento à imunização contra a infecção pelo HIV.

3.4 ALGUMAS DOENÇAS ESPECÍFICAS

3.4.1 Coqueluche

Nos últimos 12 anos, várias vacinas acelulares utilizadas no Japão consistem em suspensões salinas de 2 ou mais antígenos: o fator de proliferação de linfócitos (toxina pertussis) tratado em formol e hemaglutinina filamentosa. O grau de proteção obtido com a vacina acdular parece ser aproximadamente idêntico ou superior ao proporcionado pela vacina de células inteiras, e as reações discretas (febre, dor) são menos freqiientes. A vacina acelular contra coqueluche (em combinação com toxóides diftérico e tetânico [DT]) foi licenciada para crianças de mais de 15 meses de idade. Sua autorização para crianças de menos ida-de aguarda a avaliação de estudos já concluídos.

3.4.2 Poliomielite

Existem duas formas disponíveis de vacina antipólio. A vacina oral de vírus atenuado (Sabin), que é utilizada nos Estados Unidos e em muitas partes do mundo, é de baixo custo, eficaz e de fácil administração. Ocorre infecção com paralisia em apenas 1 em cada 7 milhões de receptores imunodeficientes ou membros de seus contatos domésticos. A vacina com vírus morto também é eficaz, particularmente na nova forma potencializada. Requer injeção e proporciona menor duração de imunidade, porém está isenta do perigo de produzir paralisia no receptor ou em contatos domiciliares. Os indivíduos imunodeficientes devem receber a vacina com vírus morto. Os adultos que nunca foram imunizados são protegidos pela imunidade de grupo nos países desenvolvidos e, portanto, devem ser imunizados com a vacina de vírus morto antes de viajar para áreas endêmicas.

3.4.3 Hepatite A

Embora a vacina com vírus da hepatite A (HAV) tenha sido licenciada nos Estados Unidos em 1995, a doença continua sendo a infecção viral mais importante passível de prevenção através de vacinação disseminada. Recomenda-se a vacina HAV de

rotina para todos os grupos de alto risco, incluindo pessoas que viajam para países com doença endêmica, homens homossexuais sexualmente ativos, usuários de drogas injetadas, crianças em comunidades com elevada taxa de infecção e indivíduos com
hepatopatia crônica (de\ido ao risco de insuficiência hepática aguda pelo vírus) ou distúrbios dos fatores da coagulação. Pode-se considerar a vacinação com HAV para controle da disseminação da doença para indivíduos não infectados durante surtos

da doença em comunidades ou instituições.

Recomenda-se a profilaxia após exposição com imunoglobulina (IG) anti-HAV, 0,02 mL/kg, para indivíduos expostos ao HAV dentro de 2 semanas que não foram previamente imunizados com vacina HAV pelo menos 1 mês antes da exposição. Os pacientes índice, mas não os contatos, devem ser submetidos a triagem paraIgM anti-HAV para verificar o diagnóstico. Pode-se recomendar também a administração de IG em outras situações nas quais a doença é confirmada, como contatos domiciliares ou sexuais, funcionários de creches ou pessoas que manuseiam alimentos.

3.4.4 Hepatite B

A vacina para hepatite B tomou-se disponível há vários anos e é utilizada para populações especiais  profissionais na área de saúde, lactentes de mães positivas para o antígeno de superfície. Foi amplamente adotada a recomendação de 1992 para imunização universal cqntra hepatite B na infância.

3.4.5 Influenza

A administração anual da vacina de vírus inativado para as cepas atuais do vírus da influenza continua sendo a principal forma de prevenção e redução da gravidade desta doença em populações selecionadas com risco de grave morbidade, complicações e mortalidade. Isso inclui todos os indivíduos com > 65 anos de idade; indivíduos com < 65 anos de idade que apresentam distúrbios cardiovasculares ou pulmonares crônicos, com hospitalização recente para outras doenças crônicas ou que residem em clínicas de tratamento crônico; indivíduos com s 18 anos de idade submeti-dos a terapia com aspirina a longo prazo (devido ao risco de Síndrome de Reye); e mulheres que provavelmente estarão no segundo ou terceiro trimestre de gravidez durante a estação esperada da influenza. Para evitar transmissão a estas pessoas, recomenda-se também a vacinação de todos os profissionais da área de saúde que tem contato com pacientes; funcionários de clínicas de tratamento crônico, cuidados domiciliares ou clínicas de assitência a vida; e contatos domiciliares de pessoas de alto risco.

