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Monografia Atividade Física Deficiência Visual

Monografia “A IMPORTÂNCIA DA ATIVIDADE FÍSICA NA DEFICIÊNCIA VISUAL”

 

Esta obra possui autoria plena, sendo permitido seu uso educacional unicamente como referêncial teórico desde que fornecidos os devidos créditos ao seu mentor intelectual.

AUTOR: GENTIL, S. de M. S.

ANO: 2008

INTRODUÇÃO

            Desde os mais pretéritos relatos humanos, a deficiência visual, congênita ou adquirida perfila-se dentre as deficiências mais debatidas e mencionadas. Em primeira mão de forma sensacionalista, excludente e discriminatória; a deficiência visual era trata como algo a ser aniquilado, afastado do convívio social até mesmo com a extinção de seu portador.

Com a evolução humana em termos médicos e civilizatórios, tal panorama modificou-se um pouco. Intervenções e terapias aplicadas cuidaram e melhoraram a vida dos cegos ou deficientes visuais, construindo uma série de equipamentos e ferramentas que propiciaram maior autonomia e possibilidade, tanto de aquisição de conhecimento, quanto de experiências e de convívio social.

O sentido da visão, por mais banalizado que seja para os cidadãos normais, representa espécie de porta, por onde o indivíduo adquire uma série de conceitos, circula nos lugares, aprecia maravilhas, observa cenas cotidianas, relaciona-se com uma série de imagens e pessoas; fatos que efetivamente expandem sua bagagem ao longo da vida.

Sem a visão, no entanto, o indivíduo passeia num mundo abreviado por distintos déficits, e algumas dificuldades. Seu acesso ao conhecimento é mais suprimido, seu contato com o mundo também. Suas práticas laborais são restringidas e suas trocas sociais limitadas.

Com uma barreira de afastamento entre seu próprio mundo e mundo exterior, mormente aquele integrado por indivíduos dotados de perfeitos sentidos, o deficiente visual muitas vezes permaneceu podado de seus direitos mais fundamentais.

A prática de atividades físicas e esportivas foi, por muito tempo, um dos prazeres e direitos abduzidos da vida do portador de deficiência física. Porém, residindo em sistema orgânico, o deficiente visual, como qualquer outra pessoa, necessita efetivar a manutenção de sua saúde e bem-estar, integrando ainda, práticas esportivas que sediem sentimento de interseção e pertencimento grupal, o que muito propicia condições para um bom saneamento psíquico.

O campo dos esportes desemboque eventual das práticas físicas de modo geral, tem se evidenciado com fulgor nas últimas décadas, ainda mais após o advento da padronização dos Jogos Paraolímpicos, em equiparação às Olimpíadas tradicionais.

Sabe-se factualmente, que a deficiência visual e a cegueira absoluta lançam uma série de dificuldades à vida de seu portador, especialmente nos vértices relacionados às suas experimentações espaciais. Entretanto, e a despeito das possíveis vias de acesso aos mais diferentes campos de atuação humana, ferramentas multifuncionais são presente tecnológico para atuação como facilitadores e elementos de abolição para o resguardo e afastamento do cego/deficiente visual de qualquer realização.

Especialmente no que tange à atividade física e desportiva, defronte aos seus benefícios específicos, deve o deficiente visual adotar prática freqüente, devendo também as fontes de acesso expandir-se de modo a fomentar acessibilidade para todos os portadores de deficiência visual.

A presente pesquisa estuda, investiga e se aprofunda nos benefícios, dificuldades, batalhas e vitórias do deficiente visual em relação à prática de atividades físicas/esportes. Com enfoque crítico, analítico e aprofundado, serve tanto à Educação Física, quanto classe acadêmica, médica e finalmente para a sociedade como um todo, nos termos do avanço e da quebra de tabus, imprescindível à vivência plena em estado de igualdade.

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CAPÍTULO I – UM BREVE PRÓLOGO SOBRE A DEFICIÊNCIAVISUAL: CONCEITUAÇÃO, CARACTERÍSTICAS, DÉFICITS E POTENCIALIDADES

“A deficiência visual segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) apresenta- se dividida em duas classes visuais. Foram definidas a partir da capacidade funcional, sendo elas: a cegueira, apresentando-se como aquela com acuidade visual inferior a 6/400 metros ou campo visual baixo, ambos no melhor olho de correção; e a baixa visão corresponde a acuidade visual entre 6/400 metros e 6/60 metros no melhor olho e utilizando a melhor correção.

(OMS, 2001 In Oliveira Filho, Mataruna, Carvalho, Araujo & Almeida, 2006, p. 136)

A deficiência visual, estado passageiro ou definitivo (de acordo com seus agravantes e periféricos), faz menção à problemática onde o indivíduo tem dificuldades ou privação total de percepção luminosa, não conseguindo, através da visão, identificar objetos, cores, formas, extensões, fisionomias, lugares, etc. De forma esparsa, o portador de deficiência visual, interage com o mundo circundante através de outros sentidos, que não aquele atrelado aos seus olhos, perdendo, nesses termos, grandes possibilidades de observação e conhecimento de todos os ambientes que estão à sua volta.

A deficiência visual, junto à classe médica, terapêutica e educacional, costuma ser fragmentada em duas classes: cegueira e visão subnormal. Sob talhe tradicional, tal disposição tem sido realizada lançando sustentáculo basilar na acuidade visual, sendo cego o indivíduo que apresenta de 20/200 de visão no melhor olho, depois de hábil correção; e dotado de visão subnormal, aquele que apresenta a ordem de 20/70 de visão nas mesmas condições descritas.

Essa classificação, através da acuidade visual tem, entretanto, e sob égide educacional, se revelado pouco conveniente, sendo unânime em preferência aquela que faz menção à eficiência visual. Nesse sentido, por vezes convém adotar os postulados da American Foundation for the Blind, onde especialmente a criança cega é aquela cuja perda de visão sugere que, pode e deve acoplar em seu programa educacional, o uso do sistema Braille, de ferramentas de áudio e equipamentos especiais, essenciais para que possa alcançar suas metas educacionais de modo eficiente, sem a utilização da visão residual existente. Já a criança portadora de visão subnormal é classificada como aquela que apresenta visão limitada, porém de grande utilidade na construção educacional, mas cuja deficiência visual, após terapia cabível, e/ou correção, restringe a evolução escolar em tal âmbito, que necessita de recursos educativos especialmente aplicados.

É importante aqui frisar que, em literatura científica e especializada, muito se tem apregoado em relação à criança cega, bem como aquela portadora de visão subnormal. Tal acepção se dá exatamente pelo vértice educacional, e de integração social do infante nessas condições, para que em futuro próximo, tenham potenciadas as suas aptidões e capacidades, de forma a absorvê-lo de igual modo na cadeia produtiva e no mercado de trabalho.

Faz-se importante, porém, salientar que a perda de capacidade de visão, total ou parcialmente falando, é hipótese freqüente em inúmeras pátrias, por variadas espécies de acidentes e desastres, conforme salienta Tárcia (2007):

“O trauma ocular é responsável por meio milhão de casos de cegueira no mundo, além de um número considerável de perda parcial da visão, segundo a Organização Mundial da Saúde. Dentro deste contexto, os acidentes domésticos, geralmente subnotificados, são a terceira causa dessas lesões, perdendo tão somente para os acidentes de trabalho e os acidentes automobilísticos. Conceitualmente, trauma não é sinônimo de acidente; este último é uma fatalidade, não passível de prevenção. Trauma é um termo médico que significa lesão. Estas lesões, por sua vez, podem ser prevenidas por medidas educacionais e por mudanças culturais, tais como: o uso sistemático dos óculos de proteção no trabalho e do cinto de segurança no trânsito. Nos casos de acidentes domésticos, envolvendo crianças, a prevenção de lesões passa por uma vigilância e educação sistemáticas, nem sempre praticadas nos dias atuais.”

(Tárcia, 2007, p. 400)

Sob os auspícios de tal observância, é mister mencionar, estudar e palestrar-se sempre, quando em voga a deficiência visual, como um estado, visto que muitas vezes é retratável, podendo também referir-se à doença congênita, ou moléstia causada que transforma perfeita visão, em escuridão parcial/total.

Nesse sentido, é também importante verificar se a cegueira/deficiência visual, em seus mais variados graus, é condição atrelada ao indivíduo desde seu nascimento ou, se representa conseqüência de algum trauma/acidente ocorrido. Tal classificação tem relevância quando vislumbrada a adaptação do portador de cegueira ou deficiência visual junto aos espaços, ambientes e condições sociais rotineiras de sua própria experimentação com o mundo circundante.

1.1. Entre a cegueira e a deficiência visual (visão subnormal): diferenciações, graus e pormenoridades das duas condições

“Uma questão que merece atenção inicialmente é a que diz respeito aos critérios de avaliação do cego e dos portadores de visão subnormal. Servem, pois, como ponto de partida duas perguntas: Serão diferentes os tipos de capacidade de aprendizagem do cego e das pessoas que têm alguma visão residual? Quais os aspectos diferentes e como poderão ser avaliados?”

(Masini, 1995, p. 624)

Um modo culturalmente errôneo, de forma tendenciosa no mundo contemporâneo procura minimizar problemas complexos, deixando de lado sua profundidade para uma retórica mais complexa, e resumindo-os a rótulos pré-fixados, sem qualquer especificidade, ainda que cabível e necessária.

Com relação à deficiência visual ocorre conforme destacado em supra. De modo geral, o portador de incapacidade total ou parcial na visão é classificado como cego, isto é, aquele que não vê, lê em braile, movimenta-se com dificuldade por entre os espaços públicos e privados, necessitando de acompanhamento e vigilância incessante.

É bem verdade que déficits visuais, tamanha a importância da visão, pressupõem um modo característico e especial de vivência no mundo, em todos os seus aspectos, lugares e espaços. A leitura torna-se baseada em modos diferentes daqueles indivíduos ditos ‘normais’, e mobilidade nos lugares e ambientes torna-se mais delicada, especialmente quando freqüentados novos locais. Um ponto de ponderação, porém, está atrelado ao rótulo pré-fabricado, comumente anexo ao portador de deficiência visual, quando este é finalizado em suas propensões e potencialidades, taxado de forma terminal como ‘cego’.

Faz-se mister, portanto, discriminar com ênfase que a deficiência visual possui medições e índices, apresentando, portanto, classificações.

Sabendo-se a expressão ‘deficiência visual’ como identificadora de uma situação irreversível com supressão progressiva/definitiva da resposta visual, em função de origem congênita ou hereditária, mesmo depois de tratamento clínico/ou cirúrgico e uso de lentes/óculos. O decréscimo da resposta visual pode ser leve, moderado, severo ou profundo (indicando condição de visão subnormal ou baixa visão) e inexistência absoluta de resposta visual (cegueira). De acordo com a OMS (2004), aquele que apresenta baixa visão ou visão subnormal tem como periférica a diminuição das suas respostas visuais, mesmo após realização de tratamento e/ou correção ótica, e uma acuidade visual inferior à 6/18 da percepção de luz; ou campo visual inferior a 10 graus do seu ponto de permanência, mas utiliza ou é potencialmente apto ao uso da visão para o planejamento/execução de uma atividade qualquer.

De forma sintética, para a afirmativa, no sentido de classificar um indivíduo como deficiente visual, faz-se necessário atestar, factualmente que este possui acuidade visual menor que 6/18 em relação à percepção de luzes; campo visual restrito a menos de 10 graus de sua localização espacial, não estando este apto a utilizar seu sentido visual para execução de tarefas comuns.

No caso da cegueira, esta somente pode ser atestada com a verificação de que o indivíduo possui visão de 20/200 pés ou inferior, com a melhor correção (uso de óculos), campo visual inferior a 10 graus em visão central (com visão de túnel), e, não apresentar qualquer percepção à luz direta sobre seus olhos. Para melhor apreciação sobre os níveis/classificações possíveis entre deficiência visual e cegueira, é conveniente observação sobre o quadro disposto a seguir, idealizado por Rodrigues (1997):

Quadro 1: Visão subnormal, cegueira e níveis de acuidade visual

Fonte: Rodrigues, 1997, p. 84.

Diante de tais pormenoridades, nomenclaturas taxativas sobre a cegueira não são cabíveis na inobservância de seus trâmites classificatórios, os quais, de acordo com os direitos humanos e conforme disposto em Constituição Federal do Brasil, podem tão somente suscitar discriminação positiva, sobre o que menciona Luz (2003):

“A discriminação positiva surge como uma perspectiva paralela à da inclusão e se configura como uma possibilidade de atender às necessidades de grupos minoritários, os quais se organizam e baseiam a defesa do direito de igualdade na busca de leis e ações que atendam somente aos seus direitos e interesses, tendo como foco único suas necessidades individuais. Objetivando, desta forma, receber respostas, serviços e atendimentos que partam não da aceitação dos mesmos grupos em sociedade, mas da categorização que se estabelece a partir de suas características de classe social, crença, etnia, deficiência, etc.”

(Luz, 2003, p. 8)

Tal postulação e uso da dita ‘discriminação positiva’ se dá consoante à própria organização dos grupos interessados para obtenção de outras garantias e subsídios gerais, aplicáveis à suas condições, que pressupõem igualdade de oportunidades e acesso à serviços como Educação e saúde.

De forma conclusiva, pode-se mensurar que existem diferenças basilares no diagnóstico e tratamento (terapêutico-social) entre portadores de cegueira e portadores de deficiências visuais. Ambos vivenciam dificuldades de manejo e intervenção em atividades atreladas à aptidão visual, devendo buscar por ferramentas, utensílios, métodos e processos que visem facilitar suas rotinas, atividades coletivas, sociais, laborais, dentre outras.

Considerando-se, como norteadora, a melhor visão corrigida (uso de óculos), observa-se, segundo a OMS (2004), que deficiências visuais acometem cerca de 161 milhões de indivíduos no mundo todo, sendo desses, um percentual de 37 milhões, completamente cegos. Aleatoriamente, tais deficiências são oriundas de um compêndio que compreende problemas congênitos, adquiridos e acidentes/desastres; situação por sua vez bastante preocupante e objeto de estudo e intervenção para sua melhoria, quando há possibilidade para tal.

1.2. Causas da cegueira e da deficiência visual: diversidade, multiplicidade e complexidade

“… 70 a 80% das causas de cegueira são preveníveis ou tratáveis. Isto representa não apenas um problema para os indivíduos afetados, mas também para o Estado, devido aos custos econômicos e sociais. Em vista disso, esforços têm sido feitos na tentativa de diminuir o número de casos de cegueira e deficiência visual que sejam decorrentes de afecções previníveis ou tratáveis…”

(Matai, Schellini & Padovani, 2008, p. 52-53)

Vislumbrando-se a multiplicidade de deficiências visuais, que vão desde os déficits (de médio e grande porte), até a cegueira total, há que se fixar entendimento de que os segmentados níveis de problemas relacionados à visão têm como origem, também múltiplas causas. Assim, e de modo geral, deficiências visuais são congênitas e adquiridas.

De acordo com o consenso da OMS (baseado em aferição de especialistas em Oftalmologia comunitária), em termos globais, as principais causas da cegueira, respectivamente são:

  • Catarata[1], tracoma[2], oncocercose[3] e traumatismos;
  • Traumatismos, glaucoma[4], tracoma, oncocercose, xeroftalmia[5], catarata; e
  • Glaucoma, diabetes e degeneração macular relacionada com o avanço da idade.

Tais fatores, conforme dispostos em supra, são relatados pela OMS (2004) como os maiores e mais taxativos resultantes na cegueira total, conforme salienta o gráfico que segue:

Gráfico 1: Principais condições resultantes na cegueira, segundo relatório da OMS (2004):

Fonte: OMS, 2004. Home Page. http://www.who.int/en/

É importante validar que os condicionantes mencionados variam de acordo com as condições gerais de desenvolvimento, epidemiologia, extensão e mapeamento dos sistemas de saúde de cada país, ocorrendo com maior ou menor freqüência em determinadas nações, deflagrando panorama mundial multifacetado quando colocada em voga sua maior incidência. Assim, é possível elucidar que, dependendo do país pesquisado, maiores ou menores serão as hipóteses de cegueira por cada condicionante mencionado.

Um importante fator, associado à ocorrência da cegueira ou de deficiências visuais em indivíduos antes portadores de visão absolutamente normal, são os traumatismos. Traumatismo, em sua acepção mais sintética faz menção ao ferimento, interno ou externo em um organismo. O ATLS (Advanced Trauma Life Support), bem como o Committee on Trauma, em condição de referências mundiais no que tange à questão do traumatismo e suas variadas facetas preferem correlacionar a essência do trauma com uma doença, e não como ‘acidente’, tendo em vista que grande parte de óbitos por traumas podem efetivamente ser evitados. Entender o traumatismo como doença levanta e reforça a hipótese de tratamento e prevenção, ao passo que vislumbrado enquanto acidente, o traumatismo fica atrelado ao conceito de fatalidade, isto é, evento aleatório, misterioso, imprevisível, que dificilmente pode ser evitado.

Colocando-se em voga o traumatismo ocular – uma das principais ocorrências resultantes em deficiências visuais e cegueira total, faz-se importante pousar observância nos ensinamentos de Aragaki, Inada, Teixeira, Almeida Júnior e Kashiwabuchi (2003), que asseveram:

“Os traumatismos oculares são responsáveis por significativa procura aos serviços de Oftalmologia, pois causam alteração ocular funcional substancial podendo até levar à cegueira, com prejuízos pessoais, sociais e econômicos importantes. Os acidentes oculares variam desde pequenas lesões do tipo abrasões até perfurações extensas graves, necessitando de uma urgente intervenção oftalmológica. A adoção da prevenção na área de Oftalmologia tem crescido em importância, ampliando a função do médico oftalmologista de apenas diagnosticar e tratar doenças. Desta forma, torna-se necessário o conhecimento da epidemiologia do trauma ocular responsável pela diminuição da capacidade visual por fatores facilmente preveníveis.”

(Aragaki, Inada, Teixeira, Almeida Júnior & Kashiwabuchi, 2003, p. 473)

Tais autores brasileiros publicaram a produção textual “Estudo epidemiológico dos traumas oculares graves em um Hospital Universitário de São José do Rio Preto – SP”, compilado em que foram dispostos resultados apreciativos sobre a incidência em atendimentos de ordem oftalmológica no referido hospital, referentes a traumatismos oculares, cujas seqüelas levaram boa parte dos pacientes à aquisição de deficiências visuais ou cegueira total.

Os dados contabilizados incidiram sobre o período compreendido entre 1986 e 2000, efetuando quantificação em consonância com os prontuários obtidos junto à administração do Hospital Universitário de São José do Rio Preto, São Paulo. Tal pesquisa apresentou resultados significativos, ao revelar que a grande maioria dos traumas oculares atendidos sucedeu em momentos de lazer para crianças, e para adultos, no âmbito de suas práticas laborais, conforme mostra o quadro que segue:

Quadro 2: Estudo de Aragaki, Inada, Teixeira, Almeida Júnior e Kashiwabuchi acerca dos traumas oculares atendidos no Hospital Universitário de São José do Rio Preto (SP), entre 1986 e 2000, relatados os momentos dos acidentes:

Fonte: Aragaki, Inada, Teixeira, Almeida Júnior & Kashiwabuchi, 2003, p. 474

Ainda na mesma produção acadêmica, os autores listam, sobre a incidência dos traumatismos oculares atendidos, seus principais agentes causadores, isto é, os objetos que em contato com o globo ocular dos pacientes atendidos, ocasionaram as pesquisadas lesões (muitas vezes levando à cegueira total). Tais quantificadores foram classificados conforme o quadro abaixo:

Quadro 3: Estudo de Aragaki, Inada, Teixeira, Almeida Júnior e Kashiwabuchi acerca dos traumas oculares atendidos no Hospital Universitário de São José do Rio Preto (SP), entre 1986 e 2000, relatados os agentes causados das lesões oculares:

Fonte: Aragaki, Inada, Teixeira, Almeida Júnior & Kashiwabuchi, 2003, p. 475

Obviamente e conforme destacado em supra, os fatores relacionados à ocorrência de deficiência visual em meio às diferentes populações do globo apresentam discrepâncias, concordando freqüentemente com as condições gerais sócio-educativas, econômicas e culturais das variadas nações. Nesse sentido, o estudo realizado por Aragaki, Inada, Teixeira, Almeida Júnior e Kashiwabuchi (2003) tem relação absolutamente anexa ao contexto brasileiro, mais precisamente da cidade de São Paulo, podendo, eventualmente, apresentar similaridade com outras localizações mundialmente fixadas.

Genericamente, no entanto, pode-se estabelecer que os tipos de deficiência visual adquirida, especialmente aquelas relacionadas a acidentes, são comuns e indesejavelmente mais estreitadas com o cotidiano mundial do que é conveniente, observando-se que a grande maioria dos indivíduos nasce com boas condições de visão. Conforme Aparecido Granzoto, Ostermann, Brum, Pereira e Granzoto (2003):

“A capacidade visual desenvolvida nos primeiros anos de vida pode apresentar alterações reversíveis, geralmente durante os primeiros anos escolares. O reconhecimento da baixa visão na infância é da maior importância, pois na maior parte das vezes ela pode ser corrigida com terapêutica adequada.”

(Aparecido Granzoto, Ostermann, Brum, Pereira & Granzoto, 2003, p. 168)

Sob tal égide, portanto, é possível vislumbrar que boa parte da população mundial, que se torna deficiente visual ou mesmo cega, outrora deteve consideráveis condições visuais, pendendo-as em acidentes, muitas vezes evitáveis, e que devem, severamente, consistir em objeto de intervenção, tanto do poder público, quanto da própria população e de cada indivíduo para sua factual reversão. Assevera-se, com efeito, que a cegueira congênita em muito se difere daquela adquirida ao longo da vida, sendo a segunda, absolutamente correlacionada a sérias dificuldades adaptativas.

De forma sintética, é possível delimitar que, o compêndio de causas dos distintos tipos de deficiência visual/cegueira é múltiplo e complexo, variando de patologias adquiridas mediante doenças, hipóteses congênitas, e mesmo resultantes de lesões por acidentes. Observada sua variação, mais se torna provável o elenco de práticas que as possam restringir, ou mesmo evitar.

1.3. O convívio pessoal e periférico com deficiências visuais e cegueira: aspectos sociais, psicológicos e cotidianos

“Outra condição de deficiência que tem relação direta com o comprometimento na função de orientação é a deficiência visual. A deficiência visual congênita ou adquirida encerra as possibilidades de controle visual sobre o espaço durante ações vinculadas à mobilidade. Particularmente, a falta da visão tem um impacto grave na navegação em ambientes complexos e com rotas irregulares. (…) De fato, na rotina da vida diária, o indivíduo com deficiência visual desenvolve estratégias compensatórias no sistema de orientação que permitem uma navegação funcional.”

(Castro, Paula, Tavares & Moraes 2004, p. 201)

A visão indubitavelmente representa um dos sentidos mais essenciais à humanidade, ao passo que fornece orientação espacial necessária ao deslocamento, direcionamento, realização de atividades variadas, contemplação de ambientes e paisagens, circulação urbana, apreciação de itens de consumo, contato com imagens que enriquecem culturalmente o indivíduo, dentre outros atributos específicos.

Quando do advento de severas disfunções visuais, ou mesmo da cegueira, o indivíduo vive atrelado a sérios déficits em relação ao espaço circundante, e, mesmo em outras aplicações da atividade humana, o que suscita verdadeira perda, quando focalizada a situação de forma abrangente.

Diferenciações contundentes se dão entre o comportamento e a visão pessoal do indivíduo portador de cegueira/deficiência visual, dependendo se tais problemas ocorreram de forma congênita ou adquirida.

Nas hipóteses de cegueira e deficiência visual congênitas, já se nasce em meio à escuridão. Toda a vida e o contato com o mundo exterior se fazem pautados em modos diferentes de conhecer e experimentar as relações, os materiais, os produtos, objetos, os ambientes. Efetivamente não se conhece outra forma de atuar no mundo exterior, senão através de outros sentidos, comumente aguçados em função da ausência visual. Nesse sentido, a existência de sofrimento pela perda não incide com tanto rigor, mas somente o conhecimento sobre a diferença, eis que esta é relatada. A cegueira congênita é, assim, uma condição, uma forma de existência; e não um pesar absoluto, tendo em vista que o indivíduo dentro desses padrões não tem conhecimento de causa sobre o que venha a ser uma vida em meio a imagens, cenários, paisagens, etc.

Sua forma de encarar a deficiência é efetivamente mais branda, mais suave. Seus aprendizados, experiências, aquisição de escolaridade, cultura, conteúdos ocorre, invariavelmente, em adequação com condições especiais, em estabelecimentos completamente voltados ao trato e educação para indivíduos portadores de déficits visuais. Pode-se mesmo postular que a pessoa que nasce cega ou com severos danos à visão convive de modo mais tranqüilo com suas limitações, aprendendo a lidar com elas progressivamente.