É importante citar ainda que as demais vacinas a serem tomadas pelos profissionais sendo totalmente recomendadas são: Difteria; Tétano; Rubéola; Sarampo; Caxumba; Gripe; Tuberculose  e Varicela. Já as vacinas de indicação eventual são Hepatite A; Doença meningocócica; Doença invasiva por H. influenzae
Doença pneumocócica. Acredita-se que desta forma, a vacinação rotineira está indicada a todo o pessoal médico e paramédico com risco potencial com sangue e/ou seus derivados. A legislação trabalhista já prevê a obrigatoriedade desta imunização de até 90% nos casos de hepatite B em profissionais de saúde dos Estados Unidos, após a implantação dos progressos de imunização.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante do estudo efetuado preconiza-se que a vacinação é hoje uma importante ferramenta para a imunização dos profissionais da saúde que atuam em ambiente hospitalar, a correta vacinação oportuniza a diminuição do risco de obter as doenças imunopreviníveis.

Pois conforme preceitua Stonoga (2003) citando BRITISH STAN (1996) para que haja o correto estudo da análise de riscos em relação a situação do profissional em saúde é preciso levar em conta alguns conceitos onde então podemos citar:

  • Acidente;
  • Fatores externos
  • Perigo;
  • Identificação de perigo;
  • Objetivos de saúde e segurança;
  • Vigilância da saúde;
  • Problemas de saúde;
  • Incidente
  • Fatores internos;
  • Sistema de gerenciamento;
  • Organização
  • Risco;
  • Avaliação dos riscos;
  • Levantamento da situação.

Assim relata-se que para ocorrer uma conscientização por parte dos profissionais, hospitais, clínicas, é preciso que haja um consenso em prol da educação no trabalho como emprego correto de equipamentos de proteção, bem como a vacinação adequada para o ingresso do profissional de saúde em sua prática diária, o que raramente ocorre no Brasil.

Pois a Lei Orgânica da Saúde (Lei Federal 8080/90) regulamenta apenas os dispositivos constitucionais sobre a Saúde do Trabalhador. O artigo 6º, parágrafo 3º estabelece:

Entende-se por saúde do trabalhador, para fins desta lei, um conjunto de atividades que se destina, através das ações de vigilância epidemiológica e vigilância sanitária, à promoção e proteção da saúde dos trabalhadores, assim como visa à recuperação e reabilitação da saúde dos trabalhadores submetidos aos riscos e agravos advindos das condições de trabalho , abrangendo:

  • I – assistência ao trabalhador vítima de acidentes de trabalho ou portador de doença profissional e do trabalho;
  • II – participação, no âmbito de competência do Sistema Único de Saúde (SUS), em estudos, pesquisas, avaliação e controle dos riscos e agravos potenciais à saúde existentes no processo de trabalho;
  • III – participação, no âmbito de competência do Sistema Único de Saúde (SUS), da normatização, fiscalização e controle das condições de produção, extração, armazenamento, transporte, distribuição e manuseio de substâncias, de produtos, de máquinas e de equipamentos que apresentam riscos à saúde do trabalhador;
  • IV – avaliação do impacto que as tecnologias provocam à saúde;
  • V – informação ao trabalhador e à sua respectiva entidade sindical e às empresas sobre os riscos de acidentes de trabalho, doença profissional e do trabalho, bem como os resultados de fiscalizações, avaliações ambientais e exames de saúde, de admissão, periódicos e de demissão, respeitados os preceitos da ética profissional;
  • VI – participação na normatização, fiscalização e controle dos serviços de saúde do trabalhador nas instituições e empresas públicas e privadas;
  • VII – revisão periódica da listagem oficial de doenças originadas no processo de trabalho, tendo na sua elaboração a colaboração das entidades sindicais; e VIII – a garantia ao sindicato dos trabalhadores de requerer ao órgão competente a interdição de máquina, de setor de serviço ou de todo ambiente de trabalho, quando houver exposição a risco iminente para a vida ou saúde dos trabalhadores.”.

Está  inscrito no artigo 7o. da CF (1988) “o direito dos trabalhadores à redução dos riscos para a saúde presentes no trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança’’.

A CF define a prerrogativa exclusiva da União para legislar sobre o Direito do Trabalho e a obrigação de organizar, manter e executar a inspeção do trabalho.

Estão incluídas no campo de atuação do Sistema Único de Saúde (SUS) (art 200), nos distintos níveis:

a) execução de ações de saúde do trabalhador;

b) a colaboração na proteção do meio ambiente nele compreendido o do trabalho.

A competência privativa da União para legislar sobre Direito do Trabalho não se sobrepõe nem entra em conflito com a competência dos Estados e dos Municípios em editar, de forma suplementar, normas de proteção e defesa da saúde, em especial do trabalhador, por se situarem em campos distintos, autônomos, ainda que conexos pelo bem jurídico que se pretende proteger.

Os trabalhadores têm o direito ao trabalho em condições seguras e saudáveis não condicionado à existência de vínculo trabalhista, ao caráter e natureza do trabalho.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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