Situação de contrapartida, porém, sucede ao cego/deficiente visual que perde tal sentido acidentalmente. Silveira e Sequeira (2002) mencionam que:

“Tendo em conta que a grande maioria da população é normo-visual toda a cultura e quadro social pressupõe que todas as pessoas vêem. A ausência de visão é considerada uma diferença marcante, algo não desejável. O conhecimento do funcionamento psicológico das pessoas cegas em termos de saúde mental melhorará, entendemos, a possibilidade de intervenção social e técnica e poderá fornecer elementos para melhor compreender o papel que a visão cumpre no desempenho dos processos de autonomia social e pessoal, e de inserção social.”

(Silveira & Sequeira, 2002, p. 450)

A incidência de cegueira ou severa deficiência visual em condição acidental consiste em capítulo à parte na literatura médico-psicológica, apresentando, freqüentemente, periféricos que contribuem para revolta, não-aceitação, desespero, apatia, depressão, automutilação, afastamento das atividades rotineiras e dos entes familiares, dentre outros.

O principal fator que contribui para tais quadros é, mormente, o conceito de perfeição e de ‘normalidade’ imposto pelo mundo contemporâneo, tão submerso e subjugado em meio a padrões estéticos e de uma perfeição humanamente inalcançável.

Perder o sentido da visão (muitas vezes acompanhado de alterações/cicatrizes/seqüelas estéticas) representa tacitamente a perda de status produtivo em meio à sociedade contemporânea. Significa também, segregação à margem do grupo tido como ‘normal’, o que suscita discriminação e reserva para participação em todo tipo de atividade antes realizada.

As discrepâncias comportamentais e relacionadas ao desenvolvimento geral nos indivíduos cegos de nascença e naqueles acidentados que perderam o sentido da visão são alvo de inúmeros estudos científicos, tais os distanciamentos e oposições nas formas de encarar a vida e as atividades cotidianas. Ramos (2006) aprofunda tal questão ao postular que:

“Uma das primeiras coisas a considerar na história do indivíduo é se sua deficiência visual é congênita ou adquirida. No caso da cegueira adquirida, deve-se descobrir em qual idade e como aconteceu esse evento. Faz-se necessária uma análise das contingências ambientais passadas e presentes que podem ter influenciado, ou ainda podem influenciar no desenvolvimento desse indivíduo. Normalmente, indivíduos com cegueira congênita apresentam um desenvolvimento psicológico mais saudável do que os que têm cegueira adquirida, principalmente, se o momento da ocorrência desta foi tardio e se a sua família também não aceitar a sua situação. Isso acontece porque não tiveram a experiência do “enxergar”, não desenvolveram o sentimento de perda, e sua família desde cedo teve que se adaptar à sua condição de cegueira.

O desenvolvimento cognitivo de pessoas com cegueira congênita se aproxima do normal, e, portanto, não há tanto comprometimento de sua apropriação do mundo. Conseqüentemente, haverá menos distorções na formação de sua identidade, em comparação com as pessoas com cegueira adquirida, que normalmente apresentam grande resistência a aceitar seu estado, não procurando adaptar-se à nova situação.”

(Ramos, 2006, p. 8-9)

Em consonância com os ensinamentos de Ramos (2006), deve-se salientar que as duas condições de cegueira/deficiência visual descritas em supra, devem ter como base e fundamentos de tratamento, processos diferenciados. O indivíduo cego ou severamente comprometido visualmente desde seu nascimento deve desenvolver-se norteado por ensino e entidades educadoras especiais; entretanto com maior aceitação de sua condição, está apto a resultados melhores e mais rápidos, podendo elevar seu nível de aprendizado e funcionalidades além das expectativas, resultando em adulto produtivo, ativo em termos laborais, sociável, integrado no seio familiar e dos demais grupos em que possa engajar-se. Naturalmente irá movimentar-se e orientar-se em termos espaciais para relação harmoniosa com o meio externo, com o qual interagindo, expandirá seus potenciais gerais para uma vida saudável e tranqüila.

Nas hipóteses de cegueira ou severa deficiência visual adquirida, todo um contexto de perda paira tanto particularmente, quanto socialmente na vida do indivíduo objeto da fatalidade em voga. Vivenciando experiências visuais, conhecendo através da visão por toda uma vida, relacionando-se com imagens, paisagens e espaços de seu cotidiano; desde seu nascimento, a sensação de mutilação é imensa e radical. Ao perder o sentido da visão radicalmente, o indivíduo perde inúmeros indicadores que antes permitiam seu conhecimento e posicionamento frente ao mundo externo, aos seus pares, à sociedade, ao espaço em que vive. Factualmente, significa uma situação extrema, e que produz, invariavelmente, seqüelas na psique da pessoa atingida. Ramos (2006) acrescenta:

“… a identidade da pessoa com deficiência também sofre metamorfoses, mudanças que têm sido desconsideradas graças à crença de que a deficiência provoca a ineficiência e a incapacidade de evoluir e de aprender. Essa predicação, imposta à pessoa com deficiência, acaba por incorporar-se à sua identidade fazendo com que ela mesma passe a considerar-se pessoa inútil e improdutiva. Trata-se da elaboração de uma “identidade-mito” em que a incapacidade aparece padronizada, reproduzindo e cristalizando, na ilusão de sua substancialidade, o estigma da deficiência.”

(Ramos, 2006, p. 5)

Sob tal égide, faz-se mister, para o trato com o cego/deficiente visual acidental, todo um aparato de fundo psicológico, assistencial e intensivo no sentido de uma reconstrução hábil de identidade que possa fixar-se à margem de auto-preconceito e isolamento, pressupostos que o podem lançar até mesmo à invalidez espontânea.

Há que se disponibilizar bases para uma reconfiguração deste indivíduo, no que tange ao seu próprio conceito e funcionalidade perante o mundo circundante, fazendo-o calcificar a noção de que é importante e capaz de lidar com a nova situação, dando continuidade aos seus afazeres, objetivos e sonhos.

Ainda que tal empreitada pareça perecível diante de um mundo tendenciosamente excludente e discriminatório, há que se fazer valer os pressupostos insculpidos na Declaração dos Direitos Humanos (1948), e de forma mais sublocada, na Constituição Federal do Brasil (1988) quando estabelecem que a igualdade é direito universal, sendo vetada a discriminação à título de enquadramento criminal.

Independentemente da classificação temporal em que ocorre a deficiência visual, e destarte às suas inerentes limitações (de cunho pessoal, psicológico, social, laboral, espacial, etc.), o indivíduo portador trata-se de cidadão que por natureza tem direito à vivência normal, facilitada para superação dos obstáculos e atrelada a atividades comuns a outros, não deficientes. Zela-se também, para sua correlata manutenção físico-psicológica a fim de que se equipare a qualquer outro ser humano mundialmente estabelecido, tendo em vista de que é, e sempre será um homem, mulher ou criança, detentor de desejos e apto ao exercício pleno de seus sonhos e anseios. Basta-se assim, fazer cumprir.

CAPÍTULO II – ATIVIDADE FÍSICA E DEFICIÊNCIA VISUAL: APONTAMENTOS, ADEQUAÇÕES E FINALIDADES PARA O BEM-ESTAR, A PROMOÇÃO DA SAÚDE E A LONGEVIDADE

“Retornando aos primórdios da humanidade, podemos dizer que durante o período que se convencionou pré-histórico o homem dependia de sua força, velocidade e resistência para sobreviver. Suas constantes migrações em busca de moradia fazia com que realizasse longas caminhadas ao longo das quais lutava, corria e saltava, ou seja era um ser extremamente ativo fisicamente.”

(Pitanga, 2002, p. 50)

Sob ótica universal, e verificando contextos históricos, o exercício da atividade física confunde-se com o próprio estabelecimento e evolução da vida humana. Desde os mais prosaicos grupamentos e nichos coletivos primitivos, a prática da atividade física esteve intimamente correlacionada à própria sobrevivência dos grupos, tendo em vista que a aquisição de itens para subsistência dependida, essencialmente, da aplicação de força, velocidade, movimento, manobras que tinham fundamento no corpo daquele que caçava, pescava ou assumia realização de outros ofícios correlatos.

Mesmo em adequação para o cenário hodierno, das modernas sociedades; a atividade física se faz presente nos mais variados setores da atividade humana, que mesmo submersa em meio à um turbilhão de modernidades e ferramentas tecnologicamente superiores, ainda depende primordialmente de práticas físicas não somente para aplicação em atividade produtiva, mas para manutenção da boa saúde e da cada dia mais desejada, longevidade.

Faz-se interessante, entretanto, um mergulho historiográfico para entendimento da evolução acerca da atividade física e do exercício em meio às progressões evolutivas humanas.

2.1. A atividade física e a evolução humana: contigüidades e convergências

“Desde os primórdios da humanidade, o homem tem procurado se manifestar no cenário das habilidades motoras (andar, correr, saltar, trepar, rolar, equilibrar, manipular), fato este entendido como desafios para aquisição de novas habilidades. Assim, o homem contemporâneo é fruto de uma evolução que envolve memória motora e atitudes que vão desde a sua adaptação ao meio ambiente até a aquisição de novos comportamentos sociais. Significa assim, que o homem como um ser social, possui necessidades preeminentes de ajustar-se aos diferentes níveis sociais, econômicos, ideológicos, filosóficos, políticos e psicológicos.”

(Canotilho, 2006, p 30)

Conforme mencionado em supra, pelos apontamentos de Canotilho (2006), a relação humana com a atividade física em seus mais variados níveis e especificidades é fato desde os primórdios, tão inerente à raça humana quanto seu próprio condicionamento à respiração. Sem movimento, jamais teria havido possibilidade de subsistência, e ainda menos, de evolução aos níveis conhecidos hodiernamente.

Nesses termos, e em períodos primários da existência humana no planeta, sabem-se as atividades físicas como sustentáculo da sobrevivência grupal, que mais tarde deu margem à estruturação de maiores e mais complexas formações sociais.

Já em salto substancial em termos temporais, faz-se importante citar a antiga Grécia como nascedouro de práticas físicas mais elaboradas e conectadas à beleza do corpo e do próprio indivíduo. A ginástica (arte do corpo nu) para os gregos era base para a posterior fragmentação das especialidades físicas, tais como aquelas envolvidas em guerras ou para treinamento dos ‘gladiadores’. A arte grega, freqüentemente visitada, transparece em peças reminiscentes talhes arquitetônicos ou esculpidos que retratam belas formas humanas, dotadas de musculaturas e formas belíssimas, musculosas, enfim, moldes para a concepção moderna daquilo que sintetiza um corpo saudável.

Mais tarde, nos anais do século XIX, passam a emergir preceitos de atividade física em forma de jogos escolares na Europa. Eclodem, enfim, inúmeras modelagens e metodologias de exercícios físicos propostos por distintos autores e teóricos sobre o assunto. Eis que é insculpida a atividade física na história humana como forma de obtenção de bem-estar, saúde e manutenção do corpo.

Por vezes sobreposta por interesses mercadológicos e capitalistas, a atividade física na historiografia humana, passou períodos de jugo e posicionamento à margem dos interesses evolutivos. No entanto, clamores e realizações médicas novamente e intermitentemente fizeram saltar aos olhos do mundo o quão é necessária a prática de exercícios para a manutenção salutar dos sistemas circulatório, respiratório, muscular, nervoso, dentre outros beneficiários do movimento estrategicamente aplicado.

Sabendo-se o ser humano entidade que perpassa pela infância, juventude, velhice e posteriormente a morte, há bom tempo já se sintetiza que, para uma razoável passagem por tais estágios, maximamente afastado de moléstias degenerativas incidentes, é importantíssimo que distribua convenientemente exercícios físicos por entre suas atividades diárias. Estilos de vida baseados em sedentarismo são francos nascedouros de doenças que atingem órgãos importantíssimos como o coração, os músculos, os pulmões, a circulação sangüínea, dentre outros. Carvalho, Nóbrega, Lazzoli, Magni, Rezende, Drummond, Oliveira, De Rose, Araujo e Teixeira (1996) norteiam que:

“Estudos epidemiológicos vêm demonstrando expressiva associação entre estilo de vida ativo, menor possibilidade de morte e melhor qualidade de vida. Os malefícios do sedentarismo superam em muito as eventuais complicações decorrentes da prática de exercícios físicos, os quais, portanto, apresentam uma interessantíssima relação risco/benefício. Considerando a alta prevalência, aliada ao significativo risco relativo do sedentarismo referente às doenças crônico-degenerativas, o incremento da atividade física de uma população contribui decisivamente para a saúde pública, com forte impacto na redução dos custos com tratamentos, inclusive hospitalares, uma das razões de seus consideráveis benefícios sociais. Pesquisas têm comprovado que os indivíduos fisicamente aptos e/ou treinados tendem a apresentar menor incidência da maioria das doenças crônico-degenerativas, explicável por uma série de benefícios fisiológicos e psicológicos, decorrentes da prática regular da atividade física.”

(Carvalho, Nóbrega, Lazzoli, Magni, Rezende, Drummond, Oliveira, De Rose, Araujo & Teixeira, 1996, p. 79)

Nesses termos, e visualizando as progressões científicas e médicas atingidas com os parâmetros de modernidade hodierna, é possível aferir, muito mais que nos primórdios da humanidade, o quão é relevante a prática de atividades físicas para o homem e para a manutenção de sua saúde, fomentando melhores condições e possibilidades de longevidade em meio ao bem-estar desejável para a felicidade idealizada.

As práticas físicas, em tempos remotos, consideradas essenciais para a obtenção de alimento e confecção de itens para subsistência do grupo, passaram para o culto ao corpo e finalmente para a promoção da saúde em caráter evolutivo do entendimento humano.

Há décadas, o homem focalizando e buscando por descobertas no sentido de retardar os efeitos do envelhecimento, das doenças degenerativas e crônicas, das síndromes e demais moléstias conhecidas; pôde travar conhecimentos, provar teorias e teses de que a prática regular de exercícios físicos é condição subjacente e coadjuvante nos processos de intervenção terapêutica para melhoria de infinidades de doenças tão restritivas à determinadas populações atingidas.

Carvalho, Nóbrega, Lazzoli, Magni, Rezende, Drummond, Oliveira, De Rose, Araujo e Teixeira (1996) lançam conclusões ao verter estudo sobre moléstias privilegiadas com o recurso da atividade física freqüente, conforme mostra o quadro que segue:

Quadro 4: Principais condições clínicas combatidas pela prática regular de exercícios físicos

Fonte: Carvalho, Nóbrega, Lazzoli, Magni, Rezende, Drummond, Oliveira, De Rose, Araujo & Teixeira, 1996, p. 79

Ainda na contemporaneidade, o advento da obesidade como uma das epidemias mais severas a acometerem o ser humano, independente de sua nacionalidade, faz-se mister novamente assinalar a relevância e os benefícios das práticas físicas como meio para retratação das hipóteses de sobrepeso verificadas hodiernamente.

Sinteticamente, pode-se atestar convergência entre atividades físicas e o homem, desde sua inicial fixação em meio aos primitivos clãs. O que se diferenciou, porém, foram as condições de vida e os facilitadores para propensão à novas doenças e moléstias agregadas, freqüentemente, à má alimentação, estilo de vida sedentário, exposição à substâncias nocivas e corrosivas, dentre outros fatores.

O homem, ao efetuar descobertas mais abrangentes sobre os benefícios da atividade física regular, volta aos primórdios e procura por estilos mais naturais de rotina, prescrevendo-os como os mais acertados, ainda que em meio aos grandes centros urbanos e seu atribulado funcionamento.

A prática de exercícios físicos, assim, passa a representar faculdade expressamente recomendada e disciplina educacional, estando presente, no ensino regular dos mais variados países, a título de informar e formar cidadãos mais conscientes e aptos aos cuidados necessários com sua própria saúde e de seus pares.

2.2. Benefícios, prescrições e cuidados para a prática de atividades físicas: termos globais em relação ao ser humano

“Apesar da clareza, encontrada em diversos estudos, a respeito dos benefícios que a atividade física regular proporciona à saúde, pode ser questionável a interpretação que se faz destes achados. De um modo geral, a visão hegemônica aponta para um viés biológico e individualizado da doença. Por outro lado, já existem, em várias pesquisas, fortes evidências das relações entre condições sócio-econômicas e estado de saúde. Dentro destas evidências, encontram-se, também, as associações com a prática de atividade física regular.”

(Palma, 2000, p. 97)

Através da história humana, o preceito da adoção de atividades físicas regulares tem sido disseminado com fundamento na manutenção da saúde, do bem-estar e do afastamento das hipóteses de diversas doenças, dentre as quais, as cardiovasculares, obesidade, diabetes, osteoporose, dentre outras relacionadas.

No entanto, há que se evidenciar que, sendo a noção de saúde aquela atrelada à ausência de doenças, e sendo as doenças determinadas em alguns indivíduos por condicionantes biológicos, não se pode definir a promoção da saúde como sendo um mero compilado entre atividades físicas e boa alimentação.

Obviamente, os diferentes estilos de vida, a oportunidade de acesso à medicina em termos globais, as condições sócio-econômicas, a propensão congênita para alguns males são determinantes e muitas vezes sobrepujam manobras que primam pela adoção de atividades físicas como pressuposto básico para a promoção de vidas saudáveis e afastadas de doenças crônicas ou degenerativas.

O ser humano, por sua própria função biológica, nasce, desenvolve-se, amadurece, reproduz, envelhece e morre. Tal cadeira inevitável, ainda que submersa em modernas técnicas, conhecimentos e avanços médicos, ainda não pode ser remodelada. O que efetivamente pode e deve ser feito é a aplicação de estruturas com vistas terapêuticas, medicinais e apoiadas em outras disciplinas dedicadas, para que cada período expresso em supra, possa ser gozado dentro de parâmetros medianos de satisfação e bem-estar.

Observando-se estreitamente a vida humana desde seu nascimento, aponta-se um franco desenvolvimento em direção ao movimento. Um bebê, primordialmente passa a controlar suas respostas motoras, avançando em direção à autonomia de seu corpo, e quando eclode no evento do ‘andar’, dedica-se por bom tempo à testagem e apreensão de novas habilidades comumente relacionadas às atividades físicas.

Correr, pular, saltar, subir, descer, rodar, participar de jogos e brincadeiras é tão inerente à infância quanto o ato de respirar. São atividades físicas que unem o lúdico à necessidade de movimento, de expansão, de conhecimento e reconhecimento do mundo exterior.

No curso de sua vida, o infante, que logo desemboca em período escolar, tem nas aulas de Educação Física bons preceitos sobre regras e metas de jogos mais elaborados, os quais além de promover manutenção física e dispêndio da energia natural a ser gasta, contribuem para a formação moral e ética do cidadão em formação. Quesitos como cuidados pessoais, necessidade do movimento e do exercício passam a ser disseminados em consonância com o próprio crescimento infantil, e para que sejam levados ao longo de suas vidas – meta essa muitas vezes falível em meio ao corrido cotidiano das grandes cidades.

Três das principais funções das atividades físicas aplicadas em crianças são a facilitação de seu desenvolvimento e crescimento, controle de doenças como a diabetes e redução das taxas de obesidade infantil (incidência esta cada vez mais comum e epidêmica, por todo o mundo).

Oliveira (2006) menciona que:

“A atividade física nesse contexto atua como um fator coadjuvante, onde o exercício físico moderado pode estimular o crescimento, muito provavelmente por induzir aumentos significativos no hormônio do crescimento na circulação, tanto de crianças, como de adolescentes e adultos.”

(Oliveira, 2006, p. 52)

Sendo assim, é notória a relevância da prática de exercícios físicos na infância, tanto quanto, ou até mais do que em outras faixas etárias, tendo em vista que além de iniciar hábitos saudáveis, principia rotinas que propiciam maiores e melhores manutenções do corpo enquanto máquina a ser cuidada e zelada continuamente.

Já na adolescência, fase em que sucede uma verdadeira explosão hormonal e incisiva mudança física em direção ao corpo adulto em suas mais variadas funções, inclusive a reprodutiva, o exercício físico também constitui elemento altamente salubre e recomendável para a mais harmoniosa travessia em período tão maçante em termos psicológicos, orgânicos e sociais. Um facilitador otimista na aplicação de atividades físicas durante a adolescência, segundo o relato de Sichieri e Souza (2008) é que:

“… os adolescentes além de serem mais capazes de assimilar o material da intervenção, administram melhor suas escolhas alimentares e de atividade física do que participantes mais novos.”

(Sichieri e Souza, 2008, S. 211)

Em síntese, na adolescência começa a existir uma percepção maior entre auto-imagem e imagem social, o que muito propicia a prática de exercícios físicos e controle da obesidade, preceitos importantes para a chegada ao mundo adulto em condições corporais saudáveis, afastadas do sobrepeso, mal tão aterrador na contemporaneidade. A adolescência é, também, um período em que inúmeras atividades, mormente relacionadas à vivência social, escolha de futura carreira e outros tantos compromissos podem limitar o tempo disponível para atividades físicas; fato este que deve ser afastado para que não venha a suscitar queda da manutenção corporal dentre a extensa lista de prioridades.

Faz-se importante lembrar que sendo adolescência um portal direto ao mundo adulto, representa uma das últimas oportunidades em definir o que será o indivíduo vindouro; se este dedicará à atenção necessária para a manutenção de seu corpo e mente, ou se deixará tais aspectos relegados em detrimento de outros, igualmente relevantes como trabalho e vida social.

A vida adulta, aliás, tem sido grande expoente de teóricos e estudiosos no ramo da atividade e do exercício físico enquanto coadjuvantes nos processos de promoção de saúde, afastamento das hipóteses de doenças crônicas, e da obesidade, mundialmente.

Especialmente colocando em foco os adultos, em termos globalizados; Barreto, Pinheiro, Schieri, Batista Filho, Schimidt, Lotufo, Assis, Guimarães, Recine, Victora, Coitinho e Passos (2005) asseveram que:

“O crescimento relativo e absoluto das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), principalmente das doenças do aparelho circulatório, neoplasias e diabetes, expressa as intensas mudanças ocorridas nos padrões de adoecimento globais na segunda metade do século XX. Segundo dados da OMS, as DCNT foram responsáveis por 59% da mortalidade, cerca de 31,7 milhões de óbitos e 43% da carga global de doenças em 1998.7 Os países em desenvolvimento respondem por cerca de 78% da carga global de DCNT e 85% da carga de doenças do aparelho circulatório. No Brasil, as DCNT foram responsáveis pela maior parcela dos óbitos e das despesas com assistência hospitalar no Sistema Único de Saúde (SUS), totalizando cerca de 69% dos gastos com atenção à saúde em 2002. Desde a década de 60, as doenças cardiovasculares (DCV) lideram as causas de óbito no país. Atualmente, elas são a causa básica de morte de cerca de dois terços do total de óbitos com causas conhecidas no país.

As DCNT são de etiologia multifatorial e compartilham vários fatores de riscos modificáveis, como o tabagismo, a inatividade física, a alimentação inadequada, a obesidade e a dislipidemia. Estudos epidemiológicos têm mostrado que as doenças cardiovasculares, por exemplo, seriam uma causa relativamente rara de morte na ausência dos principais fatores de risco.

(Barreto, Pinheiro, Schieri, Batista Filho, Schimidt, Lotufo, Assis, Guimarães, Recine, Victora, Coitinho & Passos, 2005, p. 43)

Sob essa égide e acompanhando o pensamento de Barreto, Pinheiro, Schieri, Batista Filho, Schimidt, Lotufo, Assis, Guimarães, Recine, Victora, Coitinho e Passos (2005), há que se vislumbrar um panorama onde universalmente são conhecidas as doenças mais comuns e hábitos altamente favoráveis à sua incidência; são públicas e notórias as tomadas de atitude para reversão do quadro hodierno, no entanto, muito pouco se faz voluntariamente para tal.

A adoção de atividades físicas tem sua repercussão mais profunda nas hipóteses de redução dos riscos para doenças crônicas, ligadas, mormente ao sistema cardíaco, respiratório, circulatório, e mesmo para a correlata manutenção de doenças como a obesidade e a diabetes.

Novamente voltando-se à pauta inicial, que faz menção ao conglomerado de doenças determinadas por hereditariedade e fatores biológicos, e que por acepção primordial não podem eventualmente ser evitadas com o usufruto de atividades físicas e vida saudável; há que mensurar uma ressalva inspiradora no sentido de que mesmo nas hipóteses descritas acima, todo o quadro físico do indivíduo acometido por algum mal similar pode ser melhorado e aproximado da normalidade, quando da adoção de exercícios físicos.

Até mesmo na senescência, fase em que o tempo promove por si só uma variedade de males ligados ao esqueleto, à pressão sanguínea, ao coração, aos dirtúrbios mentais, a prática de atividades físicas é bastante recomendada.

O envelhecimento em boas condições de saúde, aliás, tem sido cerne dos profissionais e estudiosos da Educação Física como uma das áreas mais focadas na contemporaneidade, tendo em vista que a população mundial enseja cada vez mais aumentar sua prospecção de longevidade, sem deixar de gozar de saúde e bem-estar.

O envelhecimento em si, é hoje, uma tendência generalizada e global. Hodiernamente, grande parte da população dos países encontra-se na terceira idade, o que demanda uma série de estudos, proposições e soluções no sentido de melhorar a qualidade de vida destes indivíduos, o que necessariamente miscigena-se ao lançamento de novos medicamentos, produtos e pesquisas para apontar caminhos, atividades e rotinas que propiciem maior longevidade qualitativa.

Kalache, Veras e Ramos (1987) já nos idos da década de 80 salientavam que:

“O envelhecimento da população mundial é um fenômeno novo ao qual mesmo os países mais ricos e poderosos ainda estão tentando se adaptar. O que era no passado privilégio de alguns poucos passou a ser uma experiência de um número crescente de pessoas em todo o mundo. Envelhecer no final deste século já não é proeza reservada a uma pequena parcela da população. No entanto, no que se refere ao envelhecimento populacional, os países desenvolvidos diferem substancialmente dos subdesenvolvidos, já que os mecanismos que levam a tal envelhecimento são distintos.”

(Kalache, Veras & Ramos, 1987, p. 201)

Com o passar do tempo tais condições evidenciaram-se ainda mais, sendo a população idosa crescente e com prospecções otimistas. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), publicados em 2000, o número aproximado de indivíduos enquadrados na terceira idade era de 579 milhões, em termos mundiais. O quadro que segue oferece uma mostra que afere tal condição, classificada de acordo com determinados países:

Quadro 5: População idosa em países selecionados, com medição de 1990 a 1999

Fonte: IBGE, 2000. Home Page. http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/default_censo_2000.shtm

Os números em supra sugerem que, estendida à longevidade da população mundial, ampliados também, devem ser os cuidados e práticas para a manutenção do bem-estar e da saúde da população idosa. A prática de atividade física nesse período é, portanto, uma das medidas mais salutares para o tratamento e prevenção de males inerentes à própria fase, comumente ligados aos sistemas cardiovascular, respiratório, circulatório, dentre outros, somando-se ainda o controle de doenças correlatas, tais como a diabetes, a osteoporose, a esclerose, a oscilação de pressão sangüínea, etc.

Em compleição, e inseridos entre os indivíduos pertencentes à faixa etária da infância, da adolescência, da maturidade e da velhice, perfilam-se os deficientes, relativamente recentes focos e centros de intervenção de equipes multidisciplinares de profissionais, incluindo-se aí, os da área da Educação Física. Os dados que seguem, oriundos do Censo Demográfico de 2000, do IBGE destacam a quantificação de portadores de deficiências no Brasil:

Quadro 6: Deficientes físicos no Brasil, segundo dados do IBGE – 2000

Fonte: IBGE, 2000. Home Page. http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/censo2000/populacao/tabela_brasil.shtm

Representando um capítulo à parte e cerne principal que objetiva a presente pesquisa, os deficientes físicos, em relação à prática de atividades físicas, representam tanto parâmetros para inovações, realizações e resultados otimistas; quanto elemento de crescente e substancial estudo nas classes ligadas à Medicina, à Fisioterapia, à Educação Física, Psicologia, dentre outros. São portanto, destaque para aprofundamento no item que segue.

2.3. Atividade física e deficiência: uma interseção entre possibilidades e necessidades

“As pessoas com deficiências possuem limitações físicas ou mentais que muitas vezes não as incapacitam, ou provocam desvantagens para determinada atividade, mas geram estigmas individuais e coletivos. Essas deficiências sociais se apresentam como desvantagens, uma vez que estereótipos e discriminações impedem que a pessoa com deficiência tenha vida normal em sociedade. Uma das principais fontes de preconceitos é a desinformação existente acerca das potencialidades, desejos e dificuldades, deste grupo da população.”

(Neri, 2003, p. 8)

De acordo com a Organização Mundial de saúde (2008) há uma estimativa de que cerca de 10% da população mundial seja portadora de deficiências físicas variadas., denotando cenário em que, vive-se numa sociedade contemporânea multifacetada e de presença intermitente de deficientes, ainda que permaneça em retrógrado estado de ignorância e discriminação generalizada.

Deficiência em sua concepção mais abrangente diz respeito à qualquer comprometimento que incide sobre a integridade do indivíduo, fomentando prejuízos à sua locomoção, coordenação, fala, compreensão de informações, orientação em relação ao espaço circundante ou na percepção e relação com as outras pessoas.

Factualmente, as variadas espécies de deficiências humanas suscitam maiores dificuldades na realização de tarefas comuns, ao menos do mesmo modo que um indivíduo normal as desenvolve. Dificuldades de locomoção, visão ou mesmo de compreensão do mundo, dos processos, lugares e relações promovem efetivamente maior demanda de esforços para o desenvolvimento de tarefas, atividades, práticas laborais, de lazer, dentre outras.

No entanto, faz-se irrepreensível salientar que, do alto da modernidade galgada pelo homem, em suas mais distintas tecnologias, recursos e construções, existem ferramentas que do alto de seu potencial, facilitam e equalizam o dia-a-dia do deficiente com o de qualquer outra pessoa dita ‘normal’.

Algumas realizações humanas nesse sentido podem de forma proficiente, evidenciar a quantidade de equipamentos que visam à facilitação do cotidiano do deficiente físico: cadeira de rodas (motorizada inclusive), muletas, lentes para melhoria das condições de visão, aparelhos para surdez, dentre outras muitas.

Factualmente, e sabendo-se hodiernamente o deficiente dotado de inúmeros recursos para sua adequação ao cotidiano das grandes metrópoles e mesmo dos eixos rurais, toda uma dificuldade em seu sentido mais restritivo e literal é considerada afastada parcialmente de suas atividades rotineiras, elencando condições para equiparação social e laboral do portador de variadas deficiências.

Sob tal ótica, a deficiência já não mais justifica e nem é plausível como parâmetro para o afastamento do deficiente, em termos coletivos ou relativos ao mercado de trabalho. Principalmente para o acesso à saúde, deve o deficiente estar enquadrado, obtendo atendimento e condições para manutenção de sua saúde e bem-estar como preceito mínimo para o atendimento à sua dignidade humana.

Com relação à atividade física não é diferente. Pelo contrário, a prática de exercícios físicos dentro das condições possíveis, na vida do deficiente representa não somente pressuposto para sua inclusão social, mas condicionamento para seu desenvolvimento e melhoria em termos físicos e psicológicos.

A chamada “atividade física adaptada”, teve seu nascedouro nos Estados Unidos, conforme salienta Castro (2003):

“A contribuição da atividade física adaptada foi iniciada nas áreas de surdez, deficiência visual e mental. Jean-Marc Itard (1775-1839), médico francês deu origem ao modelo educacional, utilizando atividades sensório-motoras para desenvolver o potencial de indivíduos com deficiência mental e sensorial. Seu seguidor Edouard Seguin trouxe o sistema de treinamento sensório-motor aos EUA em 1860. Seguin contou com ajuda de Samuel Gridley Howe para atender alunos com deficiência mental em Syracuse, Nova Iorque. A escola trabalhava principalmente com o treinamento de movimentos, com estimulação sensorial, fala e a instrução educacional. Antes de 1900 as raízes históricas da atividade física adaptada foram indiretamente relacionadas com a ginástica médica.”

(Castro, 2003, p. 2-3)

Complementando os apontamentos de Castro (2003), deve-se evidenciar que de 1900 a 1950, nos Estados Unidos ocorreu uma transposição da ginástica médica para as práticas esportivas objetivando-se a valorização e a introdução esportiva no ideário americano, com o regresso dos veteranos de guerra. A partir de 1928 passaram a ser publicadas literaturas usando a expressão educação física corretiva, que deram margem a práticas físicas que pudessem englobar os soldados que ao regresso da guerra, apresentavam amputações e lesões irreversíveis, enquadrando-se na classificação de deficientes.

Entre os anos de 1950 e 1970, o termo “educação física adaptada” passa a ser corrente nos EUA, com modificação efetiva nos pretéritos parâmetros de exclusão do deficiente em práticas físicas, antes largamente utilizados. Castro (2003) completa ainda:

“Um dos personagens históricos mais importantes para a área de atividade física adaptada foi, sem dúvida, Hollis Francis Fait (1918-1984). Ele foi um dos primeiros a introduzir um programa de atividade física adaptada numa universidade, a University of Connecticut. Em 1956, junto com Kupferer, publicou no Journal of Mental Deficiency um estudo demonstrando a relação entre tarefas motoras e inteligência. Este estudo abriu um novo ponto de vista sobre as verdadeiras potencialidades do deficiente mental.”

(Castro, 2003, p. 4)

Seqüencialmente, nos anos 60, surgem os Jogos Paraolímpicos, modalidade que ainda hoje reúne inúmeros atletas, portadores das mais distintas deficiências, atuando em diversos esportes adaptados e provando, factualmente, suas potencialidades, capacidades e superação, preceitos antes ignorados por boa parte da humanidade.

Ainda hodiernamente, inserido nas mais diferentes sociedades mundialmente estabelecidas, o preconceito institui-se uma das maiores e mais fortes barreiras para inserção social do deficiente, e para sua integração em meio às atividades comuns a toda a população. Universalmente condenado, o preconceito velado em muito prejudica a vida do portador de deficiência para sua participação social, o que revela resquícios e seqüelas também em sua sanidade física e mental.

A prática regular de atividades físicas na vida do deficiente não representará, tão somente, benefício psicológico e social; mas essencialmente promoverá efeitos e reflexos em sua saúde e seu bem-estar, observando-se que tanto quanto um indivíduo dito ‘normal’, o deficiente possui, em igual proporção, aspectos a serem zelados com maior ou menor intensidade, dependendo da faixa etária em que esteja enquadrado.

Um deficiente na infância, necessariamente deverá adotar práticas físicas condizentes com seu desenvolvimento, crescimento e experimentação de objetos e ambientes, o que enriquecerá suas experiências e saberes em relação ao mundo circundante.

Se adolescente, o deficiente físico estará enquadrado no mesmo compêndio de atribulações, inerentes à vida adulta pela qual estará adentrando em breve. Terá modificações hormonais, estará se preparando para a vida adulta, sexual e reprodutiva, além da decisão acerca do futuro profissional a seguir.

Estando na fase adulta, o deficiente físico deve efetuar a boa manutenção de sua saúde, prevenindo e tratando doenças e males periféricos à sua própria limitação, o que fomentará melhores condições de vivência social e laboral, bem como o preparará para um adentramento sadio por entre a senescência.

Lastreando o indivíduo portador de deficiência sob ótica orgânica, este não diferirá substancialmente de qualquer outra pessoa, mesmo as tidas como ‘normais’. Possui sistema cardiovascular, circulatório, nervoso, muscular, respiratório, esquelético e todos os outros comuns a indivíduos não portadores de qualquer limitação ou deficiência.

Nesse sentido, será beneficiado se inserido em programas e práticas de exercício físico regular, podendo ainda enquadrar-se, com preparação, no escalão de atletas de alto rendimento, tais quais aqueles observados nos Jogos Paraolímpicos.

O deficiente efetivamente participa, em substancial quantificação, de todas as sociedades contemporâneas, devendo ter seus direitos assegurados e suas condições evidenciadas em termos de inclusão, não somente no campo social, mas no que tange à saúde, ao trabalho e à prática de atividades físicas e esportes. Já há algum tempo, debates mundiais incidem sobre a temática, bem como salientam Rechineli e Moreira (2008):

“Com o advento do Ano Internacional do Deficiente, decretado pela Organização das Nações Unidas em 1981, inicia-se um processo de maior incentivo, por parte dos governantes, numa tentativa de provocar na sociedade discussões acerca da problemática que envolve essa população, principalmente a questão das possibilidades desses corpos com deficiências em contraposição a suas limitações.”

(Rechineli & Moreira, 2008, p. 297)

Para efetiva acoplagem do deficiente, a atividade física adaptada conta com todo um aparato de recursos e técnicas, conforme sintetizam Costa e Souza (2004):

“Ainda em relação aos avanços da área de adaptada, outro aspecto a ser evidenciado é o desenvolvimento tecnológico, na construção de próteses, cadeiras de rodas e materiais específicos para uso em jogos e atividades para esses fins. A atividade física e desportiva para o portador de deficiência cresceu muito desde os anos de 1980. Eventos, publicações e ações governamentais, a partir desse período, marcaram esse crescimento.”

(Costa & Souza, 2004, p. 35)

Sendo assim, vive-se um paradigma que concentra em uma ponta todo um compilado tecnológico e técnico que visa à facilitação do deficiente nas práticas de atividades físicas e esportes; e na outra ponta resíduos de discriminação e segregação que retrogradamente insistem em atirar o portador de deficiência à condição marginal na sociedade hodierna.

Ora, sendo todo ser humano portador do direito de igualdade social, de acesso à saúde, de exercício de seu papel nas esferas coletivas e laborais; não pode o deficiente ser afastado de tais preceitos.

A atividade física para o deficiente beneficia tanto seu físico quanto seus aspectos psicológicos. Fisicamente o prepara para os desafios da vida cotidiana, promovendo maior vitalidade, saúde e bem-estar. Psicologicamente, fomenta maiores condições de lidar com sua pseudo-fragilidade, ente imaterial e etéreo que o estigmatiza e o afasta de tudo quanto há, atualmente de prazeroso e minucioso em termos de realização.

Bandeiras, porém, têm sido hasteadas principalmente por profissionais da Educação Física em forma de estudos, aplicações e novos traçados de técnicas e padrões para atividades físicas, exercícios e esportes objetivando a população portadora de deficiência. Espera-se que tais apontamentos sirvam não somente como ideário a ser praticado, mas como matérias especiais no trato para com o ser humano enquanto organismo vivo e dotado de diferentes potenciais e fragilidades. Tudo isso porque o ser humano, em essência é frágil, não precisando ser deficiente, para conhecer a limitação. Precisa, porém, o deficiente conhecer factualmente o que lhe falta de forma consistente: a oportunidade e a igualdade.

2.4. A deficiência visual nas práticas, estudos, prospecções e realizações da Educação Física: movimento, conhecimento espacial e realizações surpreendentes

“O deficiente da visão, como qualquer outro ser, vive o mundo usufruindo de todo o seu potencial funcional, mas de forma a atingir a amplitude do invisível, do sensível, do cognosciente que o corpo lhe traz e lhe dá pelo contato com o seu interior e com o seu exterior. Não ver as cores de um objeto, por exemplo, é não ter acesso a uma propriedade do objeto em si, mas isto não significa que o cego não tem elementos para poder estabelecer associações e sentir essa qualidade do mesmo objeto.”

(Porto, 2002, p.23)

Entendido o sentido da visão como um dos mais importantes norteadores espaciais para o ser humano e ferramenta conseqüente, para seu ato de conhecer o mundo ao redor, é através do “enxergar” que normalmente um indivíduo passa a construir, desde a infância, suas experiências, suas teorias, posições e relações com os objetos e fatos que sucedem.

Quando cego ou severamente comprometido em sua visão desde o nascimento, o indivíduo já inicia seu contato com o universo que o rodeia de modo especialmente adaptado, apresentando a médio e longo prazo, altos níveis funcionais, inclusive para as mais minuciosas tarefas cotidianas. Já perdendo o sentido da visão tardiamente, deve progressivamente construir novos significados do que seja interagir com os lugares, pessoas e ambientes, numa espécie de adaptação às escuras – o que efetivamente não constitui tarefa das mais simples.

Assim, ocorre com a atividade física. Uma criança portadora de deficiência visual, comumente é matriculada em instituições educacionais especiais, onde aprende a usar seu corpo e mente, movimentando-se baseada em outros sentidos, o que acaba por fazer com maestria, desempenhando atividades físicas adaptadas de forma harmoniosa e extremamente salutar para seu desenvolvimento integral. Exercita-se através do toque, de noções espaciais diferentes que aquelas utilizadas por uma criança dotada de visão, mas fundamentalmente é ativa e participante de jogos e brincadeiras especialmente formuladas para sua faixa etária e condições de deficiência.

Oliveira Junior, Mataruna, Carvalho, Araujo e Almeida (2006) citam Copo, Rodrigues e Bueno (2003) e mencionam que:

“A criança cega ou com baixa visão tem seus primeiros contatos com o mundo a partir do sistema tátil-cinestésico, no entanto as informações de relação espacial (distância e profundidade) não são facilmente assimiladas por este sentido, entretanto é a partir da manipulação que ela começa a assimilar as qualidades dos objetos (peso, textura, consistência, temperatura, entre outros) e passando, em um estágio seguinte, a reconhecer os objetos pelas suas estruturas e formas básicas, atingindo o nível de relacionar o objeto como parte de um todo.”

(Oliveira Junior, Mataruna, Carvalho, Araujo & Almeida, 2006, p. 138)

Nesse sentido, a organização de atividades físicas e conseqüentemente educacionais para crianças portadoras de deficiências visuais deve ser norteada por profissional qualificado de Educação Física, ainda que a especialização para o setor não seja tão corriqueira e de fácil acesso quanto desejável e necessário.

Mesmo quando disponibilizado profissional que encare e abrace o desafio educacional em termos físicos para o deficiente visual, este costuma tender à atuação no trato de crianças, ficando o adulto um pouco relegado a iniciativas pessoais, que não aquelas correlacionadas a instituições formais de educação.

Dentre os novos profissionais em formação e prestes à imediatamente seqüencial atuação no mercado, há um ideário pré-definido para as práticas laborais junto à população não portadora de necessidades especiais. Obviamente, para o ensinamento de exercícios e atividades físicas, mormente aquelas relacionadas à ausência total/parcial de visão há necessidade de bastante resignação, técnica, paciência, obstinação, e persistência, além dos conhecimentos específicos da Educação Física.

Também faz parte do processo de inserção de atividades físicas em portadores de cegueira ou baixa visão, a avaliação eficiente das condições psicológicas e físicas deste indivíduo, a fim de fornecer materiais equivalentes às suas necessidades, sanando suas limitações e oferecendo plenas condições de desenvolvimento psíquico e motor, além do óbvio desenvolvimento físico. Masini (1995) sobre a questão da avaliação do deficiente visual postula:

“Para traçar um procedimento de avaliação, o professor precisa ter claro seu objetivo e a maneira de poder atingi-lo: saber se a meta da avaliação é determinar o nível de funcionamento (para o planejamento de um programa educacional apropriado ao deficiente visual) ou prognosticar suas condições de acompanhar um programa de classe comum. No primeiro caso, a avaliação estará voltada para o progresso individual (avaliação por critério); no segundo caso (avaliação por norma), para comparação dos resultados do indivíduo deficiente visual em relação a um grupo, no caso, a classe. Ambas são importantes para uma avaliação completa.”

(Masini, 1995, p. 624)

Avaliar, nesse sentido, não significa testar ou aferir capacidades, tendo em vista que o indivíduo portador de deficiência visual tem amplas potencialidades, mas representa, primordialmente ‘conhecer’, para aplicar atividades que estimulem o corpo, dentro de suas condições.

A atividade física adaptada, como sugere o próprio nome, representará adequação entre o que pode ser feito, o que se pretende atingir e os limites que se espera superar, consonante ao perfeito equilíbrio físico, emocional e psíquico do deficiente visual.

As atividades e exercícios físicos aplicáveis ao portador de deficiência visual visam à expansão de suas capacidades espaciais, motoras, sensórias e físicas, tratando o corpo, sem esquecer os setores sociais e afetivos envolvidos neste processo. Para tal, a linguagem é ferramenta essencial do professor de Educação Física que atua junto a deficientes visuais, sejam estes crianças, adolescentes e adultos. Sua liderança, motivação e otimismo são fundamentais para que haja confiança mútua, propiciando quebra de tabus e verdadeira potenciação das possibilidades do deficiente visual.

Sob tal égide, o profissional de Educação Física que milita na orientação e treino de cegos/deficientes visuais, deve agregar não somente conhecimento técnico ou fisiológico, mas psicológico, agregando qualidades como a versatilidade, a criatividade, a iniciativa e a dedicação – condições imprescindíveis ao efetivo sucesso de suas empreitadas.

Masini (1993) complementa que:

“O educador não pode esquecer-se de que a deficiência visual constitui uma privação de estímulos e de informações do meio ambiente. Portanto, sua grande preocupação deverá ser de encontrar os caminhos para o DV ampliar seu contato com o mundo que o cerca: de um lado, ampliando sua percepção e compreensão dos conhecimentos; de outro, intensificando suas relações e comunicação com os que o cercam.”

(Masini, 1993, p. 69)

Faz-se mister invocar o fato de que ao lecionar objetivando a atividade física e o exercício para o portador de deficiência visual, o profissional que atua está essencialmente educando, principalmente porque ensina multifacetadas formulas, técnicas e meios de interação do indivíduo com o ambiente que o cerca, o que efetiva melhoras relacionais em todos os sentidos, na ausência da faculdade visual, mas exacerbadas outras propriedades sensoriais, comunicativas e intuitivas.

Educação, para o cego ou deficiente visual não significa mera aquisição de conteúdos e observação do mundo circundante, o que amplia seu raio de conhecimento residual. Representa o elenco de formas suplementares de contato com o ambiente, com os espaços, objetos, ferramentas e funcionalidade geral para relação íntima com estes, adaptada plenamente às condições existentes, de ser e de atuar.

A temática da educação física para deficientes visuais tem sido alvo para intermitentes estudos, proposições e levantamento de novos procedimentos e hipóteses por parte da classe médica e acadêmica em termos de práticas para aplicação direta junto à criança, adolescente e adulto portador da deficiência.

Algumas pesquisas enfocam a avaliação, outras enlevam os potenciais do cego/deficiente visual, outras indicam diversidades de jogos e atividades efetivamente ligadas ao movimento e exercício físico adaptado para o deficiente visual. Todas, porém, indicam que maiores especificidades e atenção devem ser base de qualquer atuação, informando também que a quantificação de profissionais da Educação Física militantes junto ao setor deveria, necessariamente, ser majorada para apresentação de melhores resultados e norteadores de base para trabalho materializável, junto às instituições educacionais que se dedicam à formação de portadores de deficiência visual.

Exímio na audição, tato e paladar, o portador de deficiência visual tem servido à inúmeras práticas bem sucedidas, especialmente concernentes aos esportes e ouros ramos da atividade humana, por exemplo, aquelas laborais atreladas à degustação, dentre outras.

Atividades físicas e relacionadas ao desporto, conforme evidenciam Abrantes, Luz e Barreto (2006), são:

“… adequadas para verificar-se o processo de inclusão do cego e do deficiente visual no esporte, pois tem características como regras, formas de aprendizagem, treinamento, competições, entre outros fatores que favorecem a inserção dessas pessoas no ambiente da atividade física voltada para a saúde, e também possibilita, por seu formato, o encaminhamento para o ambiente esportivo competitivo.”

(Abrantes, Luz & Barreto, 2006, p. 25)

Nesse sentido cabe salientar que a prática de atividades físicas no cotidiano de deficientes visuais não se encerra tão somente na Educação Física escolar e nas práticas rotineiras de ginástica e similares. Os esportes são elencados na vida do cego/deficiente visual, como um dos grandes parâmetros de vitória e realização, tendo como base o estrelato de renomados atletas cujas notórias competições são noticiadas em toda a mídia contemporânea.

Tal reconhecimento massificado, acerca das conquistas do indivíduo cego inserido nos esportes hodiernos promove maior incentivo à classe acadêmica e profissional da Educação Física, para maior mergulho nas possibilidades e práticas de atividades/exercícios acopláveis à vida do portador de deficiência visual. Feliz é o panorama geral e as prospecções futuras que unem a Educação Física, o desporto e a própria atividade física nas instituições que treinam e preparam cegos/deficientes visuais.

Valem, inclusive, maiores estudos e dedicação mais aprofundada, que certamente poderá fomentar ainda novos caminhos, técnicas e procedimentos especializados que potencialmente majorarão os potenciais físicos e esportivos do portador de deficiência visual. Quanto às experiências verídicas e seus resultados efetivos, estas são objeto de item seqüencial.

CAPÍTULO III – QUANDO A LUZ EMERGE DO MOVIMENTO: VITÓRIAS E CONQUISTAS DO DEFICIENTE VISUAL NAS PRÁTICAS ESPORTIVAS, ATESTANDO A IMPONÊNCIA DE SUAS CAPACIDADES

“Normalmente, relaciona-se o termo “educação física adaptada” (EFA) a pessoas que possuem deficiência física, mental, auditiva ou visual e mesmo múltipla. Para além destes, entretanto, esta disciplina se dedica a transmitir informações relacionadas a indivíduos que, de uma forma mais ou menos limitada, não podem executar irrestritamente as atividades desenvolvidas normalmente nas aulas de EF, como, por exemplo, asmáticos, obesos, idosos, entre outros. Em se tratando dos idosos, compreende-se que estes se enquadram pelo fato de haver alterações mecânicas nos padrões motores, despertando o interesse de estudiosos na área.”

(Ribeiro & Araújo, 2004, p. 63)

A Educação Física adaptada, disciplina que comumente inicia o indivíduo nas práticas desportivas que futuramente podem coroar profissionalização esportiva, chegando ao quadro de premiações em competições oficiais; consiste em apregoação de técnica, conhecimento, treinamento espacial e sensorial, estabelecimento de confiança e troca entre o deficiente visual e seu orientador/treinador.

Sabendo-se os benefícios gerais da prática de atividade física ao portador de deficiência/ausência no sentido da visão, tão salutares em termos físico-orgânicos para o indivíduo normal quanto para o deficiente visual, já é assinalada a importância de sua incidência regular.

O engajamento em modalidades esportivas diretamente concernentes ao deficiente visual, nesse sentido, torna-se conseqüência do advento inicial da atividade física, e do conhecimento, do próprio indivíduo deficiente visual, acerca de suas potencialidades e limites a serem superados.

Em tempos pretéritos, quando do ideário de afastamento do portador de deficiências do convívio social e conseqüentemente das práticas físicas/esportivas não havia, em meio aos projetos e certames governamentais das diversas nações, realizações que englobassem deficientes privados de sentidos como a visão.

Com o passar do tempo, e a intervenção de renomados teóricos que labutaram na descoberta das potencialidades dos deficientes visuais, bem como outros portadores de distintas limitações; novo panorama passou a se delinear, com o incremento de ações do poder público internacional no sentido de promover reconhecimento e incentivo para a prática de atividades e esportes, cujo espírito competitivo e de superação excede os preceitos de discriminação e segregação comuns em outrora.

O reconhecimento e a promoção de atividades competitivas de desporto para o deficiente visual, com eclosão inicial nos Jogos Paraolímpicos primeiramente na sociedade romana de 1960; ratificou-se com o advento dos Jogos Paraolímpicos de Inverno em Örnsköldsvik (Suécia), em 1976.

A criação do Comitê Paraolímpico Internacional, em 22 de setembro de 1989 fortificou o desenvolvimento de diversificadas competições e órgãos, em todos os países, para o cuidado e a administração de seus atletas portadores de deficiências.

Em junho de 2001, ficou acordado que em paralelo aos Jogos Olímpicos convencionais, isto é, direcionados para atletas não portadores de deficiências; serão realizados os Jogos Paraolímpicos, o que promove uma conveniente seqüenciação e periodicidade para que possam competir os deficientes (inclusive visuais, dentre outros), mostrando seus talentos e potencialidades.

O quadro que segue mostra a realização dos Jogos Paraolímpicos de verão segundo sua sede, de 1960 a 1988:

Quadro 7: Jogos Paraolímpicos de verão, segundo as nações-sede, de 1960 a 1988

Fonte: Wikipédia. Home Page. http://pt.wikipedia.org/wiki/Jogos_Paraol%C3%ADmpicos

O quadro seguinte expõe os Jogos Paraolímpicos de verão, realizados de 1992 até a contemporaneidade, inclusive mencionado o próximo a ser definida sede no ano de 2009:

Quadro 8: Jogos Paraolímpicos de verão, segundo as nações-sede, de 1992 em diante

Fonte: Wikipédia. Home Page. http://pt.wikipedia.org/wiki/Jogos_Paraol%C3%ADmpicos

Ainda na seqüência, o quadro disposto abaixo dispõe os Jogos Paraolímpicos de inverno, em sua quantificação total:

Quadro 9: Jogos Paraolímpicos de inverno, em todas as suas edições

Fonte: Wikipédia. Home Page. http://pt.wikipedia.org/wiki/Jogos_Paraol%C3%ADmpicos

No que tange reconhecimento oficial, formulação de parâmetros nas competições e organização do esporte praticado por deficientes visuais; o Brasil, através do Ministério do Esporte, estruturou a Confederação Brasileira de Desportos para Cegos – CBDC. Tal órgão, criado em 1984, passou a ter nomeação oficial em dezembro de 2005, após sua absoluta aprovação em Assembléia Geral, ocorrida em Campinas, no Estado de São Paulo.

Mais que uma conquista para a constituição factualmente oficial do esporte praticado pelo cego ou deficiente visual, o incremento da Confederação Brasileira de Desportos para Cegos faz menção à própria dignidade e reconhecimento do potencial funcional e competitivo do portador de deficiência visual.

O CBDC também funciona como nascedouro de iniciativas pró-esporte, disseminadas com freqüência por entre o mundo do deficiente visual, normalmente atento às realizações, vitórias e conquistas de seus contíguos na problemática da ausência de sentido visual, organizando freqüentemente quadros de competições em caráter oficial, as quais fazem permanecer vivo o estímulo pela continuidade nas superações de seus atletas.

Resumidamente, a grande totalidade das nações possui órgãos similares. Um bom exemplo são os Estados Unidos, onde a IBSA (International Blind Sports Federation) desempenha as mesmas funções da CBDC. É possível mensurar que na atualidade, todo o compilado de países mundialmente estabelecidos, possuem órgãos oficiais, atrelados ao poder público, que tratam, cuidam e se responsabilizam oficialmente pelo o esporte de deficientes visuais, sendo os Jogos Paraolímpicos, indubitavelmente, seu ponto alto, conforme evidenciam Costa e Sousa (2004):

“Os Jogos Paraolímpicos são a expressão máxima do desporto de alta competição entre as pessoas portadoras de deficiência. Participam dos Jogos Paraolímpicos os melhores atletas portadores de deficiência. A estrutura do esporte paraolímpico brasileiro é semelhante à do esporte olímpico. O que consiste como diferença é que as cinco associações nacionais que representam os paratletas brasileiros foram formadas em função do tipo de deficiência e não de um esporte específico. Os Jogos Paraolímpicos são o segundo acontecimento esportivo mundial em termos de duração e número de participantes, e podemos dizer que no momento representam, no nosso entendimento, o maior avanço na área da educação física adaptada.”

(Costa & Sousa, 2004, p. 32)

O vulto e o brilho dos holofotes direcionado às vitórias alcançadas nos Jogos Paraolímpicos, nas modalidades que aferem os potenciais de atletas portadores de deficiência visual de certo são germinados nos programas de Educação Física adaptada, nas escolas, centros de atendimento social e amparo, nas organizações não-governamentais, nas iniciativas privadas quando levam a atividade física ao cego/deficiente visual.

Antes do esporte de alto rendimento para cegos e deficientes visuais, inicia-se o processo de aproximação entre atividade física e indivíduo, que anteriormente, hipoteticamente era relegado à plena aceitação social em atividades funcionais.

Antes um anonimato, muitas vezes até sombrio, frio, impenetrável; tão escuro quanto o próprio mundo do cego, atravessado por muitas dores morais e segregações condenáveis em termos de direitos humanos. Depois o encontro com a atividade física, o condicionamento do corpo, o aprendizado da técnica, as primeiras vitórias e a consagração final, desembocando em medalhas e congratulações.

De certo, uma trajetória de intensa luta e merecido brilho final, principalmente por estar indelevelmente acompanhada de provações, pequenas e progressivas superações. Enfim, não somente na vida do cego, mas de qualquer cidadão, a construção de formas, físicos e da saúde em temos gerais trata-se de um sincopado processo e não de uma condição pré-determinada e acabada.

3.1. Os desportos para cegos: termos classificatórios, especificidades e pormenoridades

“O treino desportivo para pessoas com deficiência é uma área de conhecimento do treino desportivo em geral possuindo não só aspectos particulares como também se especializou e se desenvolveu em determinados desportos atendendo ao perfil funcional das diferentes categorias desportivas bem como das condições estruturais, funcionais e normativas da prática da atividade desportiva.

(Carvalho, 2005, p. 1)

Os esportes adaptados, que elencam atletas de alta performance e portadores de deficiências são hodiernamente motivo de amplas comemorações por seus resultados, bem como pelo incentivo à prática de exercícios físicos para os indivíduos portadores de deficiências.

No caso dos cegos, após marcante trajetória de ampliação do raio esportivo, perfilam-se diversas modalidades esportivas, as quais submetem atletas altamente treinados e condicionados às competições oficiais que medem capacidades de profissionais oriundos de todas as nações.

Algumas das modalidades mencionadas em supra podem, e devem ser explicadas de forma taxativa para entendimento sobre suas especificidades e acesso aos deficientes visuais que ensejam por iniciação progressiva.

O futebol para cegos/deficientes visuais, em temos oficiais, é uma das primeiras formas esportivas tradicionais na história humana, primeiramente com enfoque em indivíduos não portadores de deficiências, e depois, adaptado para sua realização junto à portadores de baixa ou nenhuma visão. O chamado futebol B1 para atletas cegos, ou “futebol de cinco” como popularmente conhecido, trata-se de adaptação do futsal convencional, dotado de técnicas similares às da Fifa. Jogado em quadra idêntica à do futsal tradicional (com medidas que variam de 38x18m a 42x22m), desenrola-se com base em bola dotada de guizos, disputada por quatro atletas de linha cegos. Nessa modalidade esportiva, o goleiro é dotado de visão e em partidas oficiais, tem duração de 50 minutos, dividas em duas partidas de 25, com intervalos de 10 minutos. Desde 1984, com o advento da CBDC no Brasil, são organizadas partidas, tendo sido objeto de competição nacional, a partir de 1986.

A imagem que segue mostra exatamente como se processa o futebol de cegos, mais precisamente na modalidade B1:

Figura 1: Futebol de para cegos, modalidade B1

Fonte: Governo da Paraíba. Home Page. http://www.sel.pb.gov.br/base_noticias.php?id=433

O futebol para deficientes visuais, em suas classificações B2 e B3 realiza-se quase nas mesmas condições descritas para o B1, sabendo-se, portanto, que elenca atletas com comprometimento visual e ausência correlata. Nesse sentido, processa-se em ambiente calculado minuciosamente em termos de luz e tem como ferramenta bola de cor chamativa.

O atletismo para cegos representa hodiernamente um dos esportes mais praticado dentre as nações filiadas à Federação Internacional de Desportos para Cegos.  Têm em seu calendário, além dos Jogos Paraolímpicos, maratonas, torneios e campeonatos mundiais. O que fomenta popularidade para tal esporte é sua correlata facilidade de acesso e o caráter natural dos movimentos empregados, uma vez que correr, saltar, lançar e arremessar são atividades inerentes à própria humanidade, desde os primórdios.

O Atletismo de deficientes visuais apresenta fundamentalmente todas as provas inerentes às normas oficiais da Federação Internacional de Atletismo, não englobando, porém, salto com vara, lançamento do martelo, corridas com barreira e obstáculos.

Suas provas são classificadas por níveis de deficiência visual (B1, B2 e B3), sendo as regras basilares adaptadas para os atletas enquadrados nas categorias B1 e B2, para os quais há permissão para o uso de sinais (sonoros) e de um guia, que orienta o atleta, unido a este por uma corda. Para as modalidades que reúnem atletas B3 são adotadas regrar idênticas ao do atletismo para não deficientes.

A imagem a seguir mostra como se processa uma prova de corrida para deficientes visuais:

Figura 2: Atletismo (corrida) para deficientes visuais

Fonte: Paraolimpíadas 2004. Home Page. http://www.paraolimpiadas2004.kit.net/fotos.htm

Uma modalidade esportiva especialmente formulada para deficientes visuais é o goalball, tendo sua iniciação nos Jogos Paraolímpicos de Toronto (1976), em caráter de exibição, entrando para o programa de competição nos Jogos de Arnhem (1980). Em síntese é um desporto coletivo integrado por duas equipes de três jogadores, possuindo maximamente, três atletas reservas. Competem, na mesma classe, atletas aferidos como B1, B2 e B3, de acordo com as regras de classificação desportiva oriundas da International Blind Sports Federation, separados tão somente nas categorias masculina e feminina.

Tal modalidade esportiva baseia-se na utilização da percepção auditiva para a identificação da trajetória da bola (dotada de guizos), o que pressupõe boa habilidade de orientação espacial do competidor para perceber onde está localizada. Para tal isso o silêncio absoluto é bastante relevante para o ordeiro desenvolvimento da partida. A fundamental meta é que cada equipe jogue a bola, de forma rasteira para o campo adversário marcando o maior número de gols em 20 minutos jogados (dois tempos de 10 minutos). Todos os competidores da partida tanto atacam quanto defendem.

A imagem abaixo mostra o esquema de jogo inerente ao goaball:

Figura 3: Goaball em sua especial formulação, direcionada ao deficiente visual

Fonte: London 2012. Home Page. http://www.london2012.com/sports/paralympic/goalball.php

A natação, esporte clássico no que concerne à sua evidência no cenário mundial, mormente conhecida no mundo não deficiente, também se faz presente no compêndio de esportes oficiais dedicados ao cego ou portador de deficiência visual, onde pouquíssimas regras tiveram adaptação, com relação às aplicadas para os competidores normais.

Tais regras baseiam-se fundamentalmente nas normas da Federação Internacional de Natação, sendo que as provas disputadas são as mesmas: livre, costas, peito e borboleta; fragmentadas por categorias de aferição oftalmológica (B1, B2 e B3), cada uma disputando entre si.

No lume dos anos 80 foi inserido o tapper nas competições e provas para atletas B1 e B2. O tapper é um técnico perfilado à beira da piscina, segurando um bastão com uma bola de tênis na ponta, que toca as costas do atleta para que este saiba a hora exata da virada. Para os competidores enquadrados na categoria B1 faz-se obrigatório o uso de uma venda totalmente opaca. Salienta-se, em compleição, que apenas nas Paraolimpíadas de Seul (1988) a natação para deficientes passou a integrar o quadro paraolímpico.

A imagem que segue mostra um dos grandes expoentes do nado para cegos no Brasil, Clodoaldo Silva, recordista mundial dos 50 m, 100 m e 200 m, nado livre, 50 m, borboleta, 150 m, medley:

Figura 4: Clodoaldo Silva, campeão e recordista mundial na natação para deficientes visuais

Fonte: Estadão. Home Page. http://blog.estadao.com.br/blog/pan2007/?m=200704

Outros esportes, tão tradicionais quanto à natação, são também enfoque, para a atuação de deficientes visuais. O Judô é um deles, representando a única arte marcial oficialmente disposta nos Jogos Paraolímpicos, tendo sido agregada no advento dos Jogos de Atenas, em 2004. Suas principais competições em nível internacional são as Paraolimpíadas, Jogos Mundiais da IBSA, Campeonato Mundial, Campeonatos Continentais e a Copa Mundial.

O judô para deficientes visuais engloba atletas das três categorias oftalmológicas (B1, B2 e B3), sendo o competidor cego (B1), identificado através de um círculo vermelho disposto em cada ombro de seu quimono. Com regras similares às da Federação Internacional de Judô, apresenta como adaptações a interrupção da luta quando da perda de contato entre os competidores, e punição quando os atletas saem da área de combate.

O judô para deficientes visuais tem pontuação igual à de sua modalidade olímpica, podendo ser disputado entre portadores ou não, de deficiências visuais, sabendo-se que surdos também podem integrar a modalidade.

Abaixo está fixada imagem correspondente ao judô em sua modalidade para cegos:

Figura 5: Judô para cegos

Fonte: Confederação Brasileira de Desportos para Cegos. Home Page. http://www.cbdc.org.br/pages_home/jun_12_2006.htm

Outra modalidade esportiva que sedia participação e campeonatos para deficientes visuais é o xadrez, cujos trâmites tradicionais sofrem algumas adaptações para a prática dos portadores de deficiência visual. Uma delas é o jogo com toque das mãos, o que propicia ao enxadrista “visualizar” o andamento da partida para então, montar sua estratégia de atuação. As casas pretas são sucintamente mais altas para oportunizar a orientação necessária; bem como as peças pretas que são dotadas de ponta de metálica. As categorias B1, B2 e B3 competem entre si devendo mencionar verbalmente suas jogadas e podendo tocar livremente as peças (que são encaixadas), sem a obrigatoriedade de mexer, desde que tais peças não sejam retiradas do lugar original.

A imagem seguinte mostra competidores portadores de deficiência visual em partidas de xadrez:

Figura 6: Xadrez para deficientes visuais

Fonte: Confederação Brasileira de Desportos para Cegos. Home Page. http://www.cbdc.org.br/novo_site/index.php?idmenu=24&codtipoconteudo=4

Destacadas as modalidades mais conhecidas e tradicionais de esportes aplicados à comunidade deficiente visual mundialmente, cabe mencionar um esporte pouco difundido no Brasil, mas pertencente à ordem praticada oficialmente por cegos ou portadores de severas deficiências visuais – o powerlifting, tipo de levantamento de peso realizado por homens e mulheres. Muito comum no leste da Europa e na Ásia, o powerlifting agrega atletas das categorias B1, B2 e B3 que competem juntos, obedecendo a regras iguais às das competições convencionais, direcionadas aos não portadores de deficiências visuais.

Discrepante do weightlifting (levantamento olímpico), onde o atleta levanta a barra e a mantém sobre sua cabeça, o powerlifting engloba três movimentos: supino (deitado num banco, o competidor retira a barra do apoio, baixando-a até o peito. Na seqüência, levanta até que os braços estejam completamente estendidos); agachamento (de pé, o competidor se posiciona e retira a barra do apoio. Após o desígnio do árbitro, ele se afasta para trás e agacha até que os quadris estejam abaixo da linha do joelho. Para finalizar o movimento, o competidor levanta até que aos joelhos fiquem totalmente estendidos); e, terra (o competidor se posiciona defronte à barra, agacha e segura a barra com as mãos. Após o desígnio do árbitro, ele levanta a barra até que seus braços fiquem estendidos ao longo do corpo e as pernas eretas, voltando-se à posição inicial, quando ocorre nova ordem do árbitro).

Para cada competidor do powerlifting são permitidas três tentativas para realização de cada movimento, sendo a melhor validada para o final da prova. É vencedor aquele conseguir levantar a barra com maior peso proporcional ao seu peso. O powerlifting para deficientes visuais ainda não é modalidade paraolímpica, mas prospecções do esporte fazem acreditar que dentro em breve o poderá ser.

De forma sintética, assim, foram apresentadas as principais modalidades esportivas praticadas pelo deficiente físico, segundo dados da Confederação Brasileira de Desportos para Cegos, não obstantes outras diversificadas, presentes nas mais distintas nações.

No Brasil, de forma específica, a quantificação das vitórias e conquistas do esporte para deficientes visuais foram: o primeiro lugar na I Copa América de Futsal (Paraguai, 1997); o bicampeonato mundial no II Campeonato Mundial de Futsal para Cegos e Deficientes Visuais (Espanha ,2000); quatro medalhas de ouro e três de prata nas modalidades atletismo, judô e natação na XI Paraolimpíada (Sidney ,2000); futebol de cegos com o 1º lugar na IV Copa América (Colombia, 2003) e na II Copa IBSA de Futebol para Cegos (Argentina, 2004). Nos Jogos Paraolímpicos de Atenas em 2004, os atletas portadores de cegueira e deficiência visual trouxeram 18 medalhas (5 de ouro, 8 de prata e 5 de bronze). Nos IV Jogos Pan-Americanos para Cegos e Deficientes Visuais (São Paulo, 2005) o Brasil foi sede, como também nos III Jogos Mundiais da IBSA (São Paulo 2007), onde obteve a 2ª colocação geral no quadro de medalhas, tendo participado com uma delegação de 156 membros, e garantindo vaga para a participação nos Jogos Paraolímpicos de Pequim nas seguintes modalidades: Judô, Atletismo, Natação e Goalball, categorias feminina e masculina. Nos Jogos Parapan-Americanos o Brasil também conquistou vaga na categoria Futebol de cinco.

Mas uma conclusiva síntese que pode ser apregoada ao esporte dedicado aos deficientes visuais, congruente às práticas físicas similares, é de que orientação, adaptação, esforço, superação, persistência, cidadania são circundantes e tacitamente necessários para realizações consistentes e vitoriosas na vida do portador de deficiência visual.

Inicialmente engajados na prática freqüente de atividades físicas, muitos indivíduos portadores de deficiências visuais apresentam rendimento tão surpreendente que chegam às competições oficiais com a maestria que qualquer indivíduo “normal” chega, denotando suas capacidades, potenciais e funcionalidades, enquanto cidadãos iguais, perante aos certames legais estabelecidos nas mais variadas nações.

Além de todo o reconhecimento e notoriedade, o portador de deficiência visual ganha em demasia pelo condicionamento físico que propicia bem-estar, longevidade, e manutenção orgânica necessária a uma vida satisfatória.

Nesses termos, tanto o esporte, quanto a prática de exercícios e atividades físicas para o deficiente visual são imprescindíveis, salutares, benéficos, em todos os termos. Reúnem, além do mais, o benefício psíquico e social que consiste na disponibilização de pertencimento coletivo, tão merecida e objeto de direito universal da pessoa humana, em todos os logradouros, países e comunidades.

A deficiência visual, em súmula, representa limitação, mas nunca, em tempo algum, agrega na escuridão do olhar, o apagamento da dignidade humana.Tal preceito é de fato e direito, ostensivo à qualquer indivíduo, universalmente.

CONCLUSÃO

 Deficiência visual, em sua acepção mais clara e situada na historiografia humana representa déficit na identificação, a partir da visão, de lugares, pessoas, objetos; acompanhada ainda por dificuldade de localização espacial, e conseqüente locomoção sem o auxílio de ferramentas e equipamentos especiais.

Entre a cegueira total e a visão subnormal, algumas discrepâncias sucedem exatamente no sentido de percepção da luz, o que comumente facilita modestamente aquele indivíduo, portador de deficiência visual, mas não totalmente cego.

A visão, em sua funcionalidade mais literal, concede ao ser humano a faculdade de conhecer tudo quanto lhe rodeia, fomentando aquisição de conceitos, paisagens naturais, objetos, construções, dentre outras maravilhas experimentáveis, tão somente para aqueles que as podem apreciar.

A ausência da visão, em contrapartida, depreende distintas limitações e dificuldades para a aquisição de conhecimentos em virtude da cisão nas experiências factuais, isto é, aquelas correlacionadas ao sentido da visão e sua extensa gama de possibilidades. Um indivíduo portador de deficiência visual, para contato efetivo com o universo que o rodeia, para a aquisição cultural e de conhecimentos específicos; deve trilhar outros caminhos, especialmente talhados tecnicamente para o ensino de deficientes visuais. Sua leitura realiza-se de modo distinto das pessoas com visão normal, seu acesso aos locais públicos também, seu convívio social, de modo geral; ocorrem de forma sucintamente diferente.

Em sociedades pretéritas, um grande preconceito por muito tempo afastou o deficiente visual do convívio comunitário, e de suas atividades comuns. Visto como uma possível ‘aberração’, o portador de deficiência visual logrou muitos sofrimentos e segregação.

Contemporaneamente, ainda que preceitos insculpidos na Declaração dos Direitos Humanos e constituições de inúmeros países o declarem delituoso e execrável, o preconceito velado ainda leva à supressão da franca participação do cego/deficiente visual, aos prazeres e oportunidades estendidos aos cidadãos normais.

No entanto, o deficiente visual trata-se de indivíduo comum, dotado de sentimentos, aspirações, desejos, potenciais ilimitados; mormente verificáveis em meio à sua luta para destacar-se em todos os pleitos que atua. No que tange à sua saúde, e à manutenção correlata de seu vigor físico e bem-estar, o portador de deficiência visual ou cegueira é como qualquer outra pessoa, onde incidem problemas eventualmente circulatórios, respiratórios, cardiovasculares, bem como doenças comuns àqueles não portadores de qualquer deficiência.

Sendo assim, e para efetivo manejo de boa saúde e longevidade, deve o deficiente visual verter à prática de atividades físicas freqüentes, ainda que suas noções espaciais e aplicação de jogos e esportes não ocorram similarmente às práticas correntes nos cotidianos de indivíduos dotados de visão.

No entanto, apesar de matéria bastante debatida na Educação Física; a aplicação de atividades direcionadas à população deficiente visual não se constitui prática tão freqüente como desejável, preferindo os profissionais, dedicarem-se ao emprego laboral mediante não-deficientes.

Ocorre, porém, que o deficiente visual vem, há tempos, quebrando tabus, derrubando barreiras e se destacando, com maestria em diversos campos esportivos, asseverando-se os Jogos Paraolímpicos, onde dá provas de suas habilidades especiais e força de vontade contínua.

A prática de atividade física e esportiva no cotidiano do deficiente visual ou cego representa elemento de suma importância, não somente para a ideal manutenção orgânica desejável, mas para sua inserção absoluta nos contextos sociais, ainda excludentes e discriminatórios.

Nesses termos, convém sintetizar que oportunidade representa a palavra-chave na vida do cego/deficiente visual. Oportunidade para igual tratamento. Oportunidade para iguais chances. Oportunidade para cuidar de seu organismo e mente. Oportunidade para exercer o papel que é seu de fato e de direito – o de cidadão, ainda que especial, ainda que diferente.

Ser diferente é comum. Ser excludente e discriminatório, crime. E que se faça valer, nas mais distintas camadas sociais, nos esportes, na vida humana, como um todo.

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[1] Patologia que acomete os olhos, consistindo na opacidade, em parte ou absoluta do cristalino ou de sua cápsula.

[2] Doença oftálmica bastante contagiosa, de fundamento bacteriano, responsável por comprometimentos da córnea e da conjuntiva.

[3] Também chamada ‘cegueira dos rios’ ou ‘mal do garimpeiro, a oncocercose consiste em doença infecciosa, causada pelo parasita onchocerca volvulus e que representa grande causa infecciosa da cegueira.

[4] Compilado de doenças que agem sobre o nervo óptico e refletem na perda de células ganglionares da retina num perfil peculiar de neuropatia óptica; resultando aindaem atrofia progressiva do campo visual, o que em muitas hipóteses, evolui para a cegueira.

[5] Também conhecida como olho seco, a Xeroftalmia é uma moléstia caracterizada pela não produção lacrimal e por dificuldades de visão, mormente no período noturno. É uma avitaminose ocorrida pela falta da vitamina A, podendo levar à cegueira